A Economia da Argentina voltou a pressionar o bolso da população em março, com inflação de 3,4% no mês, alta superior a 32% em 12 meses e sinais de que o plano de estabilização de Javier Milei ainda depende da desaceleração da oferta de dinheiro para entregar alívio mais consistente
A Economia da Argentina chegou a março de 2026 ainda pressionada pela inflação, que avançou 3,4% apenas no mês e acumulou alta superior a 32% em 12 meses. O dado reforça o principal desafio do governo Javier Milei: conter o custo de vida depois de avanços no controle fiscal e na estabilização cambial, mas com preços ainda distantes de uma trajetória sustentada de baixa.
O comportamento dos preços em março também ocorreu em um ambiente internacional de maior pressão inflacionária, marcado por choque no petróleo, combustíveis mais caros e efeitos associados à guerra no Oriente Médio.
Mesmo nesse cenário, a Argentina ficou entre os países com maior inflação mensal, acima de economias como Peru, Chile, Brasil, Turquia, zona do euro, Espanha, Alemanha, França e Estados Unidos.
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Economia da Argentina ainda enfrenta inflação mensal elevada
A inflação argentina havia tocado 1,5% em maio de 2025, mas voltou a acelerar nos meses seguintes. O índice subiu para 1,9% em julho, 2,1% em setembro, 2,9% em janeiro e fevereiro de 2026, até alcançar 3,4% em março.
Esse movimento mostra que a desaceleração dos preços perdeu força nos últimos meses. Embora o governo tenha conseguido estabilizar variáveis importantes, como o fiscal e a taxa de câmbio, a inflação continua em patamar alto para a população.
O próprio Milei tem reconhecido que o processo está demorando mais do que o esperado. A estabilização argentina avança em ritmo mais lento do que o desejado pelo governo e pela sociedade, com pedido de paciência diante dos efeitos ainda persistentes da alta de preços.
A comparação com outros países ajuda a dimensionar a pressão específica do mês. Na América Latina, a Venezuela registrou inflação superior a 13% em março, enquanto a Argentina ficou em 3,4%, o Peru quase 2,4%, o Chile em 1% e o Brasil próximo de 0,9%.
Entre países do G20, a Argentina ocupou a primeira posição no mês de março. A Turquia ficou perto de 2%, a zona do euro marcou 1,3%, a Espanha 1,2%, a Alemanha 1,1%, a França 1% e os Estados Unidos registraram índice um pouco maior que o brasileiro.
Oferta de dinheiro segue como ponto central do plano
A análise da Economia da Argentina passa diretamente pelos agregados monetários, especialmente a base monetária e o M2. A base monetária reúne dinheiro emitido pelo Banco Central, papel-moeda e reservas bancárias, enquanto o M2 inclui também depósitos à vista, depósitos a prazo e poupança.
Durante o governo Milei, a base monetária ainda aumentou por um período relevante. Ela só passou a mostrar estabilização mais clara nos últimos meses, tanto na moeda em circulação quanto no conjunto da base monetária.
O M2, porém, aparece como variável ainda mais importante para entender a inflação. Ele representa uma medida mais ampla do dinheiro usado na economia para pagamentos, bens e serviços, influenciando o poder de compra do peso argentino.
A variação anual da base monetária chegou a superar 200% em outubro de 2024 e depois perdeu força. Em abril de 2026, ainda registrava crescimento anual próximo de 32%.
O M2 também havia se aproximado de taxas de 200% em 2024, mas reduziu o ritmo de expansão. Em abril de 2026, chegou à mínima do governo Milei, com alta anual de 23,1%, abaixo dos níveis superiores a 50% observados no período de Alberto Fernández e Sergio Massa.
A queda no ritmo de crescimento do M2 é apresentada como a principal notícia positiva no quadro econômico atual. Ainda assim, o nível permanece alto, já que o Brasil registra crescimento do M2 um pouco abaixo de 10% ao ano e os Estados Unidos ficam pouco acima de 5%.
