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Eles transformaram 2 carros em barcos usando espuma e poliuretano, improvisaram velas e pequenos motores, enfrentaram 119 dias no mar, percorreram 4.700 km e chegaram até o Caribe para cumprir o último desejo do pai

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 23/02/2026 às 19:01
Atualizado em 23/02/2026 às 19:02
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Um Passat 1987 e um Taunus 1981 são convertidos artesanalmente para flutuar, ganham velas improvisadas e espaço mínimo para abrigo, e levam dois homens a uma jornada de 119 dias que terminou em Martinica e chocou o mundo

Eles não chegaram de barco. Nem de avião. Chegaram em algo que parecia impossível: dois carros transformados artesanalmente em embarcações, feitos no quintal com espuma, metal e muita coragem.

A história aconteceu em 1999 e tem como protagonistas Marco Amoretti, seus irmãos Fabio e Mauro, e o amigo Marcolino De Candia. Sem serem engenheiros navais ou exploradores profissionais, eles decidiram realizar o sonho que o pai não conseguiu terminar: provar que era possível atravessar o oceano dentro de um carro flutuante.

Um sonho herdado — e uma promessa para cumprir

O pai deles, Giorgio Amoretti, fotógrafo e aventureiro, tinha tentado anos antes cruzar o Atlântico em um Volkswagen Beetle adaptado, batizado de “Automare”. Mas, impedido pelas autoridades e enfrentando um câncer terminal, ele percebeu que não conseguiria completar a ideia.

Foi aí que os filhos tomaram uma decisão radical: fazer a travessia por ele.

Como dois carros viraram “barcos” no meio do oceano?

A preparação foi totalmente artesanal. Eles usaram dois veículos — um Volkswagen Passat 1987 e um Ford Taunus 1981 — modificados e preenchidos com poliuretano e espuma, para ganhar flutuação. Os carros foram selados e adaptados com pequenos motores, velas improvisadas e um espaço mínimo para se abrigar.

Para aumentar a segurança, colocaram balsas infláveis no teto e amarraram os dois veículos com cordas, tentando evitar que se separassem em mar aberto.

O Atlântico mostrou seu lado mais duro

Poucos dias depois do início, o plano quase desmoronou. Fabio e Mauro não resistiram ao cansaço extremo e ao enjoo intenso, e desistiram da travessia. A partir daí, só Marco e Marcolino seguiram, praticamente sozinhos em uma imensidão sem fim.

As semanas seguintes foram de tensão: dependiam do vento e das correntes, lidavam com infiltrações, faziam reparos constantes e enfrentavam tempestades. Em determinado momento, perderam contato com a terra quando o telefone via satélite parou de funcionar. Para sobreviver, improvisaram — inclusive pescando para garantir alimento.

Enquanto isso, Giorgio morreu em 28 de maio. A família optou por não contar a notícia naquele momento, com medo de destruir a determinação dos dois no meio do oceano.

119 dias no mar e quase 4.700 km até o Caribe

No dia 31 de agosto de 1999, depois de 119 dias e cerca de 4.700 quilômetros, Marco e Marcolino finalmente alcançaram a ilha de Martinica, no Caribe.

Com isso, entraram para a história como as primeiras pessoas a cruzar o Atlântico a bordo de carros flutuantes — uma travessia movida por improviso, resistência e, acima de tudo, pela promessa de cumprir o último desejo de um pai.

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Andreas Vidal
Andreas Vidal
25/02/2026 06:52

Faltou dizer de onde eles partiram.

Vicente
Vicente
24/02/2026 07:28

Interessante.

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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