Com quase 5 km de extensão, a pista do aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP) não é apenas a maior pista de pouso e decolagem do Brasil, mas também a maior das Américas e uma das cinco maiores do mundo.
No interior de São Paulo, em Gavião Peixoto, está localizada a maior pista de pouso e decolagem do Brasil. A estrutura, que pertence à Embraer, é um verdadeiro colosso da engenharia, projetada para ser o principal campo de provas da indústria aeroespacial brasileira.
De acordo com dados da própria Embraer e de órgãos de aviação, a pista não é apenas um recorde nacional. Sua dimensão a coloca em uma posição de destaque no cenário global. A história de sua construção e suas características revelam por que uma pista tão longa é uma necessidade estratégica para uma das maiores fabricantes de aviões do mundo.
O que é e onde fica o Aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto?
A unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP) foi inaugurada oficialmente em 17 de outubro de 2001. A cidade foi escolhida após uma análise de quase 300 locais, devido à sua topografia ideal para a construção de um complexo industrial de grande escala.
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O aeródromo (identificador ICAO: SBGP) é o centro de excelência da Embraer para a montagem final, os ensaios em voo e a certificação de suas aeronaves. É lá que são montados e testados aviões como o cargueiro militar KC-390, o Super Tucano e, desde maio de 2023, o caça sueco Saab Gripen E, em parceria com a Força Aérea Brasileira.
Os números da liderança: 4.967 metros de comprimento

A pista principal de Gavião Peixoto, designada 02R/20L, tem um comprimento total pavimentado de 4.967 metros, ou seja, quase 5 quilômetros. Sua largura é de 45 metros, mas chega a 95 metros na porção central para dar mais segurança a manobras complexas.
Essa extensão a torna, de longe, a maior pista de pouso e decolagem do Brasil. Para se ter uma ideia, a maior pista de um aeroporto comercial no país é a do Aeroporto Internacional do Galeão (GIG), no Rio de Janeiro, com 4.000 metros.
A nuance técnica: a diferença entre o comprimento físico e o homologado
Uma informação crucial, no entanto, é a diferença entre o tamanho físico e o tamanho operacional da pista. Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o comprimento homologado para operações normais de pouso e decolagem em Gavião Peixoto é de 3.000 metros.
Os quase 2.000 metros restantes funcionam como uma área de parada (stopway). Essa extensão extra é uma margem de segurança essencial para a realização de testes de alto risco, como decolagens com peso máximo e ensaios de freios em alta velocidade.
A maior pista de pouso das Américas? A comparação com os gigantes do continente

A afirmação de que a pista de Gavião Peixoto é a mais longa das Américas é correta, mas com uma ressalva importante. Entre as pistas pavimentadas, ela é a número um, superando a do Aeroporto Internacional de Denver, nos EUA, que tem 4.877 metros.
No entanto, se considerarmos todos os tipos de superfície, a maior pista do continente é a da Base da Força Aérea de Edwards, nos EUA. Lá, o leito de um lago seco é usado como uma pista natural com cerca de 12.000 metros de comprimento, utilizada para testes de aeronaves experimentais e para o pouso do Ônibus Espacial da NASA.
Como Gavião Peixoto se posiciona no cenário global
A pista da Embraer não é apenas um gigante regional; ela está entre as maiores do mundo. Em um ranking global de pistas pavimentadas, a de Gavião Peixoto ocupa a quinta posição.
Ela fica atrás apenas de instalações na China e na Rússia, como o Aeroporto de Qamdo Bamda, no Tibete, que, com 5.500 metros, é a mais longa do mundo. A grande extensão dessas pistas, assim como a de Gavião Peixoto, é uma necessidade de engenharia, seja para operar em altitudes extremas ou para garantir a segurança em testes de aeronaves de ponta.
