Em 13 de abril de 2029, uma sexta-feira, até 2 bilhões de pessoas poderão ver a olho nu um asteroide de 340 metros cruzar o céu, na passagem mais próxima já registrada de um objeto desse tamanho
Na noite de 13 de abril de 2029, moradores da Europa, África e Ásia Ocidental vão olhar para o céu e ver algo que nenhum ser humano vivo jamais viu: um asteroide visível a olho nu cruzando o firmamento. Não será um ponto fixo como uma estrela, nem uma risca rápida como um meteoro. Será um ponto de luz com brilho comparável ao das estrelas da Ursa Maior, movendo-se de forma perceptível — varrendo no céu uma distância equivalente ao diâmetro da Lua cheia a cada minuto, durante horas.
O objeto se chama Apophis e tem cerca de 340 metros de comprimento, dimensão comparável à altura da Torre Eiffel. Ele passará a aproximadamente 31.600 quilômetros da superfície da Terra, uma distância menor que a de muitos satélites em órbita geoestacionária. Segundo a NASA, um evento desse tipo ocorre, em média, uma vez a cada 7.500 anos, o que reforça o caráter extremamente raro da aproximação.
A descoberta do asteroide Apophis e o pânico inicial sobre risco de impacto
A história do Apophis começa em junho de 2004, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona, quando os astrônomos Roy Tucker, David Tholen e Fabrizio Bernardi identificaram um ponto de luz incomum se movendo no céu. O objeto foi inicialmente catalogado como 2004 MN4, sem indicação imediata de ameaça significativa.
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No entanto, os cálculos orbitais iniciais revelaram algo incomum: uma probabilidade real de impacto com a Terra. As primeiras estimativas apontavam cerca de 2,7% de chance de colisão em 13 de abril de 2029, levando o objeto ao nível 4 na Escala de Torino, a mais alta classificação já atribuída a um asteroide até então.
A repercussão foi imediata. A possibilidade de impacto gerou preocupação global até que uma imagem anterior, registrada meses antes, permitiu recalcular a órbita com maior precisão. Com os novos dados, o risco foi descartado para 2029, embora ainda tenha persistido por anos a hipótese de impacto em 2036.
O que vai acontecer na noite de 13 de abril de 2029 durante a passagem do asteroide
A aproximação máxima ocorrerá às 21h46 UTC, quando o Apophis estará sobre o Oceano Atlântico após cruzar a África. Horas antes, o asteroide já será visível no céu da Austrália e seguirá uma trajetória que o levará pelo Oceano Índico até atingir regiões densamente povoadas.
Durante a aproximação, o asteroide percorrerá mais de 200 graus no céu e atingirá uma velocidade aparente impressionante de cerca de 42 graus por hora. Isso significa que ele cruzará o equivalente a uma Lua cheia por minuto, tornando-se um dos raros objetos celestes cujo movimento pode ser percebido em tempo real a olho nu.

O brilho alcançará magnitude próxima de 3.1, suficiente para ser visível mesmo em áreas com poluição luminosa moderada. Estima-se que cerca de 2 bilhões de pessoas terão condições de observar o fenômeno, principalmente no Hemisfério Oriental.
Como a gravidade da Terra vai alterar o asteroide Apophis em tempo real
A passagem do Apophis não será apenas um espetáculo visual. Ela também representa um experimento científico único. Durante a aproximação, a diferença de força gravitacional entre os lados do asteroide criará efeitos de maré capazes de deformar sua estrutura.
Essas forças podem alterar a rotação do objeto, provocar deslocamentos de material em sua superfície e até gerar pequenas avalanches de regolito. Após o encontro com a Terra, o asteroide terá sua órbita permanentemente modificada, passando de um período de cerca de 324 dias para aproximadamente 440 dias ao redor do Sol.
Essa transformação orbital fará com que o Apophis mude de grupo dinâmico, saindo da categoria dos asteroides do tipo Aten para o grupo Apollo, com trajetória mais externa.
Missões da NASA e da Europa vão estudar o Apophis de perto
O evento mobilizou agências espaciais ao redor do mundo. A NASA redirecionou a missão OSIRIS-REx, agora chamada OSIRIS-APEX, para interceptar o Apophis após sua passagem pela Terra. A sonda permanecerá próxima ao asteroide por cerca de 18 meses, analisando sua estrutura e comportamento.
A Agência Espacial Europeia também planeja a missão RAMSES, que deverá chegar ao asteroide antes da aproximação e acompanhar o evento a curta distância. O Japão contribuirá com o lançamento por meio do foguete H3, evidenciando a cooperação internacional inédita para estudar esse fenômeno.
Será a primeira vez que múltiplas agências espaciais coordenam observações diretas de um evento dessa natureza.
Por que o asteroide Apophis é importante para a defesa planetária
O Apophis faz parte de um grupo de aproximadamente 2.000 asteroides potencialmente perigosos catalogados, com mais de 140 metros de diâmetro e órbitas próximas à Terra. A maioria desses objetos nunca foi estudada com esse nível de detalhe.
As informações obtidas durante a passagem de 2029 serão fundamentais para entender como asteroides reagem a forças gravitacionais intensas e como seu material se comporta. Esses dados são essenciais para o desenvolvimento de estratégias de defesa planetária, caso um objeto semelhante represente risco real no futuro.
Como destacam cientistas da NASA, esse evento representa um teste prático de tudo o que a humanidade aprendeu sobre monitoramento e resposta a asteroides nas últimas décadas.
No dia 13 de abril de 2029, enquanto bilhões de pessoas observam um ponto de luz cruzando o céu em velocidade impressionante, a ciência estará registrando um dos eventos mais importantes já observados na história da astronomia moderna.


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