Expansão industrial no Paraná reposiciona estratégia da Preet no Brasil e mira financiamento, produção local e competitividade no agronegócio.
Ao anunciar a instalação de uma fábrica de tratores em Ibaiti, no Norte Pioneiro do Paraná, a indiana Preet sinaliza uma mudança relevante em sua atuação no país, com previsão de início das operações industriais para meados de 2027 e foco em ampliar presença.
Com capacidade estimada em 3 mil tratores por ano, o projeto prevê nacionalizar inicialmente modelos de 80 cv, 90 cv e 100 cv, enquanto versões de menor potência, como 50 cv e 65 cv, seguem em avaliação para possível produção local futura.
Até então, a presença da marca esteve concentrada no fornecimento por licitações e na importação de equipamentos, mas a nova fase incorpora estrutura industrial própria, ampliação da rede comercial e maior proximidade com pequenos e médios produtores rurais.
-
Receita Federal coloca iPhone 13 por R$ 480, PlayStation 4 por R$ 400 e Volkswagen Jetta por R$ 13,2 mil em leilão com 232 lotes; veja como participar
-
Gigante da tecnologia, Oracle demite 21 mil funcionários e aposta US$ 70 bilhões em inteligência artificial
-
Gigante chilena de R$ 10 bilhões fechou acordo para comprar 100% da St. Marche, avançou do atacarejo ao supermercado premium em São Paulo e abriu nova disputa no varejo de alta renda, onde qualquer mudança pode custar caro à marca
-
Depois de 60 anos entregando leite barato e vendo a margem sumir, família mineira comprou um tacho de R$ 20 mil, virou o leite da própria fazenda em doce premium e já faz 2 toneladas por dia rumo a R$ 32 milhões
Segundo Ricardo Barbosa, gerente-geral da Preet no Brasil, a empresa já ultrapassou a marca de mil tratores entregues, com atuação em 21 estados, além de manter outras mil unidades em carteira, relacionadas a contratos já firmados anteriormente.
Em declaração vinculada ao anúncio da fábrica, ele afirmou que a empresa “já superamos a entrega de mais de mil tratores”, indicando que a nova planta industrial servirá como base para sustentar um ciclo mais amplo de expansão no mercado brasileiro.
Produção nacional e acesso a crédito rural ganham peso estratégico

Com a implantação da fábrica, a operação brasileira passa a reduzir a dependência de importações e busca competir com equipamentos produzidos no país, estratégia que tende a ampliar a competitividade em segmentos sensíveis ao custo total de aquisição.
Atualmente, a Preet comercializa oito modelos no Brasil, com potências entre 25 cv e 95 cv, incluindo tratores como 2549, 7549, 7549L, 8049, 9049, 9049L e 10049, compondo um portfólio voltado a diferentes aplicações agrícolas.
A nacionalização dos modelos mais potentes abre caminho para enquadramento em linhas como o BNDES Finame, mecanismo que permite financiamento de máquinas nacionais e amplia o acesso de produtores, cooperativas e entes públicos ao crédito.
Nesse cenário, condições de financiamento, manutenção e disponibilidade de peças passam a ter impacto direto na decisão de compra, especialmente em propriedades menores, onde o investimento em mecanização exige maior previsibilidade de custo operacional.
Embora os tratores abaixo de 75 cv devam continuar importados neste primeiro momento, a estratégia concentra esforços em faixas de potência mais demandadas, combinando produção local, preço competitivo e expansão gradual da rede de distribuição.
Ibaiti entra na rota da indústria de máquinas agrícolas
A escolha de Ibaiti reposiciona o município paranaense dentro da cadeia produtiva do setor, com um investimento estimado em cerca de R$ 30 milhões, conforme informações divulgadas em reportagens regionais sobre a chegada da fabricante.
Inicialmente, a operação contará com uma estrutura provisória para montagem de equipamentos importados, enquanto a planta definitiva segue em desenvolvimento, com previsão de conclusão até 2027 e aumento progressivo da capacidade produtiva.
O projeto inclui um barracão industrial de aproximadamente 4 mil metros quadrados, com produção inicial inferior à capacidade final planejada, o que indica uma implantação em fases, alinhada à consolidação gradual da operação no país.
Essa estratégia permite à empresa estabelecer presença física mais robusta no estado ao mesmo tempo em que preserva o cronograma de médio prazo, necessário para atingir a meta de produção anual anunciada.

Autoridades locais e agentes de desenvolvimento econômico tratam o investimento como um potencial vetor de dinamização regional, considerando impactos indiretos em fornecedores, logística e prestação de serviços associados à atividade industrial.
Posicionamento de marca e referência à indústria brasileira
Ao comentar a nova etapa, Ricardo Barbosa destacou que um dos objetivos dos investidores é resgatar o orgulho associado à produção nacional de tratores, mencionando a antiga Companhia Brasileira de Tratores, a CBT, como referência histórica do setor.
Ainda que a tecnologia e a origem do grupo permaneçam ligadas à Índia, a estratégia indica a tentativa de reposicionar a marca no Brasil, deixando de ser percebida apenas como importadora para assumir perfil de fabricante com base produtiva local.
A partir do anúncio da fábrica, a operação brasileira passa a priorizar três eixos principais: ampliação do portfólio, fortalecimento da rede de concessionárias e construção de marca em um mercado já ocupado por fabricantes consolidados.
Nesse ambiente competitivo, fatores como capilaridade comercial, qualidade do pós-venda e escala industrial tendem a ser determinantes para consolidar a presença da empresa além do segmento de licitações públicas.
Da origem em Punjab à expansão global e chegada ao Brasil
Fundada em 1980, na cidade de Nabha, no estado de Punjab, a Preet iniciou suas atividades como uma oficina de reparo de tratores e máquinas agrícolas, ampliando gradualmente sua atuação ao longo das décadas seguintes.
Em 1985, lançou sua primeira colheitadeira acionada por trator e, no ano seguinte, apresentou uma versão autopropelida, enquanto em 1998 introduziu no mercado indiano uma colheitadeira com cabine climatizada.
A divisão de tratores foi criada em 2001, inicialmente com modelos entre 35 HP e 45 HP, e desde então a empresa expandiu seu portfólio, passando a atuar com dezenas de produtos em diferentes mercados internacionais.
De acordo com informações institucionais, a fabricante possui atualmente mais de 50 mil metros quadrados de estrutura industrial e presença em mais de 120 países, com um portfólio superior a 50 modelos.
No Brasil, essa nova fase representa a transição de uma operação baseada em importação para uma estrutura que combina produção local, acesso a financiamento e expansão comercial, com a fábrica de Ibaiti assumindo papel central na estratégia de consolidação da marca no campo.
