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Dois rios que despejavam água no Mediterrâneo há 5 milhões de anos foram desviados pelo nascimento de montanhas inteiras e se uniram para formar o Eufrates; o berço da Mesopotâmia nasceu de uma reviravolta que a Terra levou milhões de anos pra completar

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/06/2026 às 08:42
Atualizado em 13/06/2026 às 08:44
Dois rios antigos que corriam para o Mediterrâneo foram desviados pela tectônica da Anatólia e formaram o Eufrates, o rio que deu origem à Mesopotâmia.
Dois rios antigos que corriam para o Mediterrâneo foram desviados pela tectônica da Anatólia e formaram o Eufrates, o rio que deu origem à Mesopotâmia.
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Uma pesquisa citada pela Revista Oeste reconstruiu a origem do Eufrates a partir de dois rios ancestrais, hoje ligados ao Karasu e ao Murat, na Turquia. Eles corriam para o Mediterrâneo até que o nascimento das montanhas Taurus, ao longo de milhões de anos, desviou a água para o sudeste.

O Eufrates parece eterno, mas nem sempre correu para onde corre hoje. O rio que banhou o berço da Mesopotâmia nasceu da união de dois cursos muito mais antigos, que despejavam água no Mediterrâneo há mais de 5 milhões de anos. Foi a própria Terra, erguendo montanhas, que mudou esse destino.

A reconstrução, atribuída a pesquisadores citados pela Universidade da Austrália Ocidental, aparece em reportagem da Revista Oeste. Pelo estudo, o Eufrates surgiu da fusão de dois sistemas ancestrais, batizados de Palaeo-Karasu e Palaeo-Murat, na atual Turquia. Movimentos tectônicos nas montanhas Taurus e na região da Anatólia foram, aos poucos, empurrando a água para o sudeste.

Os dois rios que sumiram no tempo

Dois rios antigos que corriam para o Mediterrâneo foram desviados pela tectônica da Anatólia e formaram o Eufrates, o rio que deu origem à Mesopotâmia.
Antes do Eufrates moderno, existiam dois rios bem diferentes.

Os cientistas os identificaram e batizaram de Palaeo-Karasu, ao norte, e Palaeo-Murat, mais ao sul, ambos ligados à antiga drenagem da região da Anatólia.

Eram rios antigos, com uma rota que hoje pareceria fora do lugar. Outro mundo, basicamente.

A diferença para o cenário atual é radical.

Em vez de seguir para o Golfo Pérsico, como o Eufrates faz hoje, esses cursos despejavam água e sedimentos na direção do Mediterrâneo Oriental.

Era outro mapa, desenhado por uma geografia que ainda iria mudar muito.

Uma reviravolta de milhões de anos, passo a passo

A virada não aconteceu de uma hora para outra.

A reconstrução dos pesquisadores aponta uma sequência longa: há cerca de 5,4 milhões de anos, os rios ancestrais ainda corriam para o Mediterrâneo.

Por volta de 3,6 milhões de anos atrás, o Palaeo-Murat começou a ser desviado para o sudeste.

Mais tarde, há cerca de 2,8 milhões de anos, o Palaeo-Karasu se uniu a esse sistema redirecionado, e por volta de 1,6 milhão de anos atrás o Eufrates já seguia uma rota parecida com a de hoje.

Rios grandes não trocam de caminho só por causa de chuva ou erosão local.

No caso do Eufrates, a transformação envolveu o soerguimento de montanhas, o deslocamento de falhas e a reorganização de bacias inteiras.

É por isso que tudo levou milhões de anos, um relógio geológico que não tem pressa.

O mar que quase secou virou pista

Tem um detalhe e tanto na origem do Eufrates, um mar que quase desapareceu.

Há mais de 5 milhões de anos, o Mediterrâneo passou pela chamada crise de salinidade do Messiniano, quando quase secou e acumulou grossas camadas de sal.

Foi justamente nessa época que os rios ancestrais despejavam seus sedimentos na bacia.

Esses sedimentos viraram uma cápsula do tempo no fundo do mar.

Ao analisar estruturas enterradas com imagens de reflexão sísmica, mapas geológicos e modelagem de sedimentos, a equipe conseguiu ligar canais soterrados às bacias dos rios Karasu e Murat.

Segundo a Reuters, os dados sísmicos revelaram feições parecidas com canais antigos abaixo do fundo do mar, formadas quando boa parte do Mediterrâneo estava seca ou isolada.

Do leito antigo ao berço da civilização

Dois rios antigos que corriam para o Mediterrâneo foram desviados pela tectônica da Anatólia e formaram o Eufrates, o rio que deu origem à Mesopotâmia.
Toda essa geologia importa por um motivo bem humano.

Muito depois de se formar, o Eufrates moldou a história, porque suas águas alimentaram a Mesopotâmia, terra da agricultura irrigada, das primeiras cidades e da escrita cuneiforme.

Cidades como Uruk, lembrada como uma das primeiras grandes metrópoles, e a Babilônia cresceram dependendo do sistema formado pelo Eufrates e pelo Tigre. Daí nasceu a Mesopotâmia.

E o Eufrates não está sozinho nesse tipo de reviravolta.

A própria Reuters lembrou uma comparação feita pelos pesquisadores com o Amazonas, que também teve a direção alterada ao longo do tempo geológico, ali por causa do crescimento dos Andes.

Grandes rios, ao que parece, são menos fixos do que a gente imagina.

O Eufrates carrega uma história que começou muito antes dos impérios e dos campos irrigados.

Antes de ser o rio do Crescente Fértil, ele foi o resultado de dois sistemas antigos, de um mar em crise e de placas tectônicas redesenhando a drenagem da região.

A água que corre hoje é só o capítulo mais recente.

E você, imaginava que o berço da Mesopotâmia nasceu de uma reviravolta de milhões de anos? Que outras histórias escondidas da Terra deixam você de queixo caído? Conte nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem curte ciência, geografia e os mistérios do passado do planeta.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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