Mudança em supermercado paulista ocorre enquanto o debate sobre o fim da escala 6×1 está agora no Senado, após aprovação na Câmara, e coloca em teste um modelo com dois dias de folga semanais em unidade de Nova Odessa.
O Grupo São Vicente começou a testar a escala 5×2 na loja de Nova Odessa, no interior de São Paulo, em uma mudança que substitui o modelo 6×1 e garante dois dias de folga por semana aos colaboradores da unidade.
A implantação teve início nesta segunda-feira (01), enquanto a proposta que reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas está agora no Senado Federal, após aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados.
Adotada como projeto-piloto, a iniciativa será acompanhada pela rede antes de qualquer decisão sobre expansão para outras lojas, com avaliação de indicadores internos relacionados à operação e à gestão de pessoas.
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Nesse primeiro momento, a empresa manteve a carga horária semanal dos funcionários, mas reorganizou a escala para concentrar o trabalho em cinco dias e ampliar o período semanal de descanso.
Para acomodar o novo formato, a unidade de Nova Odessa também alterou o horário de atendimento aos domingos, medida que integra a reorganização operacional adotada durante o projeto-piloto.
Desde 31 de maio de 2026, a loja passou a funcionar das 7h às 20h aos domingos, enquanto o expediente de segunda-feira a sábado segue das 7h às 22h.
A mudança ocorre em meio ao avanço da discussão nacional sobre o fim da escala 6×1, regime em que o trabalhador atua seis dias e tem um dia de descanso na semana.
No varejo alimentar, onde o funcionamento aos fins de semana exige escalas alternadas, redes de supermercados passaram a testar novos arranjos de jornada para medir efeitos sobre operação, ausências, rotatividade e organização das equipes.
Escala 5×2 em Nova Odessa será avaliada pela rede

Na unidade escolhida para o piloto, a escala 5×2 estabelece cinco dias de trabalho e dois dias de descanso por semana, sem alterar automaticamente o limite semanal de horas cumpridas pelos funcionários.
O modelo, nesta etapa, não representa redução da jornada semanal, mas muda a distribuição dos dias trabalhados e amplia o número de folgas dentro da organização definida pela empresa.
Segundo a rede, serão acompanhados indicadores ligados à operação da loja e à gestão de pessoas, incluindo faltas, ausências não programadas, rotatividade de colaboradores e efeitos no funcionamento diário da unidade.
A decisão sobre levar o formato a outras unidades dependerá dos resultados observados durante o período de teste, sem prazo público definido para eventual ampliação da escala 5×2.
Também ficará sob avaliação da empresa a capacidade de manter o atendimento ao consumidor e a rotina dos setores internos, como abastecimento, caixas, padaria, açougue e áreas de apoio.
Com o fechamento mais cedo aos domingos, a unidade passa a ter uma nova base de organização para distribuir equipes, ajustar folgas e adequar a escala aos dias de maior movimento.
Fim da escala 6×1 está agora no Senado
A adoção da escala 5×2 por supermercados ocorre em um momento em que o tema deixou a Câmara dos Deputados e passou a ser analisado pelo Senado Federal.
A Câmara aprovou, em 27 de maio de 2026, a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 e reduz gradualmente o limite da jornada semanal.
Hoje, a proposta consta em tramitação no Senado, etapa necessária para que a mudança possa ser incorporada à Constituição Federal.
Pelo texto aprovado pelos deputados, trabalhadores da iniciativa privada passariam a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, dentro de uma transição definida na proposta.
A medida prevê redução inicial da jornada para 42 horas semanais, após prazo de adaptação, e posterior queda para 40 horas por semana, sem diminuição salarial para os trabalhadores abrangidos.
Apesar da aprovação na Câmara, a mudança ainda depende de votação no Senado Federal para entrar em vigor, já que propostas de emenda à Constituição precisam passar por dois turnos nas duas Casas.
Enquanto a PEC não é promulgada, empresas do setor privado podem adotar a escala 5×2 por decisão própria, desde que respeitem a legislação trabalhista, acordos coletivos e regras específicas de cada categoria.
O texto aprovado também busca preservar pisos salariais e impedir que a redução da jornada resulte em perda de remuneração, conforme as regras previstas na proposta em tramitação.
Há, no entanto, pontos específicos para atividades com regimes diferenciados, contratos terceirizados vinculados ao poder público e profissionais de maior remuneração, de acordo com o desenho aprovado pela Câmara.
Supermercados reorganizam jornadas em São Paulo
O Grupo São Vicente não é a única rede supermercadista paulista a testar a reorganização da escala, em um movimento que ganhou espaço no setor durante a tramitação da PEC.
O Savegnago também passou a adotar a jornada 5×2 em unidades do Estado de São Paulo, após experiências anteriores em lojas da rede, mantendo a carga semanal dentro do limite legal vigente.
Nesse formato, a mudança ocorre pela redistribuição do expediente ao longo de cinco dias, com jornadas diárias mais concentradas em vez da divisão do trabalho em seis dias da semana.
A Rede de Supermercados Pague Menos também iniciou a ampliação do modelo 5×2 em 2026, com adoção gradual em unidades do interior paulista e ajustes na organização das folgas.
Na rede, o novo formato passou a incluir mudanças em escalas, horários de funcionamento aos domingos e acompanhamento de indicadores internos, conforme informações divulgadas pela própria empresa.
Essas iniciativas indicam que parte do varejo alimentar passou a testar modelos alternativos antes de eventual mudança constitucional, sem que isso represente, por enquanto, obrigação geral para todo o setor.
Ao mesmo tempo, supermercados precisam manter lojas abertas em horários amplos, inclusive aos fins de semana, o que exige reorganização de equipes e análise dos custos envolvidos em cada operação.
Jornada de 40 horas ainda não está em vigor
Embora a escala 5×2 já possa ser adotada por empresas, a redução obrigatória da jornada semanal para 40 horas ainda não está em vigor em todo o país.
A mudança nacional depende da conclusão da tramitação da PEC no Senado, onde o texto precisa ser aprovado em dois turnos antes de seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.
Caso os senadores aprovem a proposta sem alterações, a emenda poderá ser promulgada e passará a alterar o padrão constitucional de jornada aplicável aos trabalhadores abrangidos pela medida.
Se houver mudanças no conteúdo durante a análise no Senado, o texto precisará retornar à Câmara dos Deputados, o que pode ampliar o tempo de tramitação da proposta.
Até que a nova regra seja promulgada, continua valendo o limite constitucional atual de 44 horas semanais, com possibilidade de compensação, negociação coletiva e regimes específicos previstos na legislação.
Por isso, projetos como o do Grupo São Vicente são decisões empresariais voluntárias neste momento, e não uma obrigação já imposta de forma nacional pela legislação trabalhista.
No supermercado de Nova Odessa, a experiência servirá para medir como a escala 5×2 afeta descanso, produtividade e operação dentro da unidade escolhida para o projeto-piloto.
O resultado acompanhado pela rede poderá orientar decisões internas em um setor que segue atento à tramitação da proposta de jornada de 40 horas no Senado Federal.

