Luxo inacabado virou abrigo rural: vilas de elite em Shenyang mostram o fracasso de um modelo urbano baseado em excesso e aparência
O que deveria simbolizar status na China virou cenário de abandono. Vilas de luxo em Shenyang, projetadas para abrigar a elite, foram deixadas inacabadas. Hoje, servem de moradia improvisada para agricultores. Vacas pastam entre colunas neoclássicas, em uma imagem que resume o contraste entre ambição e realidade.
As “Mansões de Hóspedes do Estado”, erguidas pela Greenland Group, seguiam um estilo europeu. Mas, após dois anos de obras, o projeto parou.
Sem compradores, as estruturas inacabadas foram ocupadas por moradores rurais, que deram algum uso ao espaço abandonado.
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Modelo baseado em bolha
O mais importante é que esse não é um caso isolado. Essas vilas fazem parte de um fenômeno maior: as cidades fantasmas.
Fruto de um modelo econômico que priorizou a construção em larga escala, mesmo sem demanda real, elas revelam falhas no planejamento urbano chinês.
Com apoio de grandes financiamentos públicos, construtoras ergueram prédios e bairros inteiros esperando valorização futura.
Mas a conta não fechou. Segundo a AD Magazine, existem cerca de 65 milhões de imóveis vazios no país — número próximo à metade da população brasileira.
Cidades abandonadas: causas e consequências
A crise tem várias causas. A falta de compradores, o envelhecimento populacional e o custo de vida crescente derrubaram a confiança no setor.
Construtoras endividadas interromperam obras. Projetos inteiros ficaram paralisados.
Além de Shenyang, há outros exemplos marcantes. Thames Town, próxima a Xangai, imita uma cidade britânica, mas segue praticamente desabitada.
Kangbashi, em Ordos, foi construída para um milhão de pessoas. Nunca chegou a receber nem 10% disso.
Improvisação e ironia
Portanto, a ocupação informal é uma forma de evitar a degradação completa dos imóveis. Mas também revela a ironia de um sistema que investiu em luxo inalcançável para a maioria da população.
O contraste entre as mansões e o rebanho destaca a fragilidade de um modelo urbano voltado mais à aparência do que às necessidades reais.
Com informações de Diário do Litoral.


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