Reconhecimento inédito da ciência brasileira ganha força com dois pesquisadores do país em destaque global após avanços que já afetam saúde pública, produção agrícola e a imagem do Brasil no cenário internacional.
Dois cientistas brasileiros entraram na Time 100 de 2026 e levaram o país para o centro de uma vitrine global da ciência aplicada. A lista foi divulgada em 15 de abril de 2026 e reuniu a agrônoma e microbiologista Mariangela Hungria, da Embrapa, e o geneticista Luciano Moreira, da Fiocruz.
O reconhecimento veio por duas frentes que mexem com a vida real. De um lado, a tecnologia de Hungria reduziu a dependência de fertilizantes sintéticos ao usar microrganismos do solo. Do outro, o trabalho de Moreira ajudou a consolidar o método Wolbachia, que torna o mosquito menos capaz de transmitir dengue, zika e chikungunya.
O peso da notícia cresce porque os dois casos saíram do laboratório e chegaram à escala nacional. Um atua sobre a produção de alimentos e custos no campo. O outro atinge a saúde pública em cidades brasileiras que convivem com surtos de arboviroses.
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Lista de 2026 destacou ciência brasileira com efeito direto no campo e nas cidades
Mariangela Hungria apareceu entre os pioneiros da lista. Luciano Moreira foi incluído pela atuação no avanço e na expansão do método Wolbachia no Brasil, em um dos países mais atingidos por doenças transmitidas por mosquitos.
Segundo TIME, revista americana de política, cultura e atualidades, Hungria ajudou a fazer com que 85% da soja brasileira seja cultivada com microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos, enquanto Moreira levou o projeto Wolbachia iniciado no Brasil em 2012 até a maior biofábrica do mundo voltada a essa tecnologia.
Luciano Moreira ampliou o método Wolbachia e levou a tecnologia a 140 milhões de pessoas

O método Wolbachia usa uma bactéria já presente em muitos insetos, mas ausente no Aedes aegypti. Quando ela é introduzida nesse mosquito, os vírus passam a ter mais dificuldade para se desenvolver, o que reduz a transmissão de dengue, zika e chikungunya.
No Brasil, a tecnologia ganhou escala com a inauguração da maior biofábrica do mundo, capaz de produzir 100 milhões de ovos por semana. A meta anunciada é ampliar a proteção de cerca de 5 milhões para 140 milhões de pessoas em aproximadamente 40 municípios com alta incidência da doença.
Niterói virou vitrine com queda de até 88,8% nos casos de dengue
O caso mais forte até aqui está em Niterói, no Rio de Janeiro. A cidade foi a primeira do país a implantar o método e já aparece como referência por resultados consistentes depois da expansão territorial da estratégia.
Dados oficiais apontam redução de 88,8% nos casos de dengue no município. Em outro recorte já divulgado anteriormente, a queda ficou em cerca de 70% para dengue, 60% para chikungunya e 40% para zika nas áreas com intervenção, mostrando efeito relevante mesmo com metodologias diferentes de comparação.
Mariangela Hungria trocou fertilizantes sintéticos por microrganismos e mudou a agricultura

Na outra ponta dessa história, Mariangela Hungria construiu uma revolução silenciosa no agro. Seu trabalho se concentrou em usar bactérias do solo para ajudar as plantas a obter nitrogênio de forma mais natural, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos e aliviando custos da produção.
As estimativas mais citadas apontam que as soluções ligadas à pesquisadora já ajudaram produtores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de carbono equivalente. O alcance já supera 40 milhões de hectares no país, com efeito direto sobre produtividade e sustentabilidade.
Brasil transforma pesquisa em solução prática com alcance global
A força dessa dobradinha está no tipo de entrega. Moreira aparece ligado a uma resposta concreta para uma crise urbana de saúde. Hungria surge como símbolo de uma saída viável para reduzir a dependência de insumos caros e poluentes em larga escala.
No fim, a entrada dos dois brasileiros na Time 100 de 2026 coloca o país em uma posição rara. Não pela promessa de futuro, mas pelo efeito já visível de tecnologias que saíram da pesquisa e passaram a mudar o campo, as cidades e a leitura global sobre a ciência feita no Brasil.
Esse reconhecimento internacional reforça um ponto que pesa cada vez mais. A ciência brasileira conseguiu entregar resultado prático, escala e impacto em áreas decisivas para a vida cotidiana. Isso dá novo valor ao que o país produz em saúde, agricultura e inovação.
A consequência imediata é clara. Dois nomes ligados a Embrapa e Fiocruz passam a representar uma imagem de Brasil que resolve problemas grandes com conhecimento aplicado, e isso muda o tamanho dessa história dentro e fora do país.

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