1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Discord deixa de ser apenas app de conversa entre gamers e vira centro de investigação sobre venda de vídeos com crueldade contra animais
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Discord deixa de ser apenas app de conversa entre gamers e vira centro de investigação sobre venda de vídeos com crueldade contra animais

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 30/05/2026 às 14:45
Atualizado em 30/05/2026 às 14:49
Ícone do Discord exibido na tela de um smartphone em close-up, destacando a plataforma que voltou ao debate após investigação envolvendo venda de vídeos com maus-tratos a animais.
Aplicativo Discord em destaque na tela de um celular. A plataforma ganhou repercussão após ser citada em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo relacionada à comercialização de vídeos com maus-tratos a animais.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Plataforma criada para gamers voltou ao debate após operação da Polícia Civil de São Paulo contra suspeita de vender vídeos violentos

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo colocou o Discord no centro de um caso que envolve suspeita de maus-tratos a animais, venda de vídeos e uso de comunidades digitais privadas.

Daiana Schuinsekel de Almeida foi presa na quinta-feira, 28 de maio, durante uma operação policial. Horas depois, a empresária acabou liberada.

Segundo as investigações, a suspeita gravava agressões contra animais e vendia os vídeos pela plataforma para pessoas de países da Europa.

De acordo com informações da TV Globo, os celulares da investigada não puderam ser acessados. Por isso, não houve flagrante.

Agora, Daiana deve responder em liberdade pelos crimes de maus-tratos e atos obscenos, enquanto o caso segue sob apuração.

Investigação expõe uso do Discord na venda de vídeos

A apuração da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Discord teria sido usado para comercializar os vídeos.

Nas imagens citadas pela investigação, a suspeita aparece agredindo animais com os pés e as mãos.

O caso ganhou repercussão porque a plataforma é conhecida por permitir conversas em texto, voz e vídeo.

O aplicativo também permite transmissões ao vivo, grupos fechados e comunidades com diferentes níveis de privacidade.

Esse conjunto de ferramentas ajuda a explicar por que o Discord voltou ao debate sobre segurança digital e moderação de conteúdo.

O que é o Discord e como a plataforma funciona

O Discord é uma plataforma de comunicação digital criada para conversas por mensagens, chamadas de voz e vídeos.

Segundo o site oficial do Discord, os empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy lançaram o aplicativo em 2015.

Inicialmente, a proposta era oferecer uma forma mais confiável de conversar durante partidas online.

Por isso, o Discord se popularizou especialmente entre adolescentes e jogadores que queriam jogar e conversar ao mesmo tempo.

No Brasil, a rede afirma permitir acesso apenas para adolescentes a partir de 13 anos.

Rede social cresceu além do público gamer

O Discord nasceu no universo gamer, mas passou a ser usado também para trabalho, cursos e comunidades de interesse.

Segundo a revista norte-americana Wired, a plataforma funciona como uma experiência multimídia.

Nela, usuários podem transmitir vídeos, jogar à distância, ouvir música em grupo e passar tempo juntos.

Durante a pandemia, conforme a Wired, o aplicativo conquistou ainda mais usuários fora do público gamer.

Em 2025, segundo o próprio Discord, a plataforma tinha 200 milhões de usuários mensais no mundo.

Desse total, ainda conforme a empresa, 93% jogavam online.

Versão gratuita e planos pagos

A versão básica do Discord é gratuita.

A plataforma oferece planos pagos chamados Nitro, que liberam recursos extras para os usuários.

Entre as vantagens estão a criação de emojis personalizados e o envio de arquivos maiores.

Dessa forma, o aplicativo combina acesso gratuito com ferramentas pagas para quem busca mais recursos.

Casos anteriores já acenderam alerta sobre crimes digitais

O Discord já apareceu em reportagens sobre crimes cometidos contra menores de idade.

Em maio de 2023, o Fantástico mostrou casos de criminosos que usavam transmissões ao vivo para chantagear vítimas.

Na ocasião, a promotora Maria Fernanda Balsalobra afirmou que não se tratava de desafios praticados por adolescentes.

Segundo ela, criminosos, em grande parte maiores de idade, usavam fragilidades da plataforma contra crianças e adolescentes.

A agência DW também apontou que o Discord se tornou ponto de encontro para grupos de contracultura, hackers e investidores em criptomoedas.

Grupos privados e moderação descentralizada dificultam controle

O diretor de tecnologia Thiago Ayub, da Sage Networks, afirma que o Discord reúne fatores que favorecem situações de risco.

Primeiro, a plataforma ficou muito conhecida entre jovens por ter origem no público gamer.

Depois, ela permite criar grupos privados com facilidade, diferente de redes sociais baseadas em conteúdos públicos.

Por fim, a moderação é descentralizada, já que os criadores das comunidades controlam boa parte das regras internas.

Com isso, o monitoramento de mensagens e usuários pode se tornar mais difícil dentro de cada comunidade.

Central da família busca ampliar acompanhamento

Em setembro de 2023, o Discord lançou a Central da Família, também chamada de Family Center.

A ferramenta permite que responsáveis acompanhem parte da atividade de adolescentes dentro da plataforma.

Com o recurso, pais podem saber com quais usuários o filho conversa e de quais comunidades ele participa.

No entanto, o conteúdo das conversas não fica disponível para os responsáveis.

Para ativar a ferramenta, é necessário ter o aplicativo Discord no celular.

Depois, o responsável deve acessar Configurações do usuário, entrar em Central da Família e ativar o recurso.

Em seguida, o adolescente precisa gerar um QR Code na opção Conectar com o pai.

Após o escaneamento e a aprovação do jovem, os dois passam a ter acesso à Central da Família.

O caso investigado em São Paulo reacende uma pergunta urgente: plataformas digitais conseguem equilibrar privacidade, comunidades fechadas e segurança contra crimes online?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x