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Economia da Argentina vira dor de cabeça para Milei, com comida, combustível e contas mais caras enquanto a inflação insiste em não cair

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 24/04/2026 às 14:47 Atualizado em 24/04/2026 às 14:59
Economia da Argentina tem inflação de 3,4% em março, preços em alta e desafio maior para o plano de Milei.
Economia da Argentina tem inflação de 3,4% em março, preços em alta e desafio maior para o plano de Milei.
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A Economia da Argentina voltou a pressionar o bolso da população em março, com inflação de 3,4% no mês, alta superior a 32% em 12 meses e sinais de que o plano de estabilização de Javier Milei ainda depende da desaceleração da oferta de dinheiro para entregar alívio mais consistente

A Economia da Argentina chegou a março de 2026 ainda pressionada pela inflação, que avançou 3,4% apenas no mês e acumulou alta superior a 32% em 12 meses. O dado reforça o principal desafio do governo Javier Milei: conter o custo de vida depois de avanços no controle fiscal e na estabilização cambial, mas com preços ainda distantes de uma trajetória sustentada de baixa.

O comportamento dos preços em março também ocorreu em um ambiente internacional de maior pressão inflacionária, marcado por choque no petróleo, combustíveis mais caros e efeitos associados à guerra no Oriente Médio.

Mesmo nesse cenário, a Argentina ficou entre os países com maior inflação mensal, acima de economias como Peru, Chile, Brasil, Turquia, zona do euro, Espanha, Alemanha, França e Estados Unidos.

Economia da Argentina ainda enfrenta inflação mensal elevada

A inflação argentina havia tocado 1,5% em maio de 2025, mas voltou a acelerar nos meses seguintes. O índice subiu para 1,9% em julho, 2,1% em setembro, 2,9% em janeiro e fevereiro de 2026, até alcançar 3,4% em março.

Esse movimento mostra que a desaceleração dos preços perdeu força nos últimos meses. Embora o governo tenha conseguido estabilizar variáveis importantes, como o fiscal e a taxa de câmbio, a inflação continua em patamar alto para a população.

O próprio Milei tem reconhecido que o processo está demorando mais do que o esperado. A estabilização argentina avança em ritmo mais lento do que o desejado pelo governo e pela sociedade, com pedido de paciência diante dos efeitos ainda persistentes da alta de preços.

A comparação com outros países ajuda a dimensionar a pressão específica do mês. Na América Latina, a Venezuela registrou inflação superior a 13% em março, enquanto a Argentina ficou em 3,4%, o Peru quase 2,4%, o Chile em 1% e o Brasil próximo de 0,9%.

Entre países do G20, a Argentina ocupou a primeira posição no mês de março. A Turquia ficou perto de 2%, a zona do euro marcou 1,3%, a Espanha 1,2%, a Alemanha 1,1%, a França 1% e os Estados Unidos registraram índice um pouco maior que o brasileiro.

Oferta de dinheiro segue como ponto central do plano

A análise da Economia da Argentina passa diretamente pelos agregados monetários, especialmente a base monetária e o M2. A base monetária reúne dinheiro emitido pelo Banco Central, papel-moeda e reservas bancárias, enquanto o M2 inclui também depósitos à vista, depósitos a prazo e poupança.

Durante o governo Milei, a base monetária ainda aumentou por um período relevante. Ela só passou a mostrar estabilização mais clara nos últimos meses, tanto na moeda em circulação quanto no conjunto da base monetária.

O M2, porém, aparece como variável ainda mais importante para entender a inflação. Ele representa uma medida mais ampla do dinheiro usado na economia para pagamentos, bens e serviços, influenciando o poder de compra do peso argentino.

A variação anual da base monetária chegou a superar 200% em outubro de 2024 e depois perdeu força. Em abril de 2026, ainda registrava crescimento anual próximo de 32%.

O M2 também havia se aproximado de taxas de 200% em 2024, mas reduziu o ritmo de expansão. Em abril de 2026, chegou à mínima do governo Milei, com alta anual de 23,1%, abaixo dos níveis superiores a 50% observados no período de Alberto Fernández e Sergio Massa.

A queda no ritmo de crescimento do M2 é apresentada como a principal notícia positiva no quadro econômico atual. Ainda assim, o nível permanece alto, já que o Brasil registra crescimento do M2 um pouco abaixo de 10% ao ano e os Estados Unidos ficam pouco acima de 5%.

