A cidade brasileira que resolveu ‘brincar de ser Dubai’, transformou o litoral e reina com arranha-céus na América do Sul
Se alguém te dissesse que um dos skylines mais agressivos da América do Sul não está em Buenos Aires, Rio ou São Paulo, mas sim numa cidade brasileira litorânea que até outro dia vivia basicamente de pesca, você acreditaria?
Pois é exatamente isso que está acontecendo. Balneário Camboriú, no litoral catarinense, virou o palco de uma disputa insana, uma competição vertical que transformou uma praia tranquila na vitrine mais extravagante de luxo, altura e engenharia da região.
E quanto mais você entende o que acontece ali, mais parece que a cidade brasileira resolveu brincar de Dubai… só que em tamanho de bolso brasileiro.
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De vila de pescadores ao skyline radical
Até os anos 1970, Camboriú era sinônimo de casas de madeira, pescaria de sardinha e uma rotina que parecia congelada no tempo. Nada de arranha-céus, nada de trânsito sufocante, nada de embarcações milionárias.
A virada começou nos anos 1990, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso abriu a economia, atraiu empresas estrangeiras, impulsionou a classe média e provocou um boom de construção no país inteiro.
E aí desenvolvedores imobiliários perceberam uma brecha: enquanto várias cidades costeiras tinham limites rigorosos de altura, Camboriú não tinha praticamente nenhum.
Resultado? O mercado viu um litoral sem correntes nessa incrível cidade brasileira e caiu de cabeça.
Por que Camboriú virou a ‘capital dos arranha-céus’?
A explicação é quase inacreditável: o plano diretor de 1970 simplesmente não estabeleceu limite máximo de altura. Em 1989 até houve tentativas de impor regras, mas nada que realmente segurasse o apetite das construtoras.
O grande empurrão veio em 2008, quando a prefeitura criou a possibilidade de vender potencial construtivo. Em outras palavras: se uma empresa quisesse levantar algo ainda mais alto, bastava pagar por isso. E quanto mais alto o prédio, mais a prefeitura arrecadava para obras públicas.
Poucos lugares do mundo fazem algo parecido. Em Camboriú, isso virou combustível para uma corrida por altura que nunca desacelerou.
O papel de quem manda no jogo: Família Graciola controla cerca de 80% dos terrenos da orla, domina lançamentos, ilumina a baía com logotipos gigantes
Por trás das mudanças mais radicais está a FG Empreendimentos. A empresa da família Graciola controla cerca de 80% dos terrenos da orla, domina lançamentos, ilumina a baía com logotipos gigantes e praticamente molda o contorno da cidade.
Claro, o domínio provoca críticas. Moradores antigos reclamam da especulação imobiliária; ambientalistas alertam para erosão e poluição; urbanistas apontam falhas no transporte e riscos de sobrecarga em saneamento. Mesmo assim, o ritmo não freia.
Os arranha-céus que revolucionaram a lógica do litoral brasileiro
A disputa é tão agressiva que a lista de prédios icônicos parece coisa de documentário sobre metrópoles futuristas.
- One Tower – 290 m — foi o mais alto do Brasil em 2022.
- Yachthouse Twin Towers – 294 m — concluídas em 2023 e hoje no topo nacional
Fonte: Bruno Cassola - Boreal Tower – cerca de 241 m — símbolo da nova geração ultraluxuosa
Fonte: Myside - Senna Tower – o projeto mais ousado: previsão de 544 m, podendo chegar até mais de 550 m, e mirando o título de prédio residencial mais alto do mundo
Fonte: CNN Brasil
Se alguém ainda duvida, basta olhar: Camboriú já concentra oito das dez torres mais altas do país.
O jogo de investimentos nessa incrível cidade brasileira: Luxo para poucos, impacto para muitos
O efeito colateral dessa explosão vertical é evidente. O metro quadrado chegou a R$ 14.500 em 2025, um dos mais altos do Brasil.
As novas torres atraem milionários, investidores e celebridades, mas ao mesmo tempo empurram moradores antigos para longe do centro. No meio disso tudo, a cidade se vê espremida entre prédios gigantes, praias cada vez mais pressionadas e um tráfego que começou a lembrar grandes capitais — só que concentrado em poucos quilômetros.
A TV Brasil chegou a debater o impacto desse tipo de verticalização acelerada, destacando riscos urbanos e ambientais.
Há quem adore e quem duvide desse modelo: Entre dúvidas e ambições, a disputa continua
Apesar da discussão sobre sustentabilidade, infraestrutura e desigualdade, o que se vê no horizonte é outra onda de lançamentos. O mercado enxerga a combinação perfeita: praia, glamour, valorização rápida e um governo municipal favorável à expansão.
Outras cidades tentam competir — São Paulo, por exemplo, começou sua própria corrida — mas ainda não alcançam a extravagância de Camboriú.
No fim das contas, Camboriú se transformou num laboratório urbano onde cada novo edifício tenta “superar o anterior”, como se toda a faixa litorânea estivesse vivendo uma competição permanente.
Cidade brasileira Camboriú: Laboratório de luxo ou bomba-relógio urbana?
A lógica de Camboriú começa a chamar atenção em outras regiões do país. No Rio Grande do Sul, por exemplo, especialistas discutem a possibilidade de alguns municípios costeiros adotarem modelos parecidos de potencial construtivo — embora com regras mais rígidas para evitar impacto ambiental severo.
Não há sinais de que uma nova “corrida vertical” vá acontecer por lá, mas urbanistas e incorporadoras estão observando de perto a experiência catarinense para entender o que funciona e o que merece cautela.
Balneário Camboriú se vende como símbolo de progresso e ousadia arquitetônica, enquanto críticos enxergam nela um retrato de desigualdade, pressão ambiental e um modelo urbano desconectado da realidade de quem mais precisa de políticas públicas.
Ainda assim, a cidade segue crescendo para cima — e o mundo acompanha, curioso, fascinado e dividido.
Agora quero saber de você:Camboriú virou um exemplo de inovação ou um parque de diversões para milionários? Deixe seu comentário aqui embaixo ou compartilhe este artigo com alguém que adoraria debater esse fenômeno urbano.

