Desenvolvido na Suíça, o MIR usa escaneamento digital e duas brocas para preparar dentes antes da instalação de coroas, mas ainda depende de sensores, câmera, testes clínicos e aprovação regulatória.
Um robô intraoral com apenas 43 milímetros de comprimento foi desenvolvido para executar uma das etapas mais delicadas da colocação de coroas dentárias. O equipamento remove partes do dente seguindo um planejamento digital criado previamente pelo dentista.
Chamado de MIR, sigla em inglês para Miniature Intraoral Robot, o protótipo foi apresentado por pesquisadores do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade da Basileia, na Suíça. Segundo informações da CNN Brasil, publicadas em 13 de julho de 2026, o sistema pode reduzir o tempo entre o preparo do dente e a instalação da prótese definitiva.
A coroa funciona como uma capa feita sob medida para reconstruir um dente danificado por cárie, fratura ou desgaste. Para que ela se encaixe sem prejudicar a mordida, o dentista precisa remover uma quantidade controlada da estrutura dental e criar uma base com formato específico.
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O MIR tenta automatizar justamente esse desgaste. Apesar do avanço mecânico, o robô ainda é um protótipo de laboratório, não está disponível em consultórios e não deve ser confundido com um equipamento capaz de substituir o dentista.
Uma placa personalizada mantém o robô preso aos dentes durante o procedimento
O trabalho começa com um escaneamento tridimensional da boca. A imagem digital permite definir o formato final do dente preparado, a quantidade de material que será retirada e os movimentos que a broca deverá realizar.
O mesmo arquivo é utilizado para fabricar uma placa intraoral personalizada. Essa estrutura se encaixa sobre os dentes do paciente e serve como base rígida para sustentar o pequeno robô dentro da boca.
De acordo com a Universidade da Basileia, o protótipo mede 43 por 26 por 28 milímetros. Para reduzir o volume colocado na boca, os motores e o sistema de controle ficam do lado de fora, ligados ao aparelho por eixos flexíveis, cabos e tubos. A placa também faz com que o robô acompanhe pequenos movimentos da cabeça, porque o equipamento permanece conectado à arcada dentária.
Duas brocas removem primeiro a parte superior e depois as laterais

O preparo é realizado em duas etapas. Na primeira, uma broca mais larga reduz a parte superior do dente e retira a maior quantidade de material prevista no projeto digital.
Depois, o sistema troca a ferramenta por uma broca mais fina e alongada. Ela trabalha nas laterais e cria o contorno necessário para que a coroa consiga se encaixar.
O percurso das brocas é definido antes do início do desgaste. Isso permite controlar profundidade, direção e área de atuação sem depender exclusivamente da movimentação manual durante o procedimento.
Na odontologia convencional, o profissional precisa manter a broca estável em um espaço pequeno, com visão limitada e proximidade da gengiva e dos dentes vizinhos. O robô foi projetado para repetir o trajeto programado, enquanto o dentista supervisiona a execução e pode interromper o sistema.
A proposta não retira do profissional decisões como diagnóstico, tratamento de cáries, escolha do material da coroa, anestesia ou avaliação da mordida. O MIR atua somente na etapa mecânica de preparação da superfície dental.
Erro ficou abaixo de 0,2 milímetro nos testes realizados em laboratório
O estudo que descreve o equipamento foi publicado em 2026 na revista científica IEEE Transactions on Medical Robotics and Bionics. Nos ensaios, o robô foi testado em modelos feitos de resina e em material cerâmico com dureza semelhante à do esmalte, apresentando desvio de posicionamento inferior a 0,2 milímetro e força de corte abaixo de cinco newtons.
Os resultados foram obtidos sem sensores capazes de medir e corrigir continuamente a posição da broca. Isso demonstra a precisão mecânica do protótipo, mas não comprova que o desempenho será igual em uma boca humana, onde existem saliva, tecidos moles, movimentos involuntários e diferenças anatômicas entre pacientes.
Coroa definitiva poderia ser planejada antes mesmo do desgaste do dente
Hoje, muitos tratamentos exigem uma consulta para preparar o dente e coletar o molde, seguida de um período de espera enquanto a coroa é produzida em laboratório. Durante esse intervalo, o paciente costuma utilizar uma peça provisória.
Com o planejamento digital do MIR, a equipe poderia definir antecipadamente o formato do dente depois do desgaste. A coroa seria produzida com base nesse projeto e instalada logo após a atuação do robô, desde que o encaixe e a mordida fossem confirmados pelo dentista.
Consultórios equipados com sistemas CAD/CAM já conseguem escanear, projetar e fabricar restaurações no próprio local. Como informa a fabricante Dentsply Sirona, algumas coroas de materiais compostos ou cerâmicos podem ser usinadas em cerca de quatro minutos, enquanto determinadas peças de zircônia levam aproximadamente cinco minutos na fresadora, sem contar acabamento, tratamento térmico e instalação.
A combinação dessas tecnologias poderia reduzir o uso da coroa provisória e o número de etapas intermediárias. Isso não significa, porém, que qualquer tratamento seria concluído imediatamente, porque o tempo varia conforme o estado do dente, o material escolhido, a necessidade de tratar cáries e as condições da gengiva.
Sensores e uma câmera ainda precisam caber dentro do pequeno equipamento
A equipe pretende instalar sensores de posicionamento para verificar onde a broca está durante o desgaste e corrigir eventuais desvios. O sistema também deverá receber uma câmera para acompanhar o progresso do preparo e identificar situações que exijam interrupção.
Esses componentes teriam outra função de segurança. Caso ocorra uma queda de energia ou parada inesperada, o robô precisará reconhecer o ponto exato em que interrompeu o trabalho antes de voltar a movimentar a broca.
Ruído, vibração, esterilização e resistência dos materiais também precisarão ser avaliados. Um dispositivo utilizado dentro da boca deve suportar processos de limpeza, impedir contaminação entre pacientes e funcionar sem produzir calor ou força capazes de danificar o dente e os tecidos próximos.
Testes em pacientes e avaliação regulatória separam o protótipo dos consultórios
Antes de ser usado regularmente, o MIR precisará passar por estudos que demonstrem segurança e desempenho em seres humanos. Esses ensaios deverão observar não só a precisão do desgaste, mas possíveis lesões na gengiva, aquecimento, dor, falhas de posicionamento e comportamento diante de movimentos inesperados.
Na Suíça, pesquisas pré-mercado com dispositivos médicos sem marcação de conformidade precisam ser analisadas pela Swissmedic e pelo comitê de ética responsável. A agência informa que o equipamento também deve alcançar um estágio de desenvolvimento considerado adequado para uso humano antes de receber autorização para um ensaio clínico.
Mesmo após os testes, o custo poderá limitar a adoção. O consultório precisaria reunir escâner intraoral, software de planejamento, sistema robótico e, para produzir a coroa no local, fresadora e equipamentos de acabamento.
Por enquanto, o resultado concreto é um aparelho pequeno que conseguiu seguir trajetos programados com erro inferior a dois décimos de milímetro em materiais artificiais. A passagem do laboratório para a boca de pacientes será a etapa que mostrará se essa precisão pode ser mantida com segurança no atendimento cotidiano.
Você permitiria que um robô realizasse o desgaste do seu dente sob a supervisão de um dentista? Deixe seu comentário e conte se a redução do tempo de tratamento aumentaria sua confiança ou deixaria o procedimento ainda mais desconfortável.

