Após vistoria em 9 de dezembro de 2025, o Dnit notificou a PRF, barrou a Perimetral Leste e a nova ponte Brasil-Paraguai, apontou graves falhas de sinalização, alertou para risco de acidentes e travou a cerimônia de entrega planejada pelo governo do Paraná para quinta feira, dia 11 na fronteira.
Na noite de terça feira, 9 de dezembro de 2025, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes notificou formalmente a Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu sobre a impossibilidade de liberar o tráfego na Rodovia Perimetral Leste e na Ponte Internacional da Integração, a nova ponte Brasil-Paraguai localizada na BR 277. Segundo o documento, a decisão frustra o plano do governo do Paraná de realizar ainda nesta semana uma cerimônia de entrega da rodovia, da nova ponte e da aduana Brasil-Paraguai.
O órgão afirma que visitas técnicas recentes comprovaram que a obra não reúne condições para recebimento, principalmente por causa de graves inadequações na sinalização horizontal e da ausência de implantação integral da sinalização vertical. Sem toda a sinalização concluída e dispositivos de proteção instalados, o Dnit considera que a liberação do tráfego aumentaria o risco de acidentes e poderia gerar responsabilidade direta da autarquia por eventuais sinistros.
Dnit veta liberação da Perimetral Leste e da nova ponte Brasil-Paraguai

No ofício enviado à chefia da Delegacia da PRF, o Dnit informa que tomou conhecimento da intenção do governo do Paraná de organizar uma cerimônia para liberar o tráfego na Perimetral Leste e concluir oficialmente a Ponte da Integração e a aduana Brasil-Paraguai ainda nesta semana.
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A autarquia federal, no entanto, impede a inauguração até que todas as exigências técnicas sejam cumpridas.
O documento lembra que a Perimetral Leste é um segmento da rodovia federal BR 277 e que a Ponte Internacional da Integração também integra o Sistema Nacional de Viação, o que reforça a natureza federal de toda a nova ligação rodoviária.
Na prática, o Dnit deixa claro que a decisão final sobre a abertura da nova ponte Brasil-Paraguai não cabe apenas ao governo estadual, mas depende do aval técnico da União.
Sinalização incompleta e risco de acidentes na BR 277
As vistorias apontaram que a obra apresenta graves inadequações na sinalização horizontal, como pinturas e marcações no pavimento, e que ainda não foi implantada de forma integral a sinalização vertical, composta por placas informativas, de advertência e de regulamentação.
Esses elementos são classificados pelo Dnit como indispensáveis para a segurança viária e para a conformidade técnica do empreendimento.
Para garantir a segurança dos usuários antes de qualquer liberação, o órgão solicita apoio da PRF para uma vistoria conjunta.
O objetivo é verificar se todas as exigências foram atendidas, incluindo a correção das falhas de sinalização e a instalação de dispositivos de proteção, como defensas metálicas tipo guard rail e barreiras de concreto do tipo New Jersey, especialmente em viadutos e curvas críticas.
O Dnit registra no ofício que responderá objetivamente por omissões que possam provocar sinistros na via, o que reforça a gravidade do alerta.
Base legal reforça veto à entrega apressada da obra
No documento, o Dnit cita expressamente o artigo 88 do Código de Trânsito Brasileiro, previsto na Lei 9.503 de 1997.
O dispositivo proíbe a entrega ou reabertura de qualquer via pavimentada que não esteja devidamente sinalizada, tanto vertical quanto horizontalmente, de modo a garantir condições adequadas de segurança.
Ao invocar o artigo 88, a autarquia busca afastar qualquer tentativa de abertura antecipada da Perimetral Leste e da nova ponte Brasil-Paraguai sem o cumprimento integral das normas de trânsito.
O recado é que a pressão para inaugurar a obra ainda nesta semana não pode se sobrepor às exigências legais e técnicas definidas pelo Código de Trânsito Brasileiro.
Convênio com o Paraná e financiamento da Itaipu Binacional
A construção da ponte e das obras complementares é objeto do Convênio de Delegação número 211 de 2019, firmado entre o Dnit e o governo do Paraná, com a Itaipu Binacional atuando como interveniente e financiadora.
Foi a hidrelétrica que custeou a execução da nova travessia internacional e da Perimetral Leste.
Com isso, a nova ponte Brasil-Paraguai e a nova via de acesso formam um complexo rodoviário federal delegado ao estado, mas ainda sujeito à avaliação técnica e ao aceite formal do Dnit.
O ofício é assinado eletronicamente por Marcel Luiz Escobedo, chefe do Serviço da Unidade Local do Dnit em Foz do Iguaçu, que assume a posição institucional de barrar a inauguração até que todos os requisitos de segurança sejam cumpridos.
Governo do Paraná contesta e mantém discurso de entrega
Em nota, o governo do Paraná afirma que toda a sinalização foi executada conforme projeto previamente aprovado pelo próprio Dnit e que o evento de entrega marcado para quinta feira, dia 11, marca o esforço das equipes estaduais para concretizar a obra. Segundo o texto, a nova infraestrutura será fundamental para o futuro do estado e do Brasil.
A administração estadual também diz que a data de entrega foi comunicada ao governo federal e consta em ata, ressaltando que, com o encerramento do contrato, realizar o evento de inauguração é uma obrigação legal do estado.
Ao insistir na importância simbólica e econômica da nova ponte Brasil-Paraguai, o governo tenta manter o cronograma político da entrega, mesmo diante do veto técnico do Dnit.
Próximos passos dependem de vistoria conjunta com a PRF
Com o pedido de apoio à PRF para uma vistoria conjunta, o Dnit condiciona qualquer liberação de tráfego à comprovação de que todas as falhas foram sanadas.
A expectativa é que apenas depois de revisadas a sinalização horizontal, concluída a sinalização vertical e instalados todos os dispositivos de proteção, a Perimetral Leste e a nova ponte Brasil-Paraguai possam ser oficialmente recebidas e abertas ao público.
Até lá, permanece o impasse entre o plano do governo do Paraná de inaugurar a obra ainda nesta semana e a posição do Dnit, que prioriza o cumprimento integral das normas de segurança viária e do Código de Trânsito.
Diante do veto técnico e da pressão política para inaugurar a obra ainda nesta semana, você acredita que o Dnit faz bem ao impedir a abertura imediata da nova ponte Brasil-Paraguai?

É simples a questão: comprovar que os projetos de sinalizações horizontal e vertical foram executados de acordo com o projeto aprovado pelo DNIT. Se foi então o erro é do DNIT caso contrário corre atrás. O problema é se o DNIT “enxerga” agora “novas questões ” politicamente incorretas para empurrar a inauguração para 2026 !!!