Operação da Polícia Civil e do MP investiga esquema de furto de petróleo da Transpetro em fazenda no RJ, com prejuízo milionário e ramificações em vários estados.
O petróleo voltou ao centro de uma investigação explosiva no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (22), uma força-tarefa da Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público, deflagrou uma operação que promete causar repercussão nacional. O alvo é um esquema sofisticado de furto de petróleo diretamente da malha dutoviária da Transpetro.
A ação é conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio do Gaeco, grupo especializado no combate ao crime organizado. Segundo os investigadores, o esquema funcionava de forma silenciosa, porém altamente lucrativa, aproveitando-se de uma ligação clandestina instalada em um duto que atravessa uma fazenda em Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio.
O imóvel pertence ao espólio de Waldemir Paes Garcia, conhecido como Maninho, figura histórica do jogo do bicho. Apesar disso, as autoridades reforçam que nenhum familiar é alvo direto da investigação.
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Rede criminosa usava duto para desviar petróleo em larga escala
De acordo com as apurações, o grupo criou uma derivação ilegal para retirar petróleo do duto da Transpetro. A substância era armazenada em caminhões-tanque e, em seguida, escoada para outros estados por meio de empresas de fachada.
Durante diligências no local, técnicos da Transpetro confirmaram a origem do produto e identificaram a conexão irregular na tubulação. Laudos periciais reforçaram as suspeitas.
Além disso, caminhões carregados foram encontrados na propriedade, evidenciando a dimensão do esquema. O Ministério Público afirma que a estrutura era organizada, com divisão de tarefas e uso de empresas para movimentação financeira e emissão de notas fiscais falsas.
Mandados em vários estados mostram alcance do esquema
O Judiciário autorizou 13 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão. As ações estão sendo cumpridas no Rio de Janeiro, nos municípios de Magé, Duque de Caxias e Macaé, além de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Maranhão e Sergipe.
Até o momento, sete pessoas foram presas. Ao todo, 14 suspeitos foram denunciados por integrar a organização criminosa. Segundo o Gaeco, ao menos 15 empresas em diferentes estados foram utilizadas para dar aparência legal ao petróleo furtado.
Segundo informações técnicas da Transpetro, o prejuízo estimado apenas neste episódio ultrapassa R$ 5,8 milhões, levando em conta custos de reparo, paralisações operacionais e reforço na segurança do duto.
Esse tipo de crime não apenas gera perdas financeiras, como também coloca em risco o abastecimento e a segurança energética do país. O petróleo, um dos principais produtos da balança comercial brasileira, passa a ser visto como vulnerável diante da ação de quadrilhas organizadas.
Esquema já era conhecido das autoridades
As investigações começaram em junho de 2024, após uma denúncia de movimentação suspeita nas proximidades do duto. Parte dos envolvidos, segundo o Ministério Público, já havia sido alvo de outros procedimentos semelhantes.
Esse histórico motivou o reforço das medidas judiciais e a ampliação das diligências. Agora, o material apreendido será analisado para identificar novos participantes e dimensionar o alcance real do esquema.
Enquanto o Brasil busca fortalecer sua posição como potência energética, casos como esse expõem fragilidades estruturais e levantam dúvidas sobre a capacidade de proteger seus ativos estratégicos. O petróleo, que deveria gerar desenvolvimento, acaba se tornando fonte de corrupção e insegurança.
Além disso, especialistas alertam que a repetição desse tipo de crime pode afetar investimentos, aumentar custos e, indiretamente, pesar no bolso da população.
Você acredita que o Brasil está preparado para proteger seu petróleo ou esses esquemas vão continuar se aproveitando dos nossos recursos?


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