Energias renováveis superam o carvão em 2025, lideram a transição energética global e impulsionam ações ambientais em meio ao declínio da natureza.
O ano de 2025 terminou marcado por um cenário ambiental contraditório. De um lado, a natureza seguiu em declínio em diversas regiões do planeta, pressionada pelo avanço das emissões de carbono e por eventos climáticos extremos. De outro, as energias renováveis consolidaram avanços históricos e passaram a ocupar posição central na transição energética global.
Apesar dos desafios persistentes, o balanço ambiental do ano aponta que mudanças estruturais começaram a ganhar escala. A expansão da energia limpa, aliada a medidas de conservação e ao fortalecimento do papel de povos indígenas, gerou impactos positivos para o clima, a biodiversidade e os ecossistemas.
Setor energético acelera transição e reduz dependência de fontes fósseis
O setor de energia foi um dos principais vetores de transformação em 2025. Pela primeira vez, fontes renováveis como solar e eólica superaram o carvão e se tornaram a principal fonte de eletricidade no mundo. Esse marco reflete investimentos crescentes, queda nos custos tecnológicos e políticas públicas voltadas à descarbonização.
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A China assumiu papel central nesse processo. O país liderou a expansão das energias renováveis, ampliou a produção doméstica e intensificou a exportação de tecnologias limpas. Ao mesmo tempo, registrou redução nas emissões de dióxido de carbono, reforçando sua influência no mercado energético global.
No Reino Unido, a energia eólica passou a responder por cerca de um terço de toda a demanda elétrica nacional. Além disso, o país iniciou a construção da maior instalação de baterias de ar líquido do mundo, projeto considerado estratégico para garantir estabilidade ao sistema elétrico e viabilizar maior participação das fontes intermitentes.
Oceanos entram no centro da agenda ambiental internacional
Enquanto a transição energética avançava, a proteção dos oceanos ganhou espaço nas decisões globais. Em 2025, a ratificação do Tratado do Alto-Mar estabeleceu a meta de proteger 30% das águas internacionais, um passo relevante para a conservação da biodiversidade marinha.
Outro destaque foi a criação da maior Área Marinha Protegida do mundo, na Polinésia Francesa. Com aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros quadrados, a iniciativa ampliou significativamente as zonas de preservação e reforçou o compromisso internacional com os ecossistemas oceânicos.
Florestas brasileiras e povos indígenas ganham visibilidade global
No Brasil, a conservação florestal esteve no centro do debate internacional. A realização da COP30 na Amazônia colocou a preservação das florestas tropicais como prioridade climática global. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o desmatamento da Amazônia brasileira caiu 11%, enquanto o Cerrado também registrou redução nas taxas de perda vegetal.
Além disso, foi criado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo financeiro voltado a incentivar a preservação da natureza e remunerar países que mantêm seus biomas conservados.
Os povos indígenas também avançaram em reconhecimento. Em 2025, passaram a ser formalmente considerados guardiões do meio ambiente em decisões globais. No Brasil, novos territórios indígenas foram criados, reforçando a proteção de áreas estratégicas para o equilíbrio climático.
Biodiversidade e restauração mostram sinais de recuperação
Mesmo diante de pressões ambientais, alguns indicadores de biodiversidade trouxeram sinais positivos. As tartarugas-verdes foram retiradas da lista de espécies ameaçadas, resultado de décadas de esforços de conservação. Na Índia, a população de tigres dobrou e ultrapassou 3,6 mil indivíduos, consolidando um dos maiores programas de proteção da fauna no mundo.
Na Califórnia, a restauração de ecossistemas avançou com a remoção de quatro represas no rio Klamath. A ação permitiu o retorno dos salmões às áreas históricas de desova, simbolizando uma mudança de paradigma na gestão de rios e recursos hídricos.
Avanços exigem aceleração diante da crise climática
Embora os progressos em energias renováveis e conservação ambiental sejam expressivos, especialistas avaliam que o ritmo ainda precisa acelerar. As mudanças climáticas seguem avançando, e os riscos para a natureza permanecem elevados.
O balanço de 2025 mostra que a transição energética e a proteção ambiental deixaram de ser temas isolados. Cada vez mais, essas agendas se conectam como pilares centrais para conter o declínio da natureza e garantir estabilidade climática no longo prazo.
