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Drone que voa, mergulha a 40 metros, ressurge ao lado do alvo e ataca em enxame transforma a Bélgica em pioneira de uma arma híbrida que atravessa céu e oceano sem ser detectada

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 18/04/2026 às 16:34 Atualizado em 18/04/2026 às 16:37
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Drone que voa e mergulha até 40 metros surge como nova arma híbrida naval e pode mudar estratégias de guerra marítima e costeira.

Em setembro de 2025, durante o Naval Innovation Days (NID) 2025, a Naval Group apresentou o Cormorant, um drone multimeio desenvolvido pela Naval Group Belgium em parceria com a Marinha da Bélgica para operar tanto no ar quanto sob a água. Em material oficial publicado em 16 de setembro de 2025, a empresa informou que o sistema pode mergulhar até 40 metros de profundidade, ser lançado a partir do drone de superfície Seaquest S e voltar à tona para continuar a missão, reunindo em uma única plataforma capacidades que tradicionalmente ficam separadas entre meios aéreos e subaquáticos.

A apresentação oficial descreve o Cormorant como uma plataforma voltada a vigilância, reconhecimento e integração de sensores e efetores em ambientes complexos. Em outro texto publicado pela Naval Group em 24 de junho de 2025, a empresa informou que o projeto foi lançado em meados de 2022, desenvolvido com a Free University of Brussels e já estava pronto para industrialização e comercialização após dois anos de desenvolvimento, sinalizando que a proposta havia avançado além da fase de protótipo experimental.

Como funciona o drone que alterna entre voo e mergulho

O funcionamento do Cormorant depende de uma arquitetura híbrida que combina elementos de drones aéreos com tecnologias típicas de veículos subaquáticos não tripulados. Diferente de drones convencionais, que operam exclusivamente no ar, esse sistema foi projetado para suportar pressão subaquática, resistir à entrada de água e manter estabilidade estrutural durante a transição entre os dois ambientes.

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Ao se aproximar da água, o drone realiza uma descida controlada e inicia o mergulho. Nesse momento, os sistemas de propulsão e controle passam a operar em modo subaquático. Após cumprir a missão, o equipamento retorna à superfície e reativa seus sistemas de voo.

Esse ciclo completo — voar, mergulhar, operar no fundo e voltar ao ar — é o que transforma o sistema em uma plataforma inédita no cenário militar moderno.

A Naval Group informa que o projeto foi desenvolvido com foco em modularidade, permitindo a integração de sensores, sistemas de comunicação e cargas úteis variadas.

Capacidade de operar em enxame amplia o potencial estratégico

Um dos elementos mais relevantes do sistema é a possibilidade de operação em grupo, conhecida como enxame ou “swarm”. Esse conceito já vem sendo explorado em drones aéreos, mas sua aplicação em um sistema que também opera submerso amplia significativamente o nível de complexidade e potencial estratégico.

A capacidade de lançar múltiplas unidades que podem voar, mergulhar e coordenar ações em diferentes ambientes cria um novo tipo de ameaça difícil de detectar e interceptar.

Enquanto um drone pode atuar como sensor, outro pode desempenhar papel ofensivo ou de distração. Esse comportamento distribuído aumenta a eficiência da missão e reduz a vulnerabilidade do sistema como um todo.

Plataforma sem tripulação elimina riscos humanos em missões críticas

Outro aspecto central do projeto é o fato de se tratar de um sistema completamente não tripulado. Isso significa que o drone pode ser empregado em ambientes de alto risco sem exposição direta de operadores humanos.

Esse tipo de característica é especialmente relevante em cenários como:

  • Áreas costeiras monitoradas
  • Regiões com presença de minas marítimas
  • Operações próximas a estruturas sensíveis

Ao eliminar a necessidade de tripulação, o sistema permite ampliar o alcance das operações e reduzir riscos operacionais. Além disso, a ausência de pilotos ou operadores embarcados possibilita missões mais longas e flexíveis.

Invisibilidade operacional nasce da combinação de ar e mar

Uma das maiores vantagens estratégicas do Cormorant está na sua capacidade de operar em dois ambientes distintos, dificultando sua detecção.

Radares convencionais são projetados para identificar alvos aéreos, enquanto sistemas de sonar detectam objetos submersos. Um sistema que alterna entre esses dois meios cria um desafio adicional para qualquer sistema de defesa.

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Ao mergulhar, o drone pode desaparecer dos radares e se aproximar do alvo de forma silenciosa, retornando à superfície apenas no momento necessário.

Essa característica amplia o potencial de infiltração e torna o sistema especialmente relevante em cenários de guerra costeira e operações navais.

Desenvolvimento indica nova fase da guerra híbrida

O surgimento de sistemas como o Cormorant está diretamente ligado a uma tendência maior dentro da indústria de defesa: a busca por plataformas híbridas capazes de operar em múltiplos domínios.

Tradicionalmente, as forças armadas operam separando seus meios em categorias claras:

  • Aéreo
  • Naval
  • Terrestre
  • Subaquático

No entanto, tecnologias emergentes começam a romper essas fronteiras. O Cormorant representa exatamente essa transição, ao unir capacidades que antes exigiriam múltiplos equipamentos diferentes em uma única plataforma. Essa convergência tecnológica tem potencial para reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência das missões.

Aplicações vão além do combate direto

Embora o apelo principal esteja no uso militar, o próprio conceito do sistema permite aplicações mais amplas. Entre os usos potenciais estão:

  • Monitoramento marítimo
  • Inspeção de infraestrutura subaquática
  • Missões de busca e resgate
  • Coleta de dados ambientais

Essa versatilidade reforça o caráter inovador do projeto, que pode ser adaptado para diferentes contextos operacionais.

Sistema ainda está em fase de desenvolvimento e validação

Apesar do impacto da apresentação, é importante destacar que o Cormorant ainda está em fase de desenvolvimento e validação. A Naval Group apresentou o sistema como uma plataforma pronta para industrialização, mas não há confirmação pública de uso em larga escala ou implantação operacional definitiva até o momento.

Drone que voa, mergulha a 40 metros, ressurge ao lado do alvo e ataca em enxame transforma a Bélgica em pioneira de uma arma híbrida que atravessa céu e oceano sem ser detectada
Seaquest S na agua

Isso significa que, embora a tecnologia já exista e tenha sido demonstrada, sua adoção plena dependerá de testes adicionais, integração com sistemas militares e validação em cenários reais. Esse estágio é comum em projetos de defesa de alta complexidade.

Bélgica entra na corrida por tecnologias militares que parecem ficção científica

O lançamento do Cormorant posiciona a Bélgica dentro de um grupo seleto de países que estão investindo em tecnologias capazes de redefinir a forma como operações militares são conduzidas. Em vez de focar apenas em aumento de poder de fogo, a tendência passa a ser:

  • Invisibilidade
  • Mobilidade entre ambientes
  • Automação
  • Inteligência distribuída

Esse tipo de abordagem indica uma mudança profunda na lógica da guerra moderna, onde a capacidade de se adaptar e operar em múltiplos domínios pode ser mais decisiva do que a força bruta isolada.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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