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A Amazônia vai inundar e secar em 2026: El Niño chega em maio, com intensidade de moderada a forte; a cheia dos rios será maior que a de 2025 e a vazante que vem logo depois pode comprometer a navegação, o abastecimento e a pesca de comunidades isoladas, sem estrada, sem seguro e sem alternativa de deslocamento

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 20/03/2026 às 12:17 Atualizado em 20/03/2026 às 18:43
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Foto: El Niño em 2026 deve provocar cheia intensa e seca extrema na Amazônia, alterando rios, navegação e abastecimento em todo o Norte do Brasil.
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El Niño em 2026 deve provocar cheia intensa e seca extrema na Amazônia, alterando rios, navegação e abastecimento em todo o Norte do Brasil.

Em março de 2026, os rios da Amazônia ainda operavam dentro da normalidade hidrológica, com níveis compatíveis com a média histórica observada nas últimas décadas. O rio Negro, em Manaus, apresentava cotas estáveis para o período, enquanto o Solimões e o Madeira seguiam o comportamento esperado da estação chuvosa. Especialistas do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) confirmavam que o sistema hidrológico da região estava coerente com o regime de precipitação registrado até então.

Essa estabilidade, porém, tem prazo definido para terminar. Os modelos climáticos indicam que, a partir de maio de 2026, o fenômeno El Niño começa a se consolidar no Pacífico Equatorial. Com isso, entre julho e o segundo semestre, a reorganização do regime de chuvas deve provocar um cenário crítico: primeiro uma cheia mais intensa que a de 2025, seguida por uma seca severa dentro do mesmo ciclo hidrológico.

Esse padrão — extremos em sequência — já não é exceção. Está se tornando a nova regra da Amazônia.

El Niño 2026: início acelerado e impacto direto no regime de chuvas no Brasil

O enfraquecimento do La Niña observado no início de 2026 abriu espaço para a formação de um novo episódio de El Niño. Desde a primavera de 2025, centros internacionais de monitoramento climático já apontavam essa transição como altamente provável.

Segundo análises da Climatempo, o fenômeno deve apresentar início acelerado e intensidade entre moderada e forte, com aquecimento progressivo das águas do Pacífico Equatorial a partir do primeiro semestre. A consolidação atmosférica do sistema — quando oceano e atmosfera passam a atuar de forma integrada — tende a ocorrer entre o fim do outono e o início do inverno.

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Esse comportamento é semelhante ao registrado em 2023, quando um dos El Niños mais intensos das últimas décadas provocou uma seca histórica na Amazônia. Naquele ano, a redução drástica do nível dos rios levou à morte de centenas de botos no Lago Tefé, isolou comunidades inteiras e expôs vulnerabilidades estruturais da região.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) projeta que o evento de 2026 pode seguir trajetória semelhante, com impactos amplos e distribuição desigual das chuvas no território brasileiro.

Cheia na Amazônia em 2026: por que os rios devem subir mais que em 2025

O primeiro efeito relevante do El Niño na Amazônia em 2026 não será a seca, mas sim uma cheia mais intensa. Esse comportamento, embora contraintuitivo, segue a dinâmica do sistema climático amazônico.

Após dois anos de menor intensidade hidrológica, os rios entraram na estação chuvosa com níveis normalizados e solos parcialmente recuperados. A atuação fraca do La Niña em 2025 permitiu recomposição de aquíferos e aumento da capacidade de resposta do sistema fluvial.

Como resultado, as projeções indicam que a cheia de 2026 deve superar a de 2025, com maior volume de água escoando pelas principais calhas da bacia amazônica.

Dados apresentados pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), em evento realizado em Porto Velho em março de 2026, confirmam que a maioria dos rios ainda está dentro da normalidade, mas com tendência de elevação mais expressiva no primeiro semestre.

Essa cheia impacta diretamente áreas urbanas e comunidades ribeirinhas. Em Manaus, bairros como Educandos, Aparecida e São Raimundo historicamente sofrem com alagamentos durante eventos mais intensos, resultando em contaminação de igarapés, interrupção de serviços e deslocamento de famílias.

Seca na Amazônia após julho: vazante pode repetir ou superar crise de 2023

Se a cheia é o primeiro estágio do ciclo de 2026, a seca é o segundo — e potencialmente mais crítico. Com a consolidação do El Niño a partir de julho, o padrão climático muda drasticamente.

