Blocos gigantes de concreto de 217 metros já começaram a ser instalados no fundo do mar em uma obra inédita que promete criar o túnel imerso mais longo do mundo e reduzir a travessia entre Dinamarca e Alemanha para apenas 10 minutos de carro
Blocos gigantes de concreto começaram a descer ao fundo do Mar Báltico para dar forma ao túnel de Fehmarnbelt, ligação fixa entre a Dinamarca e a Alemanha. O primeiro dos 89 elementos foi instalado com sucesso no Estreito de Fehmarn após uma operação iniciada no fim da noite de segunda-feira, 4 de maio de 2026, a partir da fábrica de túneis em Rødbyhavn, na ilha dinamarquesa de Lolland.
O marco foi conduzido com cinco rebocadores e a embarcação especial de imersão IVY, que transportaram o enorme elemento até o ponto de instalação na costa dinamarquesa. Quando estiver concluído, o túnel terá 18 quilômetros de extensão, será o túnel imerso mais longo do mundo e permitirá cruzar o estreito em 10 minutos de carro e 7 minutos de trem.
Primeiro bloco foi instalado no fundo do mar após uma operação de vários dias
A instalação do primeiro elemento marcou a passagem do túnel de Fehmarnbelt do planejamento para uma estrutura real no leito marinho. Após vários dias de preparação, a imersão começou por volta do meio-dia de quarta-feira. Cerca de 14 horas depois, o elemento chegou à posição definida no Estreito de Fehmarn.
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O bloco foi colocado com precisão em uma vala diante do portal dinamarquês e, em seguida, conectado ao portal por braços hidráulicos. A confirmação do alinhamento ocorreu com medições a laser realizadas dentro do próprio elemento submerso, etapa essencial para garantir que a primeira peça da estrutura estivesse exatamente no ponto correto.
Blocos gigantes de concreto têm 217 metros e mais de 73,5 mil toneladas

O que torna a obra tão impressionante é a escala dos elementos usados. Cada peça padrão do túnel é uma enorme estrutura oca de concreto, com 217 metros de comprimento e mais de 73.500 toneladas.
Esses blocos gigantes de concreto são divididos em cinco tubos. Dois serão destinados à futura rodovia, dois à ferrovia e um às instalações técnicas. Na prática, cada elemento já nasce como uma parte funcional do túnel, pronta para ser encaixada em sequência no fundo do mar.
A construção também representa um feito inédito porque, pela primeira vez, elementos de túnel produzidos em série com esse tamanho estão sendo usados em uma obra desse tipo.
Como a estrutura é fixada depois da imersão

A descida do elemento ao fundo do mar não encerra a operação. Depois que o bloco é colocado na posição correta, outra embarcação especial entra em ação para depositar grandes quantidades de cascalho ao longo das laterais da estrutura.
Esse processo ajuda a manter o elemento firmemente no lugar e mostra a complexidade da obra. Não basta afundar os blocos gigantes de concreto, é preciso estabilizar, alinhar e preparar cada peça para a próxima conexão.
A precisão envolve engenharia naval, controle hidráulico, medições internas e preparo do leito marinho. Cada etapa precisa funcionar de forma coordenada para que os elementos seguintes possam ser instalados com segurança.
Ainda faltam 88 elementos para completar o túnel de Fehmarnbelt

O primeiro elemento instalado é apenas o início da fase mais simbólica da construção. Nos próximos anos, os 88 elementos restantes serão imersos um a um e conectados em uma vala escavada no leito marinho, a até 40 metros abaixo da superfície do mar.
Quando todos os blocos gigantes de concreto estiverem posicionados, o túnel de Fehmarnbelt terá 18 quilômetros de extensão. A obra será, com ampla vantagem, o túnel imerso mais longo do mundo.
Esse método transforma a construção em uma espécie de montagem submersa de escala monumental, na qual cada bloco precisa se encaixar no anterior para formar uma ligação contínua entre Dinamarca e Alemanha.
Obra vai reduzir travessia entre Dinamarca e Alemanha para 10 minutos
O impacto do túnel vai muito além da engenharia. Quando concluído, ele permitirá atravessar o Estreito de Fehmarn em apenas 10 minutos de carro e 7 minutos de trem.
A ligação também deve tornar mais rápida a conexão ferroviária entre Copenhague e Hamburgo, reduzindo o tempo de viagem para cerca de 2 horas e meia, contra aproximadamente 5 horas atualmente.
Essa redução pode redesenhar a mobilidade entre cidades importantes do norte da Europa, aproximando regiões, acelerando deslocamentos e criando uma rota mais eficiente para transporte de passageiros e cargas.
União Europeia trata o túnel como projeto estratégico

O túnel fixo de Fehmarnbelt faz parte da futura rede de transportes da Europa. O objetivo é fortalecer comércio, mobilidade e segurança no continente, conectando regiões de forma mais direta.
A Comissão Europeia designou o túnel como projeto prioritário e destinou cerca de 1,3 bilhão de euros para sua construção. Isso mostra que a obra não é vista apenas como uma ligação local entre dois países, mas como uma infraestrutura estratégica para o continente.
Mikkel Hemmingsen, CEO da Sund & Bælt, afirmou que a tecnologia, os equipamentos e os contratados demonstraram capacidade para alcançar algo inédito. Para ele, o momento é importante para o projeto, para a Dinamarca, para a Alemanha e para a Europa.
Primeiro mergulho coloca a engenharia europeia em uma nova fase
A imersão do primeiro elemento também foi descrita como uma conquista histórica por Apostolos Tzitzikostas, Comissário Europeu para o Transporte Sustentável e o Turismo. Segundo ele, a operação demonstra o melhor da engenharia e da construção europeias.
A fala reforça o peso simbólico do projeto. O túnel de Fehmarnbelt não é apenas uma obra de concreto, aço e cascalho. Ele se tornou um exemplo de como infraestrutura, transporte e integração regional podem se unir em um projeto de escala continental.
Com o primeiro dos 89 blocos gigantes de concreto já instalado no fundo do mar, a obra deixa de ser apenas promessa e passa a ganhar forma física no Mar Báltico.
Um túnel que começa com um bloco, mas pode mudar uma região inteira
Grandes obras costumam passar anos restritas a mapas, cronogramas e projeções. No caso do túnel de Fehmarnbelt, o avanço agora é concreto, literalmente. O primeiro elemento já está no fundo do mar, conectado ao portal dinamarquês e pronto para receber os próximos.
A partir desse marco, a construção entra em uma fase decisiva. Cada novo bloco instalado aproximará a Dinamarca da Alemanha e dará forma a uma das conexões submersas mais impressionantes da infraestrutura global.
Se o primeiro elemento já mostrou que a engenharia consegue afundar e alinhar estruturas de 73,5 mil toneladas no fundo do Mar Báltico, será que os 89 blocos gigantes de concreto vão transformar o túnel de Fehmarnbelt apenas em uma façanha técnica ou em uma nova rota capaz de mudar a Europa pelos próximos séculos?


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