Caso expõe imóveis, investimentos e valores incompatíveis com a renda oficial de ex-servidores chineses
Uma disputa de divórcio na China ganhou repercussão nacional após revelar um patrimônio milionário atribuído a dois funcionários públicos aposentados. O caso, divulgado pela Caixin Global e republicado pelo Poder360 em 8 de junho de 2026, envolve bens avaliados em quase 100 milhões de yuans, cerca de US$ 15 milhões. A dimensão dos valores levou o Tribunal Popular do Distrito de Putuo, em Xangai, a encerrar a ação civil e encaminhar o caso para investigação criminal. A corte também comunicou órgãos anticorrupção, pois entendeu que o patrimônio apresentado era incompatível com as rendas legais conhecidas dos envolvidos.
Investigação judicial revela patrimônio incompatível
A disputa começou a partir da separação de Wang e Zhang, casados desde 1976 e divorciados em 2007. A divisão dos bens, porém, não foi resolvida naquele momento. Anos depois, Wang acionou a Justiça para pedir a partilha de 14 imóveis avaliados em 98,7 milhões de yuans. O processo, que inicialmente tratava de uma questão familiar, passou a levantar suspeitas sobre a origem dos recursos acumulados. A Justiça avaliou que os valores ultrapassavam de forma significativa o padrão financeiro esperado para servidores públicos aposentados.
Acusações entre ex-casal ampliam caso
Durante a ação, Wang afirmou que Zhang teria recebido 10 milhões de yuans devolvidos por um antigo colega. Ele também citou 25 milhões de yuans ligados a um caso de fraude corporativa em 2010. Outra acusação apontou 32 milhões de yuans recebidos entre 2015 e 2016 após a saída de um investimento. Zhang, por sua vez, declarou que Wang possuía imóveis em Pequim e Zhengzhou, além de produtos financeiros e fundos fiduciários no HSBC. Esses ativos teriam valores superiores a 5,41 milhões de yuans, 2,01 milhões de yuans e HK$ 2,5 milhões.
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Trajetória dos envolvidos entra na análise
Wang trabalhou no sistema ferroviário chinês e depois ocupou cargos em empresas estatais. Em 2016, ele se aposentou como vice-diretor-geral da China Energy Investment. Zhang atuou como policial e depois foi transferida para outra delegacia. Segundo a decisão, ela praticamente deixou de trabalhar após se mudar para Xangai. Esse histórico profissional passou a ser analisado porque os rendimentos oficiais não explicariam, de forma suficiente, o volume de bens apresentados no processo.
Lei chinesa prevê punição para riqueza sem explicação
O Artigo 395 do Código Penal da China trata de casos em que funcionários públicos mantêm patrimônio sem origem comprovada. Uma interpretação judicial divulgada em abril de 2026 pelo Supremo Tribunal Popular e pela Suprema Procuradoria Popular classificou discrepâncias acima de 3 milhões de yuans como enormes. Valores superiores a 10 milhões de yuans foram definidos como extremamente enormes. Caso a investigação confirme irregularidades, Wang e Zhang podem enfrentar penas de cinco a dez anos de prisão.
Repercussão amplia debate sobre corrupção
A sentença original foi proferida em setembro de 2023, mas o caso ganhou força em 2026 após circular na internet chinesa. A exposição dos valores reacendeu discussões sobre riqueza oculta, fiscalização de servidores públicos e combate à corrupção. Uma ação de divórcio, antes restrita à divisão de bens, passou a revelar suspeitas de grande alcance institucional.
Quantos outros patrimônios incompatíveis com salários oficiais ainda podem vir à tona por caminhos inesperados?

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