A Defesa Civil de Cuba divulgou nos últimos dias um guia com orientações de proteção para a população no caso de uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos, instruindo famílias a prepararem mochilas com suprimentos para três dias, kit de primeiros socorros e documentos de identificação, além de identificar abrigos contra ataques aéreos em subsolos, túneis e trincheiras. Segundo o G1, o documento, publicado nas redes sociais do órgão, afirma que os EUA “ameaçam atacar militarmente e destruir nossa sociedade”.
A orientação acontece em meio a uma escalada de tensões entre Havana e Washington que especialistas consideram a mais grave em décadas. Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, os Estados Unidos pressionam Cuba a implementar reformas profundas no sistema econômico e no regime político, exigências que o governo cubano rejeita alegando soberania nacional. Para intensificar a pressão, Washington impôs um embargo petrolífero que agravou a crise energética da ilha, e em 1º de maio Trump assinou ordem executiva ampliando sanções econômicas, financeiras e comerciais que já duram mais de seis décadas. O próprio Trump declarou que Cuba “é a próxima”, frase que especialistas interpretam como sinalização de que uma ação militar contra a ilha é considerada plausível pelo governo americano após os acontecimentos na Venezuela e no Irã.
O guia que ensina cubanos a sobreviver a um ataque
O documento da Defesa Civil cubana é direto e prático. As orientações instruem cada família a preparar uma mochila contendo alimentos prontos para consumo suficientes para três dias, água potável, kit de primeiros socorros, documentos de identificação pessoal, rádio, velas, fósforos, lanterna, produtos de higiene, medicamentos para condições crônicas e brinquedos para crianças pequenas. A lista revela a gravidade com que o governo cubano trata a possibilidade de um ataque: inclui itens que pressupõem dias sem infraestrutura básica.
O guia também orienta as famílias a identificarem previamente o abrigo designado para proteção contra ataques aéreos em suas vizinhanças. Ao soar um alerta, a população deve se dirigir a subsolos, semissubsolos, túneis ou trincheiras com profundidade suficiente para oferecer proteção contra ondas de choque. Quem não conseguir alcançar um abrigo seguro a tempo deve evitar ruas abertas, praças públicas e não buscar refúgio em edifícios danificados, sob pontes, túneis rodoviários ou postos de gasolina. O documento inclui ainda orientações sobre como prestar primeiros socorros a feridos com fraturas e hemorragias.
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Atenção especial a quem não pode se proteger sozinho
O guia da Defesa Civil de Cuba dedica um trecho específico às pessoas mais vulneráveis em caso de ataque. As orientações pedem atenção especial a pessoas com deficiência, idosos que não sejam autossuficientes, crianças e gestantes, grupos que teriam dificuldade para se deslocar rapidamente até um abrigo ou para carregar mochilas de sobrevivência. A menção a brinquedos para crianças pequenas na lista de suprimentos revela que o guia não foi escrito em linguagem abstrata: considera o que uma família real com crianças precisaria numa situação de emergência.
Para uma população que já enfrenta apagões de até 22 horas por dia e escassez de alimentos e combustível, preparar uma mochila de sobrevivência com três dias de suprimentos é um desafio adicional. Muitas famílias cubanas não têm acesso regular a alimentos prontos para consumo, água engarrafada ou medicamentos, itens que o guia recomenda como essenciais. A distância entre o que o documento orienta e o que a população tem condições de reunir é a medida mais precisa da vulnerabilidade em que Cuba se encontra.
“Cuba é a próxima”: a frase de Trump que motivou o guia
A publicação do guia pela Defesa Civil não é paranoia institucional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou publicamente que Cuba “é a próxima”, frase proferida após operações militares americanas na Venezuela e escalada do conflito com o Irã. Para especialistas em relações internacionais, a declaração sinaliza que uma ação militar contra a ilha caribenha é considerada plausível pelo governo americano, mesmo que ainda não tenha sido formalizada como política.
O contexto reforça a preocupação cubana. Em janeiro, os EUA capturaram o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro numa operação que demonstrou disposição de Washington para intervir militarmente na região. Desde então, a pressão sobre Cuba se intensificou com embargo petrolífero, ampliação de sanções, voos de drones de vigilância sobre a ilha e a visita do diretor da CIA a Havana. Para o governo cubano, cada um desses sinais confirma que a preparação da população não é exagero, mas precaução diante de um cenário que se deteriora a cada semana.
O embargo petrolífero que já é uma guerra por outros meios
Mesmo sem disparar um único tiro, os Estados Unidos já provocam uma crise humanitária em Cuba por meio do embargo petrolífero. O combustível que alimentava as termelétricas cubanas parou de chegar, e a eletricidade ficou disponível por apenas uma ou duas horas por dia na maior parte da ilha. Hospitais dependem de geradores que também precisam de combustível. Alimentos estragam sem refrigeração. O transporte público para de funcionar quando os ônibus não têm diesel.
A ordem executiva assinada por Trump em 1º de maio ampliou sanções econômicas, financeiras e comerciais que já duram mais de seis décadas. O embargo não é apenas sobre petróleo: atinge o comércio de bens, o acesso a financiamento internacional e a capacidade de Cuba importar insumos básicos para a economia. Para muitos analistas, o embargo é a etapa de pressão máxima antes de uma eventual ação militar, e o guia da Defesa Civil é a resposta de um governo que acredita que a próxima etapa pode ser a violência.
Cinco sinais de que Cuba entrou no radar dos EUA
Além da declaração de Trump e do embargo petrolífero, outros indicadores reforçam que Cuba está no centro das atenções da política externa americana. Drones de vigilância americanos foram avistados sobrevoando a ilha, o diretor da CIA se reuniu com autoridades cubanas em Havana, promotores do Departamento de Justiça planejam indiciar o ex-líder Raúl Castro e os EUA pressionaram por reformas durante conversas diretas na capital cubana. Cada um desses eventos, isoladamente, poderia ser interpretado como diplomacia de pressão. Juntos, compõem um quadro que o governo cubano interpreta como preparação para uma intervenção.
O governo de Cuba declarou que os Estados Unidos estão em um caminho que “pode levar a banho de sangue” na ilha, linguagem que eleva a tensão a um patamar onde incidentes menores podem escalar rapidamente. Para a população cubana, que já vive sem eletricidade, sem combustível e com escassez de alimentos, a possibilidade de um conflito militar é um cenário que se soma a uma crise que já parece insuportável.
Mochilas de sobrevivência num país que já luta para sobreviver
Cuba divulgou um guia da Defesa Civil ensinando famílias a preparar mochilas com suprimentos para três dias, buscar abrigos contra ataques aéreos e prestar primeiros socorros a feridos, enquanto Trump declara que a ilha “é a próxima”. A orientação acontece num país que já enfrenta apagões de 22 horas, embargo petrolífero e sanções que duram seis décadas. Para 11 milhões de cubanos, o guia não é documento abstrato: é a confirmação oficial de que o governo considera real a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos.
O que você acha de um governo orientar a população a se preparar para um ataque militar? Conte nos comentários se acredita que os EUA podem de fato intervir em Cuba, como avalia o papel do embargo na crise humanitária e se a comunidade internacional deveria fazer mais para evitar uma escalada. Queremos ouvir a sua opinião.

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