O que parecia apenas uma pintura decorativa de leões descansando, pendurada na sala de estar de uma família, revelou-se uma descoberta notável. Um especialista percebeu detalhes que indicavam se tratar de uma obra rara, com grande valor artístico e histórico, transformando completamente a percepção sobre o quadro.
Um quadro esquecido na parede de uma casa de família no interior da França virou notícia internacional. A obra, que mostrava leões descansando, estava pendurada há anos na sala de estar. Agora, especialistas confirmaram: trata-se de um trabalho original do pintor Eugène Delacroix.
A obra estava em posse da mesma família há 150 anos, desde a venda póstuma do estúdio do artista em 1864
Descoberta inesperada
O achado aconteceu na região central de Touraine, na França. O leiloeiro francês Malo de Lussac examinava os bens de uma propriedade quando se deparou com o quadro.
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A pintura, feita a óleo sobre tela, mede 61 cm por 50,8 cm e mostra sete leões em tons terrosos, deitados de forma relaxada. Seis dos animais aparecem em detalhes. O sétimo é apenas um esboço.
Ao ver a obra, de Lussac disse ter sentido algo diferente. “Fiquei tocado. O magnetismo era forte. A maioria dos Delacroix está em museus. Raramente vemos algo dele em mãos privadas“, contou à agência AFP.
O nome do quadro é Estudo de Leões Deitados (Study of Reclining Lions). A obra estava com a mesma família desde meados do século XIX, segundo o jornal francês La Nouvelle République.
Um mestre do romantismo
Eugène Delacroix nasceu em 1798 e foi um dos principais nomes do romantismo francês. Sua estreia aconteceu no Salão de Paris, em 1822, com o quadro A Barca de Dante.
Seu estilo se destacava pelas cores vivas e cenas intensas. Uma de suas obras mais conhecidas é A Liberdade Guiando o Povo, feita após a Revolução de Julho de 1830.
Delacroix tinha fascínio por animais selvagens, especialmente leões. Frequentava o zoológico do Jardin des Plantes, em Paris, onde observava leões e tigres. Também estudava taxidermia e participava de dissecações.
Em 1829, quando um leão chamado Coco morreu no zoológico, Delacroix avisou um amigo escultor: “O leão morreu. Corra o mais rápido que puder!”, escreveu.
Durante cerca de dez anos, o artista criou uma série chamada A Caça ao Leão, com cenas de confrontos entre leões e caçadores armados. Críticos consideram essas pinturas como um resumo de sua carreira.
Autenticidade confirmada
A autenticidade do quadro agora descoberto foi confirmada por documentos importantes. Entre eles, uma carta de 1966 escrita pelo especialista Lee Johnson e um certificado de 1973 do colecionador Pierre Dieterle.
Além disso, a parte de trás da tela tem o selo de cera original do estúdio de Delacroix, usado após sua morte, em 1863.
O leiloeiro Malo de Lussac já tinha feito outra descoberta surpreendente no ano anterior. Em 2023, ele identificou uma obra original de Pieter Brueghel, o Jovem, um artista flamengo do século XVII. A peça foi vendida por cerca de 850 mil dólares.
Vai a leilão ainda este mês
“Estudo de Leões Deitados” foi leiloado em Paris, na casa de leilões Hôtel Drouot, no dia 28 de março. A pintura alcançou o valor de 330 mil dólares, conforme a expectativa dos organizadores.

No brasil é assim da se valor ao que não te dá valor e oque tem valor é desvalorizado pela sociedade.
Leu a matéria, isso não aconteceu no Brasil!!!