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Escassez de mão de obra: estado brasileiro enfrenta dificuldade para contratar, enquanto trabalhadores priorizam flexibilidade, autonomia, liberdade, melhores horários, benefícios e múltiplas fontes de renda, aponta pesquisa da GPTW Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/02/2026 às 15:22
Atualizado em 23/02/2026 às 16:28
Assista o vídeo65,4% das empresas do Ceará relatam dificuldade para contratar, aponta GPTW. Flexibilidade e qualificação estão no centro do impasse.
65,4% das empresas do Ceará relatam dificuldade para contratar, aponta GPTW. Flexibilidade e qualificação estão no centro do impasse.
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Mercado de trabalho cearense enfrenta descompasso entre exigência de qualificação e novas prioridades profissionais, enquanto empresas relatam dificuldade crescente para preencher vagas e projetam mudanças na gestão e na liderança para atrair talentos em 2026.

A dificuldade para contratar voltou ao centro das preocupações de empresas no Ceará, segundo pesquisa do Great Place to Work (GPTW) Brasil que aponta que 65,4% dos respondentes no Estado relatam obstáculos para preencher vagas, em um cenário marcado por exigência de qualificação e disputa por condições de trabalho mais flexíveis.

O diagnóstico aparece no Relatório Tendências em Gestão de Pessoas, levantamento coordenado pela diretora de Comunicação e Relações Institucionais do GPTW Brasil, Daniela Diniz, e realizado entre novembro e dezembro de 2025, com 1.346 participantes no País, sendo o Ceará responsável por 1,9% das respostas, cerca de 25 respondentes.

Na leitura de Daniela, a pressão não é exclusiva do mercado cearense, porque empresas de diferentes regiões vêm enfrentando escassez de profissionais considerados prontos para assumir funções, especialmente quando o processo seletivo busca experiência técnica e maturidade comportamental no mesmo pacote.

Qualificação profissional e o descompasso na contratação

Entre os entrevistados no Ceará, “Contratação de pessoas com qualificação” apareceu como o principal desafio de 2025, e esse recorte ajuda a explicar por que a dificuldade persiste mesmo com empresas em busca ativa de candidatos e com trabalhadores circulando entre oportunidades.

O perfil dos participantes ajuda a contextualizar o olhar do estudo, já que aproximadamente 69% eram profissionais de recursos humanos, enquanto o restante se dividiu por áreas como administração, comercial, presidência e marketing, grupo que costuma sentir diretamente os efeitos de vagas abertas por mais tempo.

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Daniela destaca que a qualificação desejada não se limita a diploma de nível superior ou formação técnica, porque inclui também as chamadas “soft skills”, conjunto de habilidades comportamentais e socioemocionais associadas a comunicação, inteligência emocional e relações interpessoais no ambiente profissional.

“Quando a gente fala em se comunicar bem, ter um pensamento crítico, analítico, ter argumentação, saber se comportar. Há uma carência hoje no mercado para contratar profissionais aptos para as funções”, afirmou a diretora, ao comentar o que tem pesado na disputa por talentos.

Ao mesmo tempo, ela avalia que a permanência mais longa das pessoas no mercado de trabalho reforça a necessidade de estudo contínuo e atualização frequente, enquanto cresce a possibilidade de construir múltiplas trajetórias profissionais de forma paralela, o que altera expectativas de carreira e permanência.

O Diário do Nordeste informou ter procurado representantes de diferentes setores para comentar o tema, mas registrou que a Federação das Indústrias do Estado do Ceará preferiu não responder e que a Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza não havia retornado até a publicação.

Flexibilidade, autonomia e múltiplas rendas pesam na escolha

A pesquisa também indica que a contratação não depende apenas do que as empresas pedem, porque a decisão dos trabalhadores tem influenciado diretamente a velocidade de preenchimento das vagas, sobretudo quando a comparação envolve rotina, autonomia, horários e benefícios além do salário.

Segundo Daniela Diniz, um padrão observado é que, quanto mais flexível a empresa, menor tende a ser a dificuldade para contratar, maior pode ser o engajamento e menor costuma ser a rotatividade, relação que ganha peso em setores com alta competição por profissionais.

“Se, no passado, valia mais um alto salário, hoje está pesando mais a questão de flexibilidade, autonomia e liberdade”, disse a diretora, ao explicar por que modelos rígidos e pouca margem de negociação têm reduzido o apelo de algumas vagas.

A secretária de organização da Central Única dos Trabalhadores nacional, Graça Costa, afirma que a ampliação de alternativas faz com que pessoas comparem propostas com mais critério, observando remuneração, jornada, flexibilidade e benefícios antes de aceitar um contrato.

“Nós temos uma precarização muito alta no Brasil. Esse jeito que as empresas têm de recrutar trabalhadores com um olhar de fazer um contrato ao invés de investir na formação para que o trabalhador cresça dentro da empresa”, questionou a dirigente sindical, ao apontar tensões no modelo de contratação.

