Novo mapa revela relevo oculto sob até cinco quilômetros de gelo e ajuda cientistas a entender como a Antártida pode influenciar o aumento do nível do mar
Um estudo internacional revelou novos detalhes sobre a Antártida, mostrando pela primeira vez um mapa mais preciso do relevo escondido sob até cinco quilômetros de gelo. A pesquisa ajuda a entender como a Antártida pode reagir às mudanças climáticas.
Como cientistas mapearam o interior da Antártida
A Antártida desempenha um papel essencial no sistema climático do planeta. O continente concentra cerca de 90% de todo o gelo existente na Terra e aproximadamente 70% da água doce do mundo.
Mesmo com essa importância global, grande parte da Antártida permanece pouco conhecida. A espessa camada de gelo dificulta a observação direta do terreno rochoso que existe abaixo da superfície congelada.
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Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, conseguiu avançar nesse desafio científico. O trabalho foi publicado na revista Science e apresenta um novo mapa do relevo subglacial.
Para produzir esse resultado, os cientistas combinaram dados de satélite com um método de análise do comportamento do gelo enquanto ele se desloca sobre o continente.
A técnica utilizada é chamada de Análise de Perturbação do Fluxo de Gelo, conhecida pela sigla IFPA.
Técnica usa movimento do gelo para revelar relevo oculto
O método parte de uma observação fundamental. Quando uma grande massa de gelo desliza sobre montanhas, vales ou cânions escondidos, pequenas ondulações aparecem na superfície do gelo.
Essas deformações são quase imperceptíveis, mas podem ser detectadas por satélites que monitoram a altura e a velocidade do gelo em diferentes regiões da Antártida.
A partir dessas pequenas variações, os pesquisadores aplicaram modelos físicos para deduzir qual tipo de formação geológica existe abaixo da camada congelada.
Segundo a pesquisadora Helen Ockenden, que liderou o estudo, essa abordagem permite analisar o relevo oculto sem a necessidade de perfurar o gelo.
Perfurações profundas e voos com radar já eram usados anteriormente, mas essas técnicas são caras, demoradas e cobrem apenas pequenas áreas do continente.
O novo método permite analisar o terreno em uma escala muito maior e identificar estruturas que antes não apareciam nos mapas existentes.
Mapa revela paisagem muito mais complexa
Os dados obtidos mostram que o relevo subglacial da Antártida é muito mais variado do que indicavam os levantamentos anteriores.
Entre as estruturas identificadas estão cadeias de montanhas, vales profundos semelhantes aos encontrados nos Alpes e planícies que foram erodidas ao longo do tempo.
Também foram detectados grandes canais fluviais antigos e milhares de colinas e depressões que nunca haviam sido registradas anteriormente.
Muitas dessas formações possuem dimensões entre 2 e 30 quilômetros. Elas pertencem a uma escala intermediária do relevo, grande demais para estudos locais e pequena demais para métodos amplos usados antes.
Essas estruturas influenciam diretamente o comportamento do gelo no continente.
Relevo influencia velocidade das geleiras
Superfícies montanhosas ou irregulares podem funcionar como um freio natural para o deslocamento do gelo.
Ao aumentar o atrito entre o gelo e o terreno rochoso, essas regiões desaceleram o movimento das geleiras em direção ao oceano.
Já áreas mais lisas permitem que o gelo deslize com maior facilidade.
Essa diferença influencia a velocidade com que as massas de gelo podem se mover conforme o clima se aquece.
Consequentemente, isso afeta o ritmo de aumento do nível do mar ao redor do planeta.
A camada de gelo da Antártida possui espessura média próxima de dois quilômetros, podendo atingir quase cinco quilômetros em alguns pontos.
Mesmo uma pequena fração desse gelo chegando ao oceano pode provocar impactos relevantes em regiões costeiras do mundo.
Novo mapa ajuda modelos climáticos
Com mapas mais detalhados do leito rochoso da Antártida, cientistas conseguem melhorar modelos que tentam prever como o continente responderá ao aquecimento global.
Essas informações ajudam a compreender de que forma o gelo poderá se deslocar nos próximos anos.
Os próprios pesquisadores destacam que o mapa produzido ainda não representa uma visão perfeita do subsolo antártico.
O método utilizado possui limitações e não consegue capturar as estruturas menores do relevo.
Ainda assim, o estudo representa um avanço importante para a compreensão da Antártida e pode orientar futuras missões científicas e levantamentos geofísicos no continente nos proximos anos.
Com infromações de Xataka.


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