Inflação pode demorar mais para ceder

A criação de dinheiro ainda em ritmo elevado ajuda a explicar por que a inflação continua resistente. O impacto da expansão monetária não aparece imediatamente nos preços, pois se espalha gradualmente por setores, mercadorias e serviços.

Esse atraso entre aumento da oferta de dinheiro e alta de preços indica que emissões anteriores ainda podem pressionar a inflação nos meses seguintes. Por isso, uma queda rápida para níveis muito baixos não aparece como cenário imediato.

A inflação sustentada abaixo de 2% ou 1% ao mês dependeria da continuidade da queda dos agregados monetários. Caso o M2 permaneça crescendo acima de 20% ao ano, a redução para patamares mais baixos ficaria mais difícil.

A Economia da Argentina, portanto, mostra sinais mistos. Há melhora no ritmo de expansão monetária, mas a inflação segue alta e ainda reflete o excesso de dinheiro criado em períodos anteriores.

Comparação com o Plano Real mostra diferenças relevantes

A comparação entre o plano de estabilização argentino e o Plano Real considera o Brasil a partir de julho de 1994 e a Argentina a partir de janeiro de 2024. Em 27 meses, os preços subiram 57% no Brasil e 213% na Argentina.

No mesmo intervalo, o M2 avançou 76% no Brasil e 157% na Argentina até fevereiro. Já o câmbio subiu 9,4% no Brasil e 19,7% na Argentina, variável em que os dois planos aparecem mais próximos.

No primeiro mês do Plano Real, a inflação brasileira foi de 6,84%. Na Argentina, janeiro de 2024 registrou 20,6%, em meio à remoção de controles de preços e reajustes que estavam represados.

Após 12 meses, a inflação mensal argentina estava em 2,70%, enquanto o Brasil registrava 2,26%. No mês seguinte, a Argentina marcou 2,20% e o Brasil 2,36%, mantendo níveis relativamente comparáveis naquele momento.

A divergência ficou mais clara a partir do 14º mês. No Brasil, a inflação caiu para 0,99%, enquanto a Argentina registrou 2,40%; depois, o índice argentino subiu para 3,70%, enquanto o Brasil conseguiu manter inflação mensal ao redor de 1% a 1,5%.

No 27º mês, o Brasil registrou 0,15% em setembro de 1996. A Argentina, por sua vez, chegou a 3,40% em março de 2026, confirmando uma trajetória mais demorada de estabilização dos preços.

Câmbio estável cria nova tensão para a Economia da Argentina

A taxa de câmbio aparece como uma das variáveis mais estáveis do plano argentino. Mesmo com inflação elevada e expansão monetária relevante, o peso permaneceu em torno de um patamar aproximado de 1.100 a 1.400 pesos por dólar.

Essa estabilidade cambial convive com preços internos em alta. O resultado é uma Argentina mais cara para estrangeiros, para turistas e para setores exportadores, que perdem competitividade quando os preços sobem e o câmbio não acompanha na mesma proporção.

Esse quadro também dificulta o acúmulo de reservas, considerado necessário para o pagamento da dívida externa acumulada nos últimos meses. Parte dessas obrigações envolve o FMI, dentro do esforço para sustentar o câmbio e prosseguir com o plano macroeconômico.

Uma diferença central entre os dois processos está na escolha monetária. O Plano Real hiperinflacionou e encerrou o Cruzeiro Real para lançar uma nova moeda, sem histórico anterior de inflação.

Milei tomou caminho oposto ao tentar evitar a hiperinflação do peso, preservar a moeda e estabilizá-la. Essa decisão tornou o processo argentino mais complexo e mais demorado.

A Economia da Argentina chega, assim, a um ponto de transição. A inflação segue alta, mas a redução no ritmo de crescimento do M2 indica uma melhora possível se a política atual for mantida.

O desafio permanece concentrado na desaceleração da oferta de dinheiro e na capacidade de transformar essa queda em inflação menor. A estabilização dos preços ainda pode exigir mais tempo, com pelo menos mais 12 meses de inflação acima de economias desenvolvidas e também acima do Brasil.

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Fabio
Fabio
26/04/2026 10:56

Uma coisa e certa o Milei tá poco se fud….

Leo
Leo
24/04/2026 23:21

E o G A D O acreditou nesse **** que fala com **** morto

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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