Ela também menciona o avanço do desejo de trabalhar por conta própria, somado a narrativas que apresentam o emprego com carteira assinada como sinônimo de aprisionamento e baixa perspectiva de crescimento, percepção que pode reduzir a atratividade do modelo tradicional.

A mentora de carreira e colunista do Diário do Nordeste, Delania Santos, reforça a ideia de desalinhamento ao afirmar que “o principal obstáculo está na combinação entre escassez de competências técnicas alinhadas às novas demandas e a necessidade de as empresas revisarem sua proposta de valor, cultura e modelo de liderança para se tornarem mais atrativas”.

Desenvolvimento de lideranças e cultura organizacional no radar

Além da contratação de profissionais qualificados, o relatório aponta que “Desenvolvimento/capacitação da liderança” aparece como o segundo principal desafio entre os respondentes do Ceará, em um momento em que o ambiente de trabalho virou fator de comparação tão relevante quanto a remuneração.

Para Daniela, capacitar lideranças é parte do caminho para criar um clima mais empático e flexível, com reflexos na capacidade de engajar equipes e reduzir perdas, já que o comportamento de gestores tende a influenciar permanência, produtividade e até o sucesso de novas contratações.

“A empresa precisa desenvolver a liderança e mostrar como ela deve agir para engajar mais, para você ter mais facilidade de contratar e trazer resultados por meio das pessoas”, afirmou a diretora, ao descrever como o tema se conecta à atração de profissionais.

Outros pontos que aparecem entre os desafios citados pelos respondentes são “Comunicação interna” e “Transformação da cultura organizacional”, e, para 2026, as prioridades relatadas pelos profissionais no Ceará se concentram em desenvolver lideranças, evoluir a cultura e fortalecer engajamento.

Na lista de habilidades mais valorizadas no Estado, o estudo menciona:

  • Capacidade de resolver problemas complexos;
  • Capacidade de liderar e influenciar;
  • Conhecimento do negócio;
  • Flexibilidade e resiliência;
  • Habilidades técnicas.

Intenção de contratação cresce em áreas de suporte e operação

Apesar do diagnóstico de dificuldade para contratar, os participantes do Ceará indicaram um olhar mais positivo para 2026, já que o Estado aparece entre cinco unidades da federação em que não houve manifestação de pessimismo sobre oportunidades de negócio.

Nesse recorte, 69,2% dos respondentes disseram estar otimistas e 30,8% declararam incerteza, além de o Ceará ter se destacado no nível de engajamento de colaboradores ao aparecer atrás apenas da Bahia em um ranking mencionado no relatório.

De acordo com o levantamento, 84,6% dos profissionais cearenses consideram os funcionários “engajados”, enquanto 7,7% classificaram as equipes como “altamente engajadas”, indicadores que convivem com a pressão por preencher vagas e reduzir gargalos operacionais.

Ainda segundo a pesquisa, a maior intenção de contratação no Ceará para 2026 se concentra em áreas de Suporte/Operação, voltadas à resolução de problemas do dia a dia das empresas, como help desk, suporte técnico e manutenção, segmentos que costumam ser sensíveis à falta de mão de obra.

Com empresas buscando qualificação técnica e comportamental e trabalhadores negociando flexibilidade, autonomia e múltiplas fontes de renda, que mudanças concretas no recrutamento e no modelo de gestão podem tornar as vagas mais atraentes sem reduzir critérios de desempenho?

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Alex
Alex
25/02/2026 14:25

So pra ter uma idéia de como pensam os empresários hoje. O Uber faturou só no Brasil 75 BILHÕES por ano e está brigando com o governo brasileiro pra ter vínculo empregatício com os motoristas concedendo a eles os direitos necessários, visto que a empresa já não tem custo nenhum com combustivel, manutenção, acidentes e outros problemas que saem apenas do bolso do motorista. Com vinculo empregatício a empresa gastaria menos de 10 bilhões por ano e ainda faturaria algo em torno de 65 BILHÕES, mas a ganância dessas empresas sempre fala mais alto

Alex
Alex
Em resposta a  Alex
25/02/2026 14:27

* pra NÃO ter vinculo empregatício

Fábio MARTIMBIANCO Dias
Fábio MARTIMBIANCO Dias
25/02/2026 13:38

Quer profissional com experiência mais quer pagar salário de auxiliar aí não dá né

Reginaldo Renzon Queiroz Nogueira
Reginaldo Renzon Queiroz Nogueira
25/02/2026 07:34

Enquanto houver essa cultura na indústria de querer o profissional pronto com currículos superlativos sem nenhum custo,nada irá mudar. Os gestores exigem altas habilidades e capacidades sem darem nenhuma contrapartida ou benefício que atraia os profissionais. No meu ramo exigem que as pessoas tenham alto nível de proficiência com bagagem educacional sem pensarem que para ter isso,é necessário gastar muitos recursos como tempo,dinheiro e disponibilidade para trr alto nível. O governo também têm culpa ao impôr altos custos para contratação através de impostos e taxas.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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