Um sistema de ar condicionado solar montado com três painéis, bateria, compressor e um balde de água conseguiu congelar gelo durante o dia e depois liberar refrigeração por horas, apontando uma alternativa fora da rede para resfriar pequenos ambientes
Um sistema de ar condicionado solar caseiro criado por um morador da Flórida conseguiu operar fora da rede elétrica ao congelar 2,5 MJ de gelo e depois usar esse frio armazenado para gerar cerca de 700 W de refrigeração efetiva por hora. A proposta combina painéis solares, bateria, compressor e um circuito térmico separado para resfriar ambientes com consumo quase nulo de eletricidade no ponto de uso.
Sistema de ar condicionado usa energia solar para congelar água
O projeto começa com três painéis solares padrão de 100 watts instalados em um veículo. Eles enviam energia para um controlador de carga, responsável por administrar o carregamento de uma bateria de chumbo-ácido de 35 amperes-hora e evitar sobrecarga.
Quando essa bateria atinge carga total, um microcontrolador aciona um inversor. Esse equipamento converte a corrente contínua da bateria em corrente alternada para alimentar o compressor de um refrigerador miniatura.
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O compressor trabalha com refrigerante R600, também identificado como n-butano, em um sistema selado de circuito fechado. A função dele é retirar calor de um balde com 2 galões de água, envolto em painéis de espuma de cerca de 1 polegada e isolamento de lã de vidro.
Ao longo de várias horas sob o sol forte da Flórida, o sistema resfria a água até transformá-la em um bloco sólido de gelo. Esse congelamento armazena aproximadamente 2,5 milhões de joules de energia térmica dentro de um recipiente plástico comum.
O isolamento reduz a volta do calor ao sistema a uma taxa de cerca de 7 a 8 watts. Com isso, o gelo pode permanecer congelado por vários dias com perda mínima, superando com folga a necessidade de refrigeração de uma única noite.
Como o sistema de ar condicionado libera o frio sob demanda
Depois que o gelo está formado, entra em operação um circuito separado de glicol. Uma pequena bomba faz circular uma mistura composta por 50% de água e 50% de etilenoglicol através de 6 metros de tubo de cobre enrolado dentro do bloco congelado.
Enquanto percorre esse tubo, o fluido absorve o frio armazenado no gelo. Em seguida, ele segue para um radiador automotivo padrão equipado com um pequeno ventilador, que lança o ar resfriado para o espaço ao redor.
A bomba e o ventilador consomem apenas alguns watts. Por causa disso, a bateria consegue mantê-los funcionando mesmo depois do pôr do sol, sem exigir um gasto expressivo de energia.
Nos testes práticos, o sistema resfriou de forma significativa a cabine de um caminhão durante algumas horas em um dia quente. Segundo a descrição do projeto, esse resultado serviu para validar o conceito em condições reais de uso.
A capacidade de descarga ficou em aproximadamente 700 watts de refrigeração efetiva por hora. O desempenho foi descrito como comparável ao de um pequeno ar-condicionado de janela, mas com consumo quase nulo de eletricidade no ponto de uso.
Por que o gelo se torna o centro da proposta
A base da ideia está no uso do gelo como forma de armazenamento térmico. De acordo com a descrição do sistema, 1 metro cúbico de gelo pode armazenar cerca de 93 quilowatts-hora de capacidade de refrigeração.
Esse volume foi apresentado como comparável, em termos de energia, a um grande conjunto de baterias químicas.
A diferença, segundo o projeto, é que o gelo oferece essa capacidade a uma fração do custo e sem degradação ao longo dos ciclos de carga e descarga.
A explicação é que a água não perde seu calor latente de fusão, independentemente da quantidade de vezes em que congele e descongele. Isso permite repetir o processo sem a perda de desempenho típica de sistemas químicos de armazenamento.
Nesse arranjo, a etapa mais exigente em energia fica concentrada no momento em que o compressor congela a água. Esse processo ocorre justamente durante os períodos de pico de geração solar, quando os painéis poderiam reduzir potência ou até descartar energia excedente.
O frio armazenado é liberado depois de forma passiva, no momento em que a refrigeração passa a ser necessária. Assim, a carga de resfriamento é transferida para a noite e a madrugada sem depender da rede elétrica.
Estrutura foi pensada para ampliar capacidade de uso
A arquitetura foi descrita como facilmente escalável. Reservatórios maiores de água e a adição de mais painéis solares poderiam ampliar a produção de frio de forma proporcional.
Segundo o criador do sistema, 1 metro cúbico de gelo já seria suficiente para fornecer resfriamento a uma casa pequena. A proposta também foi apontada como particularmente adequada para cabanas, trailers e estruturas isoladas da rede elétrica.
O projeto utiliza peças comuns disponíveis comercialmente, incluindo painéis solares, bateria, compressor, tubulação de cobre e radiador. O microcontrolador, por sua vez, automatiza o ciclo do compressor com base na voltagem, protegendo a bateria e buscando maximizar o tempo de congelamento.
A descrição do experimento também destaca o peso do ar-condicionado no consumo global de eletricidade. Hoje, esse uso responde por cerca de 10% da demanda mundial de energia elétrica, num cenário que, segundo o texto, segue em rápida expansão.
Diante desse quadro, o sistema desenvolvido na Flórida foi apresentado como uma alternativa funcional fora da rede. A proposta une geração solar, armazenamento térmico em gelo e liberação controlada do frio para oferecer refrigeração quando ela é mais necessária.

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