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Dois cientistas brasileiros entraram para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da Time, uma por criar bactéria que torna mosquito incapaz de transmitir dengue, outro por substituir fertilizantes químicos com microrganismos do solo

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/04/2026 às 19:46
Atualizado em 19/04/2026 às 19:48
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Reconhecimento inédito da ciência brasileira ganha força com dois pesquisadores do país em destaque global após avanços que já afetam saúde pública, produção agrícola e a imagem do Brasil no cenário internacional.

Dois cientistas brasileiros entraram na Time 100 de 2026 e levaram o país para o centro de uma vitrine global da ciência aplicada. A lista foi divulgada em 15 de abril de 2026 e reuniu a agrônoma e microbiologista Mariangela Hungria, da Embrapa, e o geneticista Luciano Moreira, da Fiocruz.

O reconhecimento veio por duas frentes que mexem com a vida real. De um lado, a tecnologia de Hungria reduziu a dependência de fertilizantes sintéticos ao usar microrganismos do solo. Do outro, o trabalho de Moreira ajudou a consolidar o método Wolbachia, que torna o mosquito menos capaz de transmitir dengue, zika e chikungunya.

O peso da notícia cresce porque os dois casos saíram do laboratório e chegaram à escala nacional. Um atua sobre a produção de alimentos e custos no campo. O outro atinge a saúde pública em cidades brasileiras que convivem com surtos de arboviroses.

Lista de 2026 destacou ciência brasileira com efeito direto no campo e nas cidades

Mariangela Hungria apareceu entre os pioneiros da lista. Luciano Moreira foi incluído pela atuação no avanço e na expansão do método Wolbachia no Brasil, em um dos países mais atingidos por doenças transmitidas por mosquitos.

Segundo TIME, revista americana de política, cultura e atualidades, Hungria ajudou a fazer com que 85% da soja brasileira seja cultivada com microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos, enquanto Moreira levou o projeto Wolbachia iniciado no Brasil em 2012 até a maior biofábrica do mundo voltada a essa tecnologia.

Luciano Moreira ampliou o método Wolbachia e levou a tecnologia a 140 milhões de pessoas

Luciano Moreira liderou a expansão do método Wolbachia no Brasil, estratégia que impede o mosquito de transmitir dengue e sustenta a maior biofábrica do mundo, com produção de 100 milhões de ovos por semana e meta de alcançar 140 milhões de pessoas.

O método Wolbachia usa uma bactéria já presente em muitos insetos, mas ausente no Aedes aegypti. Quando ela é introduzida nesse mosquito, os vírus passam a ter mais dificuldade para se desenvolver, o que reduz a transmissão de dengue, zika e chikungunya.

No Brasil, a tecnologia ganhou escala com a inauguração da maior biofábrica do mundo, capaz de produzir 100 milhões de ovos por semana. A meta anunciada é ampliar a proteção de cerca de 5 milhões para 140 milhões de pessoas em aproximadamente 40 municípios com alta incidência da doença.

Niterói virou vitrine com queda de até 88,8% nos casos de dengue

O caso mais forte até aqui está em Niterói, no Rio de Janeiro. A cidade foi a primeira do país a implantar o método e já aparece como referência por resultados consistentes depois da expansão territorial da estratégia.

Dados oficiais apontam redução de 88,8% nos casos de dengue no município. Em outro recorte já divulgado anteriormente, a queda ficou em cerca de 70% para dengue, 60% para chikungunya e 40% para zika nas áreas com intervenção, mostrando efeito relevante mesmo com metodologias diferentes de comparação.

Mariangela Hungria trocou fertilizantes sintéticos por microrganismos e mudou a agricultura

Mariangela Hungria revolucionou o agro brasileiro ao desenvolver tecnologias com microrganismos do solo que já são usadas em 85% da soja do Brasil, com economia estimada de US$ 25 bilhões por ano e forte redução de emissões.

Na outra ponta dessa história, Mariangela Hungria construiu uma revolução silenciosa no agro. Seu trabalho se concentrou em usar bactérias do solo para ajudar as plantas a obter nitrogênio de forma mais natural, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos e aliviando custos da produção.

As estimativas mais citadas apontam que as soluções ligadas à pesquisadora já ajudaram produtores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de carbono equivalente. O alcance já supera 40 milhões de hectares no país, com efeito direto sobre produtividade e sustentabilidade.

Brasil transforma pesquisa em solução prática com alcance global

A força dessa dobradinha está no tipo de entrega. Moreira aparece ligado a uma resposta concreta para uma crise urbana de saúde. Hungria surge como símbolo de uma saída viável para reduzir a dependência de insumos caros e poluentes em larga escala.

No fim, a entrada dos dois brasileiros na Time 100 de 2026 coloca o país em uma posição rara. Não pela promessa de futuro, mas pelo efeito já visível de tecnologias que saíram da pesquisa e passaram a mudar o campo, as cidades e a leitura global sobre a ciência feita no Brasil.

Esse reconhecimento internacional reforça um ponto que pesa cada vez mais. A ciência brasileira conseguiu entregar resultado prático, escala e impacto em áreas decisivas para a vida cotidiana. Isso dá novo valor ao que o país produz em saúde, agricultura e inovação.

A consequência imediata é clara. Dois nomes ligados a Embrapa e Fiocruz passam a representar uma imagem de Brasil que resolve problemas grandes com conhecimento aplicado, e isso muda o tamanho dessa história dentro e fora do país.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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