Um Citroën BX 16RS de 1983 ficou trancado e intocado dentro de um celeiro em Lincolnshire, na Inglaterra, por 38 anos até ser redescoberto pela família do dono, um engenheiro de jatos da Força Aérea Real que ajudou a construir o carro que bateu o recorde mundial de velocidade terrestre naquele mesmo ano, e agora o veículo esquecido aguarda alguém disposto a restaurá-lo
Um carro novo comprado em 1983 foi estacionado dentro de um celeiro em 1988 e ninguém tocou nele durante quase quatro décadas. Quando a família do proprietário finalmente abriu a porta do celeiro em Lincolnshire, na Inglaterra, encontrou um Citroën BX 16RS coberto de poeira, com ferrugem, danos causados por ratos e uma roda faltando. O carro estava exatamente onde havia sido deixado 38 anos antes, como uma cápsula do tempo de 1988 que ninguém teve coragem ou motivo para abrir.
Segundo o programa The Late Brake Show, o que transforma esse carro esquecido em uma história digna de filme não é apenas o tempo que ele ficou parado. É quem o comprou. O dono era um engenheiro de jatos da Força Aérea Real Britânica (RAF) que ajudou a desenvolver o Thrust 2, o carro que bateu o recorde mundial de velocidade terrestre em 1983 a uma velocidade oficial de 633 mph. O mesmo homem que trabalhou no veículo mais rápido do planeta escolheu, para seu uso pessoal, um hatchback familiar. E depois o trancou no celeiro e nunca mais voltou.
O engenheiro que construiu o carro mais rápido do mundo e guardou um hatchback no celeiro

A ironia é impossível de ignorar. Em outubro de 1983, Richard Noble pilotou o Thrust 2 a uma velocidade média oficial de 633,468 mph, com relatos indicando picos de 650,88 mph, estabelecendo o recorde mundial de velocidade terrestre reconhecido pelo Guinness.
-
SUV familiar esquecido da Fiat entrega 7 lugares, motor 2.4 de 172 cv, câmbio automático, porta-malas de até 580 litros e presença de utilitário grande por preço abaixo de muitos compactos novos: conheça o Fiat Freemont Precision 2015
-
Sedã alemão com tração traseira esbanja motor 1.6 turbo de 156 cv, câmbio automático, porta-malas de 480 litros, status premium e cabine de executivo na faixa de compactos completos zero km: conheça o Mercedes-Benz C180 Avantgarde 2015
-
Suzuki lança “van familiar híbrida” com 8 lugares, porta traseira deslizante, visual de Toyota Noah, motor 1.8 eletrificado e preço equivalente a cerca de R$ 124 mil sem impostos, abaixo de SUVs de 7 lugares vendidos no Brasil: conheça a Landy no Japão
-
Mitsubishi tem “Kombi 4×4 premium” a diesel mais barata que Tiggo 8 Pro na conversão: Delica D:5 custa cerca de R$ 143 mil sem impostos brasileiros, leva 7 ou 8 lugares e promete encarar neve, lama e estrada ruim no Japão
O engenheiro que ajudou a tornar aquele carro possível comprou, quase na mesma época, um Citroën BX 16RS: não um esportivo, não um modelo de luxo, mas um hatchback prático de família.
Ele usou o carro por cerca de cinco anos antes de estacioná-lo definitivamente no celeiro em 1988. Ninguém sabe exatamente por que ele parou de usar o veículo.
Pode ter sido uma troca por outro carro, um problema mecânico que nunca foi consertado ou simplesmente o hábito de guardar algo para depois.
O fato é que o carro ficou trancado, intocado e esquecido durante 38 anos, enquanto o mundo ao redor mudava completamente. Um adesivo no vidro traseiro resume tudo com uma precisão involuntariamente cômica: “Adora dirigir, odeia oficinas”.
O que encontraram dentro do celeiro depois de 38 anos sem abrir a porta
Quando Jonny Smith, apresentador do programa The Late Brake Show, foi chamado pela família para inspecionar o carro, a cena era exatamente o que se esperaria de quase quatro décadas de abandono.
O Citroën BX estava coberto de uma camada espessa de poeira, com ferrugem em diversos pontos da carroceria, danos causados por ratos nos tecidos e fiação, uma roda faltando e um motor que se recusava a dar partida.
Ao redor do carro, o celeiro estava repleto de ferramentas, caixas e utensílios domésticos acumulados ao longo dos anos. O veículo havia se tornado parte da paisagem do espaço, quase um móvel a mais entre a bagunça.
