Vendas internas da SpaceX ajudaram a inflar os números da Cybertruck nos EUA e ampliaram dúvidas do mercado sobre a demanda real
A Cybertruck respondeu por 7.071 emplacamentos nos Estados Unidos no último trimestre de 2025, mas 1.279 dessas unidades foram compradas pela SpaceX, empresa do próprio Elon Musk. A operação importa porque inflou o crescimento oficial da picape e reforçou dúvidas sobre a procura. Os dados são deste artigo do Autopapo.
Vendas internas da Cybertruck
A Tesla usou compras feitas pela SpaceX, empresa controlada por Elon Musk, para sustentar os números da Cybertruck nos EUA.
No período, quase uma em cada cinco unidades emplacadas da picape foi destinada à empresa espacial do mesmo grupo.
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Sem essa ajuda interna, o crescimento das vendas da Cybertruck teria sido de apenas 7%, e não de 31%, como registrado oficialmente.
A alta também foi passageira, porque o início de 2026 terminou com 3.519 emplacamentos.
Promessas distantes
Os números reforçam, para críticos, a baixa adesão do público à Cybertruck. O modelo segue distante das projeções feitas por Elon Musk quando apresentou a picape.
Em 2019, Musk prometeu uma Cybertruck com preço inicial de US$ 39.900 e comemorou uma fila de 1 milhão de reservas.
Hoje, a versão de entrada passa de US$ 80.000, e a produção anual segue abaixo de 10% das 250 mil unidades projetadas.
Suspeitas crescem
Papéis enviados a órgãos reguladores e revelados pela Bloomberg mostram que a SpaceX gastou US$ 2 milhões em veículos da Tesla no primeiro semestre de 2024.
Embora vendas corporativas sejam comuns na indústria, a ligação entre as empresas elevou suspeitas de demanda artificial.
Esse tipo de operação ajuda a Tesla a registrar entregas em balanços trimestrais. Isso acontece em um momento de ceticismo sobre a viabilidade do design exótico da Cybertruck e sobre a autonomia do modelo diante dos concorrentes tradicionais.
Narrativa sob pressão
No mercado, o termo “vendas fugazi” passou a ser usado para descrever uma movimentação vista como ilusória.
A prática indicaria uma tentativa de proteger o valor das ações da montadora e sustentar a narrativa de crescimento.
Ao transferir unidades da Cybertruck para a SpaceX, Musk tenta reduzir a percepção de que a picape, após anos de atrasos e revisões técnicas, não virou o fenômeno de massas prometido no hype inicial.
O movimento também mantém essa narratvia sob menos pressão.
Analistas dizem que a falta de transparêncai sobre quantas unidades vão para empresas do próprio grupo dificulta medir o lucro real da divisão elétrica.
Sem separar consumidor final e repasses internos, o investidor segue sob uma neblina estatística que preserva o otimismo em Wall Street.
Com informações de Auto Papo.

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