A Moduplast, de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, criou um bloco de plástico reciclado que se monta como peças de encaixe e dispensa cimento e argamassa. Segundo o fabricante, o produto é mais resistente que o tijolo comum e o bloco de concreto, e será exposto na Feira CasaPronta.
Esqueça o tijolo e o cimento: uma empresa de Santa Catarina aposta em um bloco de plástico reciclado para erguer paredes sem argamassa. A Moduplast, de Tubarão, no Sul do estado, leva a novidade à Feira CasaPronta, que acontece de quarta-feira (3) a domingo (7), com direito a um estúdio de 21 metros quadrados montado inteiramente com os módulos.
Segundo o proprietário, Vandinei Godoi, o bloco de plástico dispensa cimento, argamassa ou qualquer massa: as paredes são montadas por encaixe, como um grande quebra-cabeça. Ele afirma ainda que o produto seria mais resistente que o tijolo e o bloco de concreto convencional, além de ajudar o meio ambiente ao reaproveitar plástico que iria para o lixo.
Como funciona o bloco de plástico que dispensa cimento

Foto: Moduplast
A grande sacada do sistema é a montagem por encaixe. Em vez de assentar tijolo sobre tijolo com massa, o bloco de plástico da Moduplast se conecta como peças de um quebra-cabeça, sem necessidade de cimento ou argamassa.
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Segundo Godoi, a empresa fornece um kit completo de instalação, com perfis estruturais e barras de tração que permitem fixar os módulos diretamente sobre lajes, pisos de concreto ou estruturas metálicas.
Foi com esse método que a empresa ergueu o estúdio de 21 metros quadrados que será exposto na feira em Tubarão.
A proposta é mostrar, na prática, que dá para levantar um ambiente inteiro apenas encaixando os blocos, com um tempo de obra menor e sem a sujeira típica de um canteiro tradicional movido a cimento e areia.
Do lixo à parede: como o bloco é fabricado
A matéria-prima vem direto da reciclagem. O processo do bloco de plástico começa com a coleta de materiais recicláveis, como embalagens, garrafas PET e canudos.
Esse plástico passa por extrusão, etapa em que é triturado até virar pequenos flocos, e depois é condicionado para formar os blocos usados nas construções.
Para o fabricante, o resultado é um material com vantagens sobre o tijolo comum. Godoi afirma que os blocos são leves, resistentes e imunes à corrosão, ao apodrecimento e ao ataque de cupins, problemas frequentes em construções convencionais.
A Moduplast posiciona o produto como uma solução que une durabilidade e sustentabilidade, ao dar um novo destino ao plástico que, de outra forma, iria parar no lixo.
Quanto custa e o que o fabricante promete

foto: Moduplast
O preço varia conforme o projeto. De acordo com a Moduplast, o metro quadrado construído com o bloco de plástico fica entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, dependendo do tipo de fixação, da estrutura e dos acabamentos escolhidos.
O valor cobre o kit com os módulos e os componentes estruturais que sustentam as paredes.
Vale uma ressalva de equilíbrio: a promessa de que o material é mais resistente que o tijolo e o bloco de concreto parte do próprio fabricante.
Sistemas de blocos plásticos modulares vêm crescendo no Brasil e no exterior e costumam ser elogiados pela rapidez, pela limpeza da obra e pela baixa manutenção, mas o desempenho e os usos recomendados dependem do projeto estrutural e das normas técnicas.
Por isso, quem pretende construir deve verificar certificações e a finalidade indicada antes de dispensar de vez o cimento.
A Feira CasaPronta e a tendência dos blocos plásticos

A vitrine do produto é a 14ª edição da Feira CasaPronta, que reúne mais de cem expositores no Farol Shopping, em Tubarão, entre quarta-feira (3) e domingo (7).
O evento concentra soluções, produtos e tendências da construção civil, e é nesse ambiente que o estúdio feito de bloco de plástico deve chamar a atenção do público.
A iniciativa da Moduplast se soma a um movimento mais amplo.
Outras empresas, no Brasil e em países como a Colômbia, também desenvolvem blocos de plástico reciclado que se encaixam como peças de montar, mirando obras rápidas, moradias populares e menor impacto ambiental.
É uma tendência promissora, ainda que dependa de validação técnica e de escala para, de fato, ameaçar o reinado do tijolo e do cimento.
Trocar o tijolo e o cimento por um bloco de plástico reciclado que se monta como Lego é o tipo de ideia que divide opiniões entre inovação e desconfiança.
Conte nos comentários se você moraria em uma casa feita com bloco de plástico e se acredita que esse sistema pode mesmo substituir a construção tradicional.