Inflação pode demorar mais para ceder
A criação de dinheiro ainda em ritmo elevado ajuda a explicar por que a inflação continua resistente. O impacto da expansão monetária não aparece imediatamente nos preços, pois se espalha gradualmente por setores, mercadorias e serviços.
Esse atraso entre aumento da oferta de dinheiro e alta de preços indica que emissões anteriores ainda podem pressionar a inflação nos meses seguintes. Por isso, uma queda rápida para níveis muito baixos não aparece como cenário imediato.
A inflação sustentada abaixo de 2% ou 1% ao mês dependeria da continuidade da queda dos agregados monetários. Caso o M2 permaneça crescendo acima de 20% ao ano, a redução para patamares mais baixos ficaria mais difícil.
A Economia da Argentina, portanto, mostra sinais mistos. Há melhora no ritmo de expansão monetária, mas a inflação segue alta e ainda reflete o excesso de dinheiro criado em períodos anteriores.
Comparação com o Plano Real mostra diferenças relevantes
A comparação entre o plano de estabilização argentino e o Plano Real considera o Brasil a partir de julho de 1994 e a Argentina a partir de janeiro de 2024. Em 27 meses, os preços subiram 57% no Brasil e 213% na Argentina.
No mesmo intervalo, o M2 avançou 76% no Brasil e 157% na Argentina até fevereiro. Já o câmbio subiu 9,4% no Brasil e 19,7% na Argentina, variável em que os dois planos aparecem mais próximos.
No primeiro mês do Plano Real, a inflação brasileira foi de 6,84%. Na Argentina, janeiro de 2024 registrou 20,6%, em meio à remoção de controles de preços e reajustes que estavam represados.
Após 12 meses, a inflação mensal argentina estava em 2,70%, enquanto o Brasil registrava 2,26%. No mês seguinte, a Argentina marcou 2,20% e o Brasil 2,36%, mantendo níveis relativamente comparáveis naquele momento.
A divergência ficou mais clara a partir do 14º mês. No Brasil, a inflação caiu para 0,99%, enquanto a Argentina registrou 2,40%; depois, o índice argentino subiu para 3,70%, enquanto o Brasil conseguiu manter inflação mensal ao redor de 1% a 1,5%.
No 27º mês, o Brasil registrou 0,15% em setembro de 1996. A Argentina, por sua vez, chegou a 3,40% em março de 2026, confirmando uma trajetória mais demorada de estabilização dos preços.
Câmbio estável cria nova tensão para a Economia da Argentina
A taxa de câmbio aparece como uma das variáveis mais estáveis do plano argentino. Mesmo com inflação elevada e expansão monetária relevante, o peso permaneceu em torno de um patamar aproximado de 1.100 a 1.400 pesos por dólar.
Essa estabilidade cambial convive com preços internos em alta. O resultado é uma Argentina mais cara para estrangeiros, para turistas e para setores exportadores, que perdem competitividade quando os preços sobem e o câmbio não acompanha na mesma proporção.
Esse quadro também dificulta o acúmulo de reservas, considerado necessário para o pagamento da dívida externa acumulada nos últimos meses. Parte dessas obrigações envolve o FMI, dentro do esforço para sustentar o câmbio e prosseguir com o plano macroeconômico.
Uma diferença central entre os dois processos está na escolha monetária. O Plano Real hiperinflacionou e encerrou o Cruzeiro Real para lançar uma nova moeda, sem histórico anterior de inflação.
Milei tomou caminho oposto ao tentar evitar a hiperinflação do peso, preservar a moeda e estabilizá-la. Essa decisão tornou o processo argentino mais complexo e mais demorado.
A Economia da Argentina chega, assim, a um ponto de transição. A inflação segue alta, mas a redução no ritmo de crescimento do M2 indica uma melhora possível se a política atual for mantida.
O desafio permanece concentrado na desaceleração da oferta de dinheiro e na capacidade de transformar essa queda em inflação menor. A estabilização dos preços ainda pode exigir mais tempo, com pelo menos mais 12 meses de inflação acima de economias desenvolvidas e também acima do Brasil.

Uma coisa e certa o Milei tá poco se fud….
E o G A D O acreditou nesse **** que fala com **** morto