Aumento dos casos de furto de combustíveis em dutos operados pela Transpetro acende alerta em São Paulo, elevando riscos à segurança, ao meio ambiente e ao abastecimento energético em 2025.
Após seis anos consecutivos de queda, o furto de combustíveis em infraestruturas estratégicas voltou a crescer em 2025, segundo dados oficiais divulgados pela Transpetro. Segundo matéria publicada pelo G1 e outros veículos nesta quarta-feira (14), o aumento das ocorrências interrompe uma trajetória positiva de redução e reacende preocupações com a segurança da população, a proteção ambiental e a garantia do abastecimento energético, especialmente em regiões com alta densidade urbana.
Transpetro alerta para riscos do furto de combustíveis em dutos estratégicos
De acordo com a companhia, foram registradas 31 ocorrências de furto e tentativa de furto em dutos em 2025, frente a 25 casos contabilizados em 2024. Embora o número ainda esteja distante do pico de 2018, quando houve 261 registros, a retomada do crescimento representa um sinal de alerta relevante para o setor de energia e logística. O estado de São Paulo concentrou mais de 70% das ocorrências, consolidando-se como o principal foco desse tipo de crime no país.
A Transpetro, responsável por cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos em todas as regiões do Brasil, destacou que o crescimento do furto de combustíveis em 2025 vai além de uma estatística pontual. Trata-se de um crime grave, com potencial de gerar acidentes fatais, danos ambientais e interrupções no abastecimento, afetando diretamente serviços essenciais.
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Desde 2018, a companhia vinha registrando quedas sucessivas nas ocorrências, alcançando uma redução acumulada próxima de 90% até 2024. Esse desempenho foi resultado de investimentos contínuos em monitoramento, tecnologia e integração com autoridades públicas. A reversão da tendência, ainda que moderada, interrompe um ciclo virtuoso de prevenção.
Segundo o presidente da empresa, Sérgio Bacci, mesmo com investimentos anuais próximos de R$ 100 milhões em ações preventivas, o cenário atual demonstra a necessidade de reforço institucional e endurecimento da legislação, para desestimular a prática criminosa.
São Paulo concentra a maioria dos casos de furto de combustíveis em 2025
O estado de São Paulo voltou a ocupar posição central no mapa do furto de combustíveis no Brasil. Em 2025, foram registrados 22 casos, ante 17 em 2024 e 16 em 2023. Os dados indicam uma trajetória contínua de crescimento da atividade criminosa, o que preocupa especialistas e autoridades do setor energético.
De acordo com a Transpetro, o aumento das ocorrências em São Paulo não deve ser interpretado como um evento isolado. O estado reúne a maior malha de dutos do país, além de elevada capilaridade, proximidade com centros urbanos e um mercado consumidor robusto, que facilita a rápida absorção do produto subtraído.
A infraestrutura logística e viária densa também contribui para o escoamento clandestino, tornando a região especialmente vulnerável a esse tipo de crime. Nesse contexto, o problema assume caráter estrutural e exige ações permanentes.

Outros estados afetados pelos crimes em dutos da Transpetro
Além de São Paulo, outros estados também apresentaram aumento no número de ocorrências em 2025. Minas Gerais passou de uma ocorrência em 2024 para seis registros no ano seguinte, enquanto Goiás contabilizou um caso. Ambos os estados são atravessados pelo Oleoduto São Paulo–Brasília (OSBRA), considerado estratégico para o escoamento de derivados de petróleo.
Esses dados reforçam que o furto de combustíveis em dutos não é um problema localizado, mas um desafio associado aos principais corredores logísticos do país. Qualquer interrupção nesses sistemas pode gerar impactos em cadeia, comprometendo o abastecimento regional e elevando riscos operacionais.
Em contraste, o Rio de Janeiro apresentou redução expressiva ao longo dos últimos anos. De 13 ocorrências em 2020, o estado caiu para apenas uma em 2025, resultado atribuído à integração efetiva entre a Transpetro e os órgãos de segurança pública, além do uso intensivo de tecnologia.