Apesar do estado deteriorado, o carro mantinha sua estrutura básica intacta: a carroceria estava reconhecível, os vidros inteiros e a suspensão hidropneumática característica do Citroën BX ainda estava presente. Para um especialista, era uma ruína. Para um restaurador, era uma oportunidade.
Por que um carro que vendeu mais de 2 milhões de unidades agora é raro
O Citroën BX nunca foi um carro obscuro. A revista L’Aventure Citroën registra que 2.315.739 unidades foram produzidas entre 1982 e 1994. Era um hatchback popular, conhecido pela suspensão hidropneumática que proporcionava um conforto de rodagem incomum para a faixa de preço.
Mas a popularidade de ontem não garante sobrevivência hoje: dados de registro de veículos do Reino Unido mostram que apenas 194 exemplares do Citroën BX estão atualmente em circulação no país, com outros 1.083 declarados como fora de circulação.
Essa escassez coloca o carro encontrado no celeiro de Lincolnshire em uma categoria diferente. Não é apenas um veículo velho abandonado. É um exemplar raro de um modelo que está desaparecendo, guardado em condições que, embora longe do ideal, preservaram o conjunto original de peças e componentes.
Para colecionadores de carros clássicos, encontrar um BX com história documentada e peças originais é cada vez mais difícil, o que faz desse achado de celeiro algo que vai além de uma curiosidade e se aproxima de um registro histórico sobre rodas.
Restaurar um carro de 38 anos ou deixá-lo virar sucata: o dilema que a família enfrenta
A filha do proprietário original espera que o comprador certo apareça e restaure o carro em vez de deixá-lo desaparecer. A primeira tentativa de restauração falhou, o que mostra que recuperar um veículo nessas condições não é tarefa simples.
Ferrugem, fiação danificada por ratos, suspensão comprometida e um motor que não funciona significam que o carro precisa de uma restauração completa que pode custar mais do que o valor de mercado de um exemplar em bom estado.
Mas o valor desse carro não se mede apenas em dinheiro. Ele pertenceu a um engenheiro que ajudou a construir o veículo mais rápido do mundo na época, ficou congelado no tempo por 38 anos e é um dos poucos exemplares sobreviventes de um modelo que está desaparecendo.
Para quem restaura carros por paixão e não por lucro, a história por trás do veículo vale tanto quanto a carroceria e o motor. É a diferença entre um carro velho e um carro com alma.
O que um carro esquecido por 38 anos ensina sobre como tratamos as coisas
A história desse carro se conecta a um debate mais amplo sobre como a sociedade descarta objetos que ainda poderiam ter vida útil. A Comissão Europeia defende que uma economia circular funciona mantendo produtos e materiais em uso pelo maior tempo possível.
A Agência Europeia do Ambiente estima que o descarte prematuro de bens de consumo está ligado a 261 milhões de toneladas de emissões equivalentes de CO2 e 35 milhões de toneladas de resíduos por ano na União Europeia.
O carro que saiu do celeiro de Lincolnshire não é solução para a mobilidade moderna. Um hatchback a gasolina de 1983 não substitui um veículo elétrico para uso diário.
Mas restaurar um carro raro para uso ocasional, coleção ou educação é diferente de defender que veículos antigos substituam o transporte limpo.
O que esse Citroën representa é a ideia de que consertar, reutilizar e valorizar as coisas antes de descartá-las ainda faz sentido em um mundo que produz lixo em escala industrial.
Um carro, um celeiro e 38 anos de silêncio
Um engenheiro de jatos que ajudou a construir o carro mais rápido do mundo comprou um hatchback familiar, usou por cinco anos, trancou no celeiro e nunca mais voltou.
38 anos depois, o carro reapareceu coberto de poeira, com ferrugem, ratos e uma história que nenhum modelo zero quilômetro consegue oferecer.
Agora, a pergunta é se alguém vai dar a esse Citroën BX a segunda vida que a família do dono espera, ou se ele vai terminar como sucata, levando consigo a história do homem que construiu foguetes e guardou um hatchback.
Você restauraria um carro abandonado por 38 anos em um celeiro? Acha que vale a pena salvar um veículo assim ou é melhor deixar virar história? Já encontrou algo esquecido por décadas e ficou surpreso com o que viu? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem ama carros e histórias improváveis.


-
1 pessoa reagiu a isso.