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Empresa que quer ressuscitar o mamute agora mira um antílope extinto há 260 anos e precisa de mais de 100 alterações genéticas para trazer de volta um animal que só existe em cinco exemplares de museu

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 02/05/2026 às 23:45
A Colossal quer ressuscitar antílope extinto há 200 anos com mais de 100 alterações genéticas. Só existem 5 exemplares em museus. Entenda o projeto de desextinção.
A Colossal quer ressuscitar antílope extinto há 200 anos com mais de 100 alterações genéticas. Só existem 5 exemplares em museus. Entenda o projeto de desextinção.
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A Colossal Biosciences incluiu o antílope-azul, extinto por volta de 1800 pela caça na África do Sul, em seu programa de desextinção, projeto que exige mais de 100 alterações genéticas a partir de genoma reconstruído de um dos cinco exemplares de museu, usando edição de DNA, células-tronco e óvulos de antílopes vivos.

A empresa de biotecnologia que já trabalha para trazer de volta o mamute-lanoso, o dodô e o lobo-terrível agora incluiu um antílope extinto na sua lista de animais que pretende “ressuscitar”. A Colossal Biosciences anunciou nesta quinta-feira (30) que o antílope-azul, espécie de nome científico Hippotragus leucophaeus descrita oficialmente em 1766 e extinta por volta de 1800 devido à caça intensiva na África do Sul, se juntou aos projetos de desextinção da empresa, que já envolvem o mamute-lanoso, o dodô, o moa, o tilacino e o lobo-terrível. O antílope-azul desapareceu em pouco mais de três décadas após ser catalogado cientificamente, vítima da colonização europeia que dizimou populações inteiras do animal para obter pele e carne.

O desafio de trazer o antílope de volta é tecnicamente complexo mas conta com vantagem que outros projetos de desextinção não possuem. A proximidade genética entre o antílope-azul e espécies vivas como o antílope-ruão e o antílope-sable facilita experimentos porque permite utilizar óvulos e estruturas reprodutivas de animais existentes como base para gerar embriões com características editadas para se aproximar da espécie extinta. A equipe da Colossal estima que recriar as características do antílope-azul exigirá mais de 100 alterações no código genético, número que reflete tanto a complexidade do processo quanto a limitação de informações disponíveis sobre um animal que só sobrevive em cinco exemplares preservados em museus ao redor do mundo.

Como a ciência pretende reconstruir um antílope que desapareceu há mais de dois séculos

A Colossal quer ressuscitar antílope extinto há 200 anos com mais de 100 alterações genéticas. Só existem 5 exemplares em museus. Entenda o projeto de desextinção.

O ponto de partida para a desextinção do antílope-azul é um genoma detalhado reconstruído a partir de um dos cinco exemplares de museu. Apesar da escassez de material genético disponível, pesquisadores conseguiram sequenciar o DNA preservado e identificar as diferenças entre o antílope extinto e seus parentes vivos mais próximos, mapeamento que orienta quais alterações genéticas precisam ser realizadas para transformar células de um antílope-ruão em algo geneticamente semelhante ao animal que desapareceu. Estudos indicam que o antílope-azul manteve baixa diversidade genética mas permaneceu estável por aproximadamente 400 mil anos, informação que ajuda os cientistas a entender a viabilidade de recriar uma população a partir de base genética limitada.

As técnicas utilizadas combinam métodos que a biotecnologia moderna desenvolveu nas últimas décadas. A OPU (Operação de Unidade de Proteção) permite coletar óvulos de antílopes vivos com auxílio de ultrassom, através de agulha que alcança o ovário do animal, procedimento que já apresentou bons resultados em espécies como o antílope-ruão e o órix-de-cimitarra. Esses óvulos são então utilizados em fertilização laboratorial combinados com material genético editado para gerar embriões que carregam características do antílope-azul, processo que transforma um animal vivo em portador de traços de uma espécie que a humanidade exterminou há mais de 200 anos.

O papel das células-tronco na recriação do antílope extinto

A Colossal quer ressuscitar antílope extinto há 200 anos com mais de 100 alterações genéticas. Só existem 5 exemplares em museus. Entenda o projeto de desextinção.

