Clima global entra em alerta com possível super El Niño, já que o Pacífico pode mudar de fase entre junho e agosto e abrir caminho para calor recorde, enchentes e secas mais duras nos próximos meses.
O El Niño voltou ao centro das atenções com uma projeção que preocupa meteorologistas e pesquisadores do clima. A possibilidade de uma virada ainda em 2026 reacende o alerta para calor mais intenso em escala global.
Hoje, o planeta ainda está sob influência da La Niña, fase fria do ciclo no Pacífico equatorial. Mesmo assim, a chance de mudança entre junho e agosto já é alta e coloca o segundo semestre no radar de quem acompanha extremos climáticos.
Se esse avanço ganhar força até o fim do ano, o efeito pode ir muito além do oceano. A consequência prática seria um empurrão extra nas temperaturas médias do planeta e uma pressão maior sobre o clima em 2027.
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Virada entre junho e agosto já entrou no radar com 62 por cento
A atual fase fria do Pacífico não elimina o risco de transição rápida. Pelo contrário. As projeções apontam 62 por cento de chance de saída da La Niña entre junho e agosto, o que muda a leitura para o restante do ano.
Esse movimento importa porque o El Niño interfere diretamente no comportamento do clima global. Quando as águas do Pacífico equatorial ficam mais quentes, o planeta tende a sentir os efeitos em forma de calor, chuvas intensas e desequilíbrios regionais.
Na prática, o que começa no oceano pode aparecer depois em eventos extremos em diferentes partes do mundo. É por isso que a evolução das águas do Pacífico costuma ser tratada como um dos sinais mais observados do sistema climático.

Novembro pode marcar a volta de um super El Niño pela terceira vez em 30 anos
Além da mudança de fase, existe um cenário mais pesado no horizonte. A chance de o fenômeno evoluir para um super El Niño até novembro foi estimada em 15 por cento, um número menor, mas suficiente para manter o alerta aceso.
Esse tipo de evento é mais raro e mais forte. Enquanto um El Niño comum aparece quando a superfície do oceano fica ao menos 0,5 °C acima da média de longo prazo, o super evento exige anomalia de pelo menos 2 °C.
Se isso se confirmar, será apenas a terceira vez em 30 anos que um episódio desse porte se forma. O último caso mais forte ocorreu entre 2015 e 2016, período que entrou para o histórico recente do clima global.
Calor do oceano pode empurrar 2027 para um novo recorde global
Quando o Pacífico tropical aquece demais, ele libera grandes quantidades de calor para a atmosfera. Esse processo não costuma bater no mesmo instante com o pico do fenômeno no mar. Existe um atraso, e é justamente aí que 2027 entra como ano mais sensível.
O raciocínio é simples. O oceano aquece antes, a atmosfera responde depois. Por isso, mesmo que o avanço do El Niño se concentre em 2026, os maiores efeitos sobre a temperatura média global podem aparecer de forma mais clara no ano seguinte.
O mundo já viu algo parecido há pouco tempo. 2024 foi o ano mais quente já registrado e ultrapassou pela primeira vez a marca de 1,5 °C acima do nível pré industrial. Já 2025, ao lado de 2023, ficou logo atrás entre os mais quentes da série histórica.

Aquecimento do mar saiu de 0,06 °C para 0,27 °C por década
O pano de fundo deixa esse quadro ainda mais delicado. Segundo University of Reading, universidade britânica voltada à pesquisa climática e ambiental, o ritmo de aquecimento dos oceanos acelerou de forma expressiva nas últimas décadas.
No fim dos anos 1980, as temperaturas oceânicas subiam cerca de 0,06 °C por década. Agora, essa taxa avançou para 0,27 °C por década, uma diferença grande o bastante para alterar a forma como o sistema climático responde aos eventos naturais.
Isso ajuda a entender por que cada novo episódio no Pacífico desperta tanta atenção. Um oceano mais quente oferece mais energia ao clima, amplia o potencial de extremos e reduz a margem de segurança em anos de transição entre La Niña e El Niño.
Chuva forte, seca e incêndio podem se alternar com mais frequência até 2060
Os efeitos do ENSO, nome dado ao ciclo que inclui El Niño, La Niña e a fase neutra, não se resumem a um mapa ou a uma curva de temperatura. Em anos de El Niño, a tendência inclui mais chuva de inverno na Califórnia, secas mais profundas na Austrália e maior risco de incêndios no Sudeste Asiático.
Na fase oposta, com a La Niña, o oceano esfria e os ventos ao longo do equador ficam mais intensos. Esse cenário pode favorecer a formação de furacões no Atlântico e reorganizar os padrões de chuva em várias regiões.
Hoje, esse ciclo costuma alternar entre fases quentes e frias a cada dois a sete anos. O problema é que pesquisadores já apontam a possibilidade de esse intervalo encolher e passar a ocorrer com mais regularidade entre dois e cinco anos até 2060.
Quando isso acontece, a mesma região pode sair de uma seca severa para uma enchente extrema em pouco tempo. O solo perde capacidade de absorção, a vegetação desaparece, os reservatórios sofrem danos e a próxima estiagem encontra um ambiente ainda mais frágil.
O sinal preocupa porque algumas cidades já convivem com mudanças bruscas entre falta de água e chuva excessiva. Se os eventos do Pacífico ficarem mais frequentes e mais intensos, esse padrão tende a se aprofundar.
Entender o Pacífico virou parte central da leitura do clima
O avanço possível do El Niño em 2026 não é apenas uma troca de fase no oceano. Ele pode abrir espaço para um novo salto de temperatura global, aumentar a volatilidade climática e empurrar 2027 para um patamar ainda mais extremo.
O quadro combina três fatores que pesam juntos: chance alta de transição, possibilidade de um super evento e um oceano que aquece mais rápido do que antes. Quando essas peças se aproximam, o efeito deixa de ser regional e passa a mexer com o Pacífico e com a leitura do clima no planeta.

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