Impactos do furto de combustíveis na segurança e no meio ambiente
O furto de combustíveis representa um risco direto à vida humana e ao meio ambiente. As derivações clandestinas em dutos podem causar vazamentos, explosões, incêndios e contaminação do solo e de recursos hídricos, especialmente quando ocorrem em áreas urbanas ou próximas a comunidades.
Além disso, há impactos relevantes no abastecimento. Uma única ocorrência pode comprometer o fornecimento de combustíveis essenciais, afetando hospitais, aeroportos, portos e sistemas de transporte. A Transpetro ressalta que a população, muitas vezes, subestima esses riscos, tratando o crime apenas como um problema patrimonial. Na prática, trata-se de uma ameaça à segurança energética nacional, com reflexos econômicos, sociais e ambientais de grande escala.
Estratégia integrada da Transpetro contra o furto de combustíveis
Para enfrentar o aumento das ocorrências, a Transpetro informou que seguirá investindo, a partir de 2026, em uma estratégia integrada baseada em três pilares. O primeiro envolve tecnologia e inteligência, com sistemas avançados de monitoramento e uso de inteligência artificial para identificar tentativas de furto de combustíveis em tempo real.
O segundo pilar é a atuação conjunta com órgãos de segurança pública, Ministérios Públicos e órgãos reguladores. A companhia apoia investigações, participa de operações e atua como assistente de acusação em processos penais relacionados a esse tipo de crime.
O terceiro eixo é o relacionamento permanente com comunidades próximas às faixas de dutos, considerado essencial para a prevenção e a rápida identificação de atividades suspeitas.
Monitoramento 24 horas e uso de inteligência artificial nos dutos
As operações da Transpetro são acompanhadas 24 horas por dia pelo Centro Nacional de Controle e Logística e pelo Centro de Controle de Proteção de Dutos, ambos localizados no Rio de Janeiro. Essas estruturas permitem resposta rápida a qualquer anomalia detectada, reduzindo o tempo de reação e os potenciais danos.
O uso de inteligência artificial ampliou a capacidade de análise de dados operacionais, cruzando informações em tempo real e históricos de ocorrências. Essa abordagem tecnológica é considerada uma das mais avançadas do setor, embora o aumento dos casos em São Paulo mostre que o desafio permanece complexo.
Investimentos sociais e comunitários nas áreas de dutos
Em 2025, a companhia investiu cerca de R$ 19 milhões em obras comunitárias, ações educacionais e iniciativas ambientais nas áreas próximas aos dutos. Essas ações buscam reduzir vulnerabilidades sociais e fortalecer o vínculo com as comunidades locais.
A empresa também incentiva denúncias anônimas por meio do telefone 168 e promove campanhas educativas sobre os riscos do furto de combustíveis. Comunidades informadas e engajadas são aliadas estratégicas na proteção da infraestrutura, contribuindo para a segurança coletiva.
Importância estratégica do transporte dutoviário operado pela Transpetro
Segundo a Transpetro, cerca de 650 bilhões de litros de petróleo, derivados e biocombustíveis são transportados anualmente por seus dutos. Esse modal reduz significativamente o tráfego rodoviário e evita 99,5% das emissões de gases de efeito estufa em comparação ao transporte por caminhões.
Trata-se de uma operação essencial para a eficiência logística, a segurança energética e a sustentabilidade ambiental do Brasil. Qualquer ameaça a esse sistema, como o furto de combustíveis, representa um retrocesso econômico e ambiental.
O que o avanço do furto de combustíveis revela sobre o futuro do setor
O crescimento dos casos em 2025 mostra que o problema exige vigilância constante e ações estruturadas, especialmente em São Paulo, onde a concentração de dutos e a complexidade urbana ampliam os desafios. A experiência recente demonstra que a redução é possível, mas depende de investimentos contínuos, integração institucional e participação social.
Proteger a infraestrutura da Transpetro é proteger vidas, o meio ambiente e o abastecimento nacional. O fortalecimento das parcerias com órgãos públicos, o uso intensivo de tecnologia e o aprimoramento do arcabouço legal serão determinantes para conter o avanço do furto de combustíveis e garantir a segurança energética do país nos próximos anos.

