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Desmantelam o primeiro cabo submarino transatlântico do mundo que tornou a Internet possível em nível global: após mais de 20 anos inativo no Atlântico, o histórico TAT-8 começa a ser retirado e reciclado, revelando a infraestrutura invisível que sustenta a conexão mundial

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 27/02/2026 às 08:22 Atualizado em 27/02/2026 às 09:05
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Retirado do serviço em 2002 e “adormecido” no fundo do mar, o TAT-8, primeiro cabo transatlântico de fibra óptica, volta à superfície em 2026 em uma operação de desmantelamento que mistura tecnologia, logística extrema e reciclagem em escala oceânica

Após mais de duas décadas abandonado no fundo do Oceano Atlântico, o histórico cabo TAT-8 começou a ser removido e reciclado. Considerado um marco da infraestrutura digital, ele foi o primeiro sistema transatlântico a utilizar fibra óptica, abrindo caminho para a internet de alta velocidade entre Estados Unidos e Europa.

A operação de desmantelamento marca o fim simbólico de uma era. Ao mesmo tempo, chama atenção para a importância invisível dos cabos submarinos que, ainda hoje, sustentam praticamente toda a comunicação global.

O cabo que mudou a história da conexão mundial

Inaugurado em 1988, o TAT-8 foi desenvolvido por um consórcio formado por AT&T, British Telecom e France Telecom. Embora tenha sido o oitavo sistema transoceânico no Atlântico, foi o primeiro a utilizar fibra óptica para transmitir grandes volumes de dados entre continentes.

Na época, a capacidade do cabo era revolucionária, mas se esgotou em apenas 18 meses devido ao crescimento acelerado da demanda. Mesmo assim, seu sucesso serviu de modelo para dezenas de novos projetos que expandiram a infraestrutura digital global nas décadas seguintes.

Por que os cabos submarinos são tão essenciais?

Hoje, mais de 95% do tráfego internacional de dados passa por cabos submarinos. São eles que permitem que mensagens, chamadas de vídeo, transações bancárias e serviços de streaming atravessem oceanos em questão de milissegundos.

Embora satélites também sejam utilizados para comunicação, eles não oferecem a mesma capacidade e estabilidade que a fibra óptica submarina. A internet global depende de milhares de quilômetros de cabos instalados no fundo do mar, conectando continentes e sustentando a economia digital.

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O que acontece quando um cabo é aposentado?

O TAT-8 foi retirado de operação em 2002 e permaneceu inativo no fundo do mar por mais de 20 anos. Agora, a Subsea Environmental Services, uma das poucas empresas no mundo especializada na recuperação e reciclagem de cabos submarinos, está conduzindo o processo de remoção.

Além do valor histórico, o reaproveitamento dos materiais também tem impacto ambiental positivo. Componentes como cobre e outros metais podem ser reciclados, reduzindo desperdício e minimizando impactos ecológicos.

Um símbolo do passado em meio a uma nova era digital

O desmonte do TAT-8 acontece em um momento em que a demanda por internet continua crescendo de forma exponencial. Novos cabos, muito mais potentes e eficientes, estão sendo instalados para atender à expansão do tráfego de dados impulsionado por inteligência artificial, streaming em alta definição e computação em nuvem.

Mesmo invisíveis para a maioria das pessoas, os cabos submarinos são a espinha dorsal do mundo conectado. O fim do TAT-8 não representa apenas a retirada de uma estrutura antiga, mas o encerramento de um capítulo fundamental na história da internet global.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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