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Essas baleias consomem entre 82 e 202 lulas por dia, exigem até 88.000 toneladas anuais do ecossistema local e realizam mergulhos de até 1.700 metros em busca do principal alimento

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 18/01/2026 às 23:31
Pesquisa estima consumo diário de lulas por baleias-piloto no Havaí e calcula impacto anual de até 88 mil toneladas no ecossistema.
Pesquisa estima consumo diário de lulas por baleias-piloto no Havaí e calcula impacto anual de até 88 mil toneladas no ecossistema.
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Estudo internacional publicado em 2025 quantifica o consumo diário de lulas por baleias-piloto-de-barbatana-curta no Havaí, calcula demanda anual de até 88.000 toneladas e avalia se a oferta de presas do ecossistema marinho é suficiente para sustentar a população local

As baleias-piloto-de-barbatana-curta que vivem ao largo do Havaí consomem diariamente entre 82 e 202 lulas por indivíduo, totalizando cerca de 88.000 toneladas por ano para toda a população local, segundo estudo internacional publicado em 13 de novembro de 2025 no Journal of Experimental Biology.

Necessidades alimentares e importância ecológica

Determinar a quantidade de alimento necessária para a sobrevivência diária de um animal é um passo essencial para avaliar sua estabilidade populacional no longo prazo.

No caso das baleias-piloto-de-barbatana-curta, compreender o consumo de lulas é particularmente relevante, pois a espécie depende quase exclusivamente desse recurso para suprir suas demandas energéticas.

As baleias-piloto-de-barbatana-curta são conhecidas por realizar mergulhos profundos e frequentes em busca de presas.

No Havaí, elas descem rotineiramente a grandes profundidades, explorando camadas do oceano pouco acessíveis a outros predadores marinhos. A disponibilidade de lulas nessas regiões define diretamente a capacidade de manutenção da população local.

Apesar de a espécie já ter sido estudada em outras partes do mundo, havia uma lacuna significativa de dados sobre os hábitos alimentares das baleias-piloto-de-barbatana-curta nas águas havaianas. Essa ausência de informações dificultava avaliações mais precisas sobre o equilíbrio entre consumo e oferta de presas no ecossistema regional.

Marcação e monitoramento em mar aberto

Para responder a essas questões, pesquisadores dos Estados Unidos, Espanha, Austrália e Dinamarca realizaram expedições ao Oceano Pacífico e marcaram oito baleias-piloto-de-barbatana-curta com dispositivos de registro de dados presos por ventosas removíveis.

A operação exigiu precisão, já que os animais são relativamente pequenos e rápidos.

Cada dispositivo continha sensores de movimento, câmera com luz, hidrofones para registrar cliques de ecolocalização e sistema de GPS.

As etiquetas foram posicionadas logo atrás do orifício respiratório, orientadas em direção à cabeça, permitindo observar o comportamento de caça em profundidade durante os mergulhos.

Além da marcação direta, a equipe utilizou drones para sobrevoar os animais a cerca de 25 metros de altura, registrando imagens aéreas que possibilitaram estimar o tamanho corporal de cada baleia. Após se desprenderem, as etiquetas chegaram a viajar até 80 quilômetros levadas por correntes marítimas antes de serem recuperadas pelos pesquisadores.

As gravações resultaram na identificação de 118 mergulhos profundos, com profundidades que atingiram até 864 metros.

Em média, cada baleia realizou aproximadamente 39 mergulhos por dia, fornecendo uma base robusta para o cálculo do gasto energético diário.

Gasto energético durante mergulhos profundos

A análise das batidas de cauda durante os mergulhos permitiu estimar o custo energético das atividades subaquáticas.

Os pesquisadores calcularam que as baleias-piloto-de-barbatana-curta utilizam cerca de 73,8 kJ por minuto enquanto mergulham, em comparação com 44,4 kJ por minuto quando permanecem na superfície.

Esses valores revelam que a busca por alimento em profundidade representa um esforço energético significativo. Para sobreviver, os animais precisam compensar esse gasto elevado com uma ingestão suficiente de energia proveniente das lulas capturadas durante os mergulhos.

Ao correlacionar o gasto energético com os dados de caça registrados pelos hidrofones, a equipe conseguiu estabelecer uma relação direta entre número de presas capturadas e energia obtida. Esse processo foi fundamental para estimar com precisão o volume diário de consumo alimentar da espécie.

Consumo de lulas e impacto sobre a população local

Os cliques característicos de ecolocalização registrados nas gravações indicaram os momentos em que as baleias interceptavam lulas.

Com base nesses dados, os pesquisadores estimaram que cada baleia consome cerca de quatro lulas por mergulho, e que cada lula fornece aproximadamente 560 kJ de energia quando digerida.

A partir dessas informações, foi calculado que cada baleia-piloto-de-barbatana-curta precisa ingerir entre 82 e 202 lulas por dia, o que pode chegar a 73.730 lulas por indivíduo ao longo de um ano. Esses números permitiram expandir a análise para toda a população havaiana.

Considerando estimativas populacionais de até 8.000 indivíduos, o consumo anual coletivo alcança aproximadamente 88.000 toneladas de lulas.

Mesmo com esse volume expressivo, os pesquisadores concluíram que a retirada representa apenas uma pequena fração dos recursos totais de lulas disponíveis na região, uma verdadeira gota no oceano.

Os resultados indicam que as baleias-piloto-de-barbatana-curta do Havaí encontram uma fonte de alimento abundante e confiável, o que sugere condições relativamente favoráveis para a manutenção da população. Essa conclusão reforça a importância de monitorar continuamente a relação entre predadores e presas para garantir a conservação da espécie, mesmo diante de mudanças ambientias futuras.

Este artigo foi elaborado com base no estudo “Daily energy expenditure and energy intake of short-finned pilot whales”, publicado em 13 de novembro de 2025 no Journal of Experimental Biology.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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