A redução das chuvas, combinada com temperaturas elevadas, provoca queda acelerada no nível dos rios. Esse processo expõe bancos de areia, dificulta a navegação e compromete o abastecimento de comunidades isoladas.

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Os modelos climáticos ainda possuem margem de incerteza, mas apontam como cenário central períodos prolongados de calor e seca na Amazônia no segundo semestre de 2026.

A referência mais recente é a seca de 2023. Naquele evento, mais de 590 municípios da região Norte entraram em situação de emergência. O rio Solimões atingiu níveis mínimos históricos, comprometendo a principal hidrovia que conecta cidades sem acesso rodoviário.

A logística regional entrou em colapso parcial. Em uma região onde milhões de pessoas dependem exclusivamente dos rios para transporte, abastecimento e acesso à saúde, a vazante extrema se transforma rapidamente em crise humanitária.

Alternância entre extremos na Amazônia está acelerando

O aspecto mais relevante do cenário atual não é apenas a ocorrência de cheia e seca, mas a frequência com que esses eventos estão se alternando. Historicamente, extremos hidrológicos na Amazônia ocorriam com intervalos de vários anos. Hoje, esses ciclos estão comprimidos em períodos muito menores.

Nos últimos 16 anos, a região registrou:

Eventos extremos sucessivos — tanto de cheia quanto de seca — indicam uma mudança estrutural no sistema climático amazônico.

Pesquisadores da UEA associam essa aceleração à combinação de dois fatores principais: aumento das emissões de gases de efeito estufa e avanço do desmatamento. Ambos alteram o ciclo hidrológico regional e reduzem a previsibilidade do comportamento dos rios.

Estudos da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que, até 2040, pode haver redução significativa na vazão de rios brasileiros, consolidando uma tendência de longo prazo que vai além de eventos isolados.

Impactos diretos: navegação, energia e abastecimento sob pressão

A dinâmica de cheia seguida de seca tem impactos diretos em setores críticos da Amazônia. A navegação fluvial é o principal deles. Grande parte dos municípios do interior do Amazonas não possui ligação rodoviária, dependendo exclusivamente de barcos para transporte de pessoas e mercadorias. Quando o nível dos rios cai, essa rede simplesmente deixa de funcionar.

A pesca também é afetada. A cheia favorece a reprodução dos peixes, mas a seca concentra populações em áreas reduzidas, aumentando a pressão sobre os estoques e facilitando práticas predatórias.

Outro impacto relevante ocorre no setor energético. Usinas hidrelétricas como Belo Monte e Tucuruí dependem diretamente do regime de chuvas amazônico. Vazantes prolongadas reduzem a geração de energia e podem afetar o sistema elétrico nacional.

O papel do Censipam e as limitações das previsões climáticas

O Censipam atua no monitoramento contínuo da Amazônia, integrando dados de diversas instituições para prever riscos hidrometeorológicos. O evento realizado em março de 2026 reuniu especialistas de órgãos como Serviço Geológico do Brasil (SGB), Cemaden e universidades para consolidar as projeções mais atualizadas.

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O objetivo é antecipar impactos e reduzir danos, principalmente em áreas vulneráveis. Entre os principais riscos monitorados estão contaminação de mananciais, doenças de veiculação hídrica, assoreamento e interrupções logísticas.

Apesar dos avanços, ainda existem limitações importantes. A magnitude exata da seca no segundo semestre depende da intensidade final do El Niño, que só pode ser confirmada com maior precisão à medida que o fenômeno evolui.

Amazônia em 2026: um ciclo hidrológico mais instável e imprevisível

A previsão para 2026 aponta para um cenário cada vez mais comum na Amazônia: extremos climáticos ocorrendo dentro do mesmo ano. A sequência de cheia intensa seguida de seca severa representa um desafio logístico, social e ambiental de grande escala. Comunidades ribeirinhas, sistemas de transporte, produção de alimentos e geração de energia estão todos diretamente expostos a essa variabilidade.

O padrão observado indica que a Amazônia está entrando em uma fase de maior instabilidade climática, com ciclos hidrológicos menos previsíveis e mais intensos.

O sistema fluvial mais importante do planeta continua operando — mas com um comportamento cada vez mais distante daquele que sustentou a região por séculos.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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