Grão raro, extremamente doce e com baixa cafeína impulsiona demanda internacional e pode valer até 50 vezes mais que o arábica tradicional
O mercado de cafés especiais de alto valor voltou ao radar global em 2024, mesmo após a queda nos preços do café tradicional em relação aos recordes de 2023. Nesse contexto, um produtor brasileiro de Minas Gerais passou a ampliar a comercialização do café eugenioides, uma variedade ancestral rara, com potencial de alcançar até US$ 20 mil por saca. Além disso, a estratégia evidencia o avanço da demanda por cafés exclusivos, mesmo com o recuo do mercado mais amplo.
Segundo informações relatadas pelo produtor, a safra atual pode atingir R$ 1 milhão com apenas 10 sacas de 60 quilos, reforçando o posicionamento do eugenioides como um dos cafés mais valorizados do mundo. Ao mesmo tempo, o cenário de preços do arábica em 2024 registrou queda, sendo negociado próximo de US$ 400 por saca, o que amplia ainda mais a diferença entre os segmentos.
Mercado premium de cafés raros ganha força com produto brasileiro
Atualmente, Luiz Paulo Dias Pereira Filho, produtor de quarta geração, lidera a única plantação comercial conhecida de eugenioides no Brasil. Nesse sentido, o grão passa a ocupar espaço estratégico no segmento premium, principalmente devido à sua raridade e diferenciação sensorial.
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Historicamente, as vendas já alcançaram mercados exigentes, como Taiwan e Arábia Saudita. Em 2023, por exemplo, três sacas foram comercializadas por R$ 90 mil cada, o que já indicava o interesse crescente pelo produto. Dessa forma, o eugenioides pode atingir até 50 vezes o valor do arábica, consolidando-se como um item de luxo no setor cafeeiro.
Características únicas elevam o valor do eugenioides no mercado global
O diferencial do eugenioides está diretamente ligado ao seu perfil sensorial. Segundo o produtor, o café apresenta doçura intensa e praticamente nenhum amargor, o que o torna incomum entre as variedades tradicionais. Além disso, o nível de cafeína é extremamente baixo, sendo considerado próximo de um café descafeinado.
De acordo com Kim Ionescu, diretor de desenvolvimento de estratégia da Specialty Coffee Association (SCA), o interesse atual pelo eugenioides se assemelha ao início da valorização do café geisha nos anos 2000. Nesse contexto, a combinação entre raridade e sabor exclusivo fortalece a percepção de produto de luxo, especialmente entre consumidores especializados.
Produção limitada e cultivo sensível restringem expansão
Apesar do potencial de valorização, a produção do eugenioides enfrenta limitações importantes. Atualmente, as plantas apresentam baixa produtividade e elevada sensibilidade ao clima, o que exige manejo cuidadoso e constante.
Em uma área de aproximadamente cinco hectares, a expectativa é de apenas duas sacas por hectare, volume que representa menos de um décimo da produtividade média do café arábica. Além disso, a ausência de melhoramento genético aumenta a complexidade do cultivo, elevando os custos e os riscos envolvidos.
Segundo o produtor, existem apenas algumas fazendas no mundo tentando cultivar o eugenioides comercialmente, o que reforça ainda mais a exclusividade do produto no mercado internacional.
Demanda por cafés especiais sustenta preços elevados mesmo com recuo do mercado
Mesmo com a retração do mercado global em 2024, o segmento de cafés especiais de nicho mantém ritmo consistente de crescimento. Nesse cenário, produtos raros como o eugenioides continuam atraindo compradores internacionais, interessados em experiências sensoriais diferenciadas e exclusivas.
Assim, a combinação entre escassez, perfil único e produção limitada sustenta os preços elevados, consolidando o café ancestral como um ativo de alto valor dentro do setor. Ao mesmo tempo, o interesse crescente reforça uma tendência global de valorização de cafés raros, mesmo diante de oscilações no mercado tradicional.
Diante desse avanço consistente, até que ponto cafés ancestrais como o eugenioides poderão redefinir o posicionamento global do Brasil no segmento de cafés premium?