As células-tronco pluripotentes representam avanço que amplia significativamente as possibilidades do projeto. Essas células têm capacidade de se transformar em diferentes tipos de tecido, o que permite aos pesquisadores realizar testes genéticos de forma controlada sem depender exclusivamente de animais vivos, reduzindo tanto o custo quanto o impacto ético de experimentos que precisam ser repetidos dezenas de vezes até que as mais de 100 alterações genéticas necessárias sejam realizadas com precisão. Para o antílope-azul, as células-tronco funcionam como laboratório intermediário onde edições genéticas são testadas e validadas antes de serem aplicadas em embriões que efetivamente gerarão um animal.

O número de alterações genéticas necessárias é indicativo da distância evolutiva entre o antílope extinto e seus parentes vivos. Mais de 100 modificações no DNA significam que cada gene relevante precisa ser identificado, editado com ferramenta de precisão como CRISPR e verificado para garantir que a mudança produza o efeito desejado sem comprometer outras funções do organismo. Um erro numa única alteração pode gerar anomalias que inviabilizam o embrião, e a margem de acerto precisa ser altíssima quando multiplicada por cem modificações simultâneas, realidade que explica por que projetos de desextinção levam anos e consomem recursos que poucos laboratórios do mundo podem bancar.

Por que a Colossal escolheu o antílope-azul entre tantas espécies extintas

A seleção do antílope não foi aleatória. A existência de parentes vivos geneticamente próximos é vantagem que espécies como o mamute-lanoso não possuem com a mesma intensidade: enquanto o elefante-asiático, parente mais próximo do mamute, divergiu há milhões de anos, o antílope-ruão e o antílope-sable compartilham ancestralidade recente com o antílope-azul, proximidade que reduz o número de alterações necessárias e aumenta a probabilidade de que os embriões editados sejam viáveis. Além disso, trabalhar com a desextinção do antílope pode gerar benefícios para a conservação de outras espécies ameaçadas como o saiga, o adax e a gazela-dama, animais que enfrentam risco semelhante ao que extinguiu o antílope-azul.

O antílope-azul também oferece cenário de reintrodução mais viável do que outras espécies do portfólio da Colossal. As regiões da África do Sul onde o animal vivia ainda existem e podem ser restauradas com apoio de organizações ambientais que já atuam na recuperação de habitats, diferentemente do caso do mamute-lanoso que precisaria de ecossistema ártico que o aquecimento global está transformando rapidamente. Para a empresa, o antílope-azul combina viabilidade técnica com impacto conservacionista que justifica o investimento e que demonstra que a desextinção pode servir à preservação de espécies vivas além de recuperar as que desapareceram.

O que falta para o antílope-azul voltar a existir

Apesar do otimismo da equipe, obstáculos técnicos significativos permanecem no caminho da desextinção do antílope. Métodos como fertilização in vitro e transferência nuclear precisam atingir nível de precisão que projetos com outras espécies ainda não alcançaram plenamente, e cada etapa do processo, da edição genética à gestação em barriga de aluguel de antílope-ruão, envolve variáveis biológicas que a ciência controla apenas parcialmente. Embriões já estão em desenvolvimento e a edição genética avança para etapas finais, mas transformar embrião em animal saudável que sobreviva fora do laboratório é salto que nenhum projeto de desextinção completou até agora.

O objetivo declarado é reintroduzir na natureza um animal muito próximo do antílope-azul em regiões onde ele habitava na África do Sul. Ainda não há garantias de que o resultado final será idêntico à espécie original, porque mesmo com mais de 100 alterações genéticas alguns traços comportamentais e adaptativos podem não ser reproduzíveis apenas por edição de DNA. A proposta que parecia distante começa a se tornar mais concreta à medida que a tecnologia avança, e se a Colossal conseguir trazer de volta um antílope que a humanidade extinguiu há mais de dois séculos, a mensagem será tão poderosa quanto a conquista científica: somos capazes de corrigir erros que nossos antepassados cometeram contra a biodiversidade.

E você, acha que devemos tentar ressuscitar espécies extintas ou é melhor focar na preservação das que ainda existem? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

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