Casa Branca analisa pagamentos à população da Groenlândia como parte de um plano de anexação territorial e reforço da segurança nacional.
Os Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, discutem planos para pagar diretamente aos moradores da Groenlândia com o objetivo de incentivar a separação do território da Dinamarca e, eventualmente, promover uma anexação territorial.
As conversas ocorrem dentro da Casa Branca, ganharam força nos últimos dias e fazem parte de uma estratégia maior de geopolítica internacional e segurança nacional, segundo fontes próximas às deliberações internas do governo americano.
Pagamentos diretos entram no centro da estratégia dos Estados Unidos
Entre as propostas analisadas por assessores da Casa Branca está o envio de pagamentos individuais aos cerca de 57 mil habitantes da Groenlândia.
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Segundo fontes familiarizadas com o tema, os valores discutidos variam entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa, embora ainda não exista definição sobre logística ou cronograma.
A ideia busca criar um caminho financeiro para viabilizar a anexação territorial, mesmo diante da posição oficial de Copenhague e Nuuk de que a Groenlândia não está à venda.
Apesar disso, a proposta levanta críticas por tratar uma decisão política complexa como uma transação econômica direta.
Reação local expõe limites da anexação territorial
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reagiu publicamente às declarações recentes de Trump.
“Chega! Basta de fantasias sobre anexação”, escreveu o líder groenlandês em uma publicação nas redes sociais no domingo (4).
A fala reflete um sentimento recorrente entre a população local, que discute há décadas sua independência, mas rejeita a ideia de integrar os Estados Unidos.
Pesquisas indicam que, embora exista apoio majoritário à separação da Dinamarca, a adesão aos EUA não encontra respaldo popular.
Europa reage e reforça soberania da Groenlândia
As declarações de Trump também provocaram forte reação entre aliados europeus.
Na terça-feira (6), França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca divulgaram uma nota conjunta afirmando que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir sobre o futuro do território.
O posicionamento ganha peso por envolver países-membros da OTAN, aliança militar da qual Estados Unidos e Dinamarca fazem parte.
O episódio elevou a tensão diplomática e ampliou o debate sobre limites da influência americana na geopolítica internacional.
Casa Branca admite estudos sobre compra da Groenlândia
Questionada sobre as discussões, a Casa Branca confirmou que o tema está sendo analisado.
Durante coletiva, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que Trump e seus assessores de segurança nacional avaliam “como seria uma possível compra”.
Já o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que se reunirá com autoridades dinamarquesas em Washington para tratar do assunto.
A embaixada da Dinamarca preferiu não comentar oficialmente.
Segurança nacional impulsiona interesse dos Estados Unidos
Trump argumenta que a Groenlândia é estratégica para a segurança nacional dos Estados Unidos.
O território abriga recursos minerais considerados essenciais para tecnologias militares avançadas e ocupa uma posição-chave no Ártico.
“Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não poderá fazer isso”, afirmou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One.
Além disso, o presidente defende que o Hemisfério Ocidental deve permanecer sob influência direta de Washington.
Plano ganhou força após operação internacional
Fontes indicam que o debate interno sobre a anexação territorial existe desde antes da posse de Trump.
No entanto, as discussões se intensificaram após uma operação recente que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Assessores veem o momento como uma oportunidade para avançar em objetivos estratégicos de longo prazo na geopolítica internacional.
Acordo de Livre Associação surge como alternativa
Outra possibilidade em análise é a assinatura de um Pacto de Livre Associação, modelo já adotado pelos EUA com países como Micronésia e Palau.
Nesse formato, os Estados Unidos oferecem proteção militar e serviços essenciais, enquanto obtêm liberdade de atuação estratégica e vantagens comerciais.
Para isso, a Groenlândia precisaria se tornar independente da Dinamarca, o que exigiria um processo político complexo.
Pagamentos diretos poderiam, em tese, ser usados como incentivo para um referendo.
Resistência local segue como principal obstáculo
Apesar das pressões externas, os custos econômicos da independência ainda freiam avanços internos.
A dependência financeira da Dinamarca e a rejeição à incorporação aos Estados Unidos mantêm o cenário indefinido.
Assim, mesmo com propostas financeiras e interesses estratégicos, a anexação territorial da Groenlândia permanece distante.
O debate, porém, já reposiciona o território no centro das disputas globais de poder, segurança nacional e influência internacional.

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