Dois anos após a previsão de Zuckerberg, a Meta avança com óculos inteligentes com IA, tela na lente, câmera, áudio e pulseira neural, em uma aposta para reduzir o uso do smartphone, embora os celulares ainda continuem dominando o mercado.
A ideia de que os celulares podem ser substituídos por óculos inteligentes ganhou novos capítulos ao longo dos últimos anos.
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, acelerou seus investimentos em dispositivos vestíveis com inteligência artificial e passou a tratar os óculos como uma das principais apostas para o futuro da computação pessoal.
Meta deixou de falar só em futuro e passou a lançar produtos mais avançados
Em 2024, o CPG públicou uma reprotagem sobre o interesse do Mark Zuckberg em substituir os celulares por uma nova tecnologia.
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Desde então, a grande novidade é que a Meta não fala mais apenas de protótipos. Em setembro de 2025, a empresa anunciou o Meta Ray-Ban Display, óculos com uma pequena tela integrada à lente e preço inicial de US$ 799 nos Estados Unidos. (Meta)
O modelo foi apresentado como uma evolução dos Ray-Ban Meta. A tela permite visualizar informações, mensagens, chamadas e recursos de inteligência artificial sem tirar o celular do bolso.
Segundo a Meta, o produto também vem com a Meta Neural Band, uma pulseira que usa sensores de eletromiografia, tecnologia conhecida como EMG, para detectar sinais musculares no pulso e transformar pequenos movimentos da mão em comandos. (Meta)

Pulseira neural permite controlar os óculos com gestos da mão
Na prática, a proposta é que o usuário consiga navegar pela interface dos óculos sem tocar no aparelho e sem pegar o smartphone. A pulseira identifica gestos discretos, como movimentos dos dedos, e envia os comandos para o dispositivo.
Esse ponto é importante porque mostra como a Meta tenta resolver um dos maiores desafios dos óculos inteligentes: criar uma forma simples de controle. Nos celulares, tudo acontece pela tela sensível ao toque. Nos óculos, a empresa aposta em voz, IA e gestos.
Óculos com IA já fazem chamadas, fotos, vídeos e tradução
Além do modelo com tela, a Meta ampliou a família Ray-Ban Meta, que já permite tirar fotos, gravar vídeos, ouvir áudio, fazer chamadas e usar recursos de inteligência artificial por voz.
Segundo a Associated Press, a empresa também apresentou uma versão atualizada dos óculos Ray-Ban, com bateria melhorada e foco em conversas, além do modelo esportivo Oakley Meta Vanguard, integrado a dispositivos Garmin e voltado para atividades físicas. (AP)
Esses recursos mostram que os óculos já conseguem assumir tarefas rápidas que antes dependiam diretamente do celular, principalmente câmera, áudio, chamadas, notificações e assistente virtual.
Produção pode chegar a dezenas de milhões de unidades
Outro sinal de avanço está na escala. Em janeiro de 2026, a Reuters informou que Meta e EssilorLuxottica estudavam dobrar a produção anual dos óculos Ray-Ban com IA para 20 milhões de unidades até o fim de 2026.
Caso a demanda continuasse crescendo, a produção poderia passar de 30 milhões de unidades por ano. (Reuters)
A parceria com a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, ajuda a Meta a tentar transformar os óculos inteligentes em produto de massa, unindo tecnologia, moda e uma marca já conhecida no mercado global.
Apesar dos avanços, celular ainda não chegou ao fim
Mesmo com as novidades, ainda é cedo para dizer que os celulares chegaram ao fim. No próprio material oficial em português, a Meta afirma que os óculos permitem fazer ligações, responder mensagens e manter conexão enquanto “o smartphone permanece no bolso”. (Meta)
Essa frase resume o estágio atual da tecnologia. Os óculos já reduzem a necessidade de pegar o telefone a todo momento, mas ainda funcionam mais como complemento do smartphone do que como substituto total.
Preço, bateria, privacidade, conforto, conexão, aceitação social e dependência de aplicativos ainda são barreiras importantes para uma troca definitiva.
Projeto Orion mostra ambição maior da Meta com realidade aumentada
A Meta também segue trabalhando em projetos mais ambiciosos. Em 2024, a empresa revelou o protótipo Orion, apresentado como óculos de realidade aumentada capazes de projetar elementos digitais no mundo real.
O dispositivo não chegou ao mercado, mas foi usado como demonstração da visão de Zuckerberg para substituir parte da experiência do celular por uma interface visual mais imersiva. (Wired)
Substituição pode ser gradual, não imediata
A novidade em 2026 não é que o celular acabou, mas que a substituição começou a sair do discurso e entrar em uma fase comercial mais concreta.
A Meta já tem óculos com IA, tela, câmera, áudio, comandos por voz e controle por pulseira neural. Ainda assim, o smartphone segue dominante e deve continuar essencial por algum tempo.
O cenário mais realista é de transição gradual. Primeiro, os óculos assumem tarefas rápidas. Depois, com telas melhores, IA mais útil, bateria mais longa e preços mais acessíveis, podem reduzir cada vez mais a dependência do celular.
Zuckerberg ainda não provou que os smartphones vão desaparecer, mas a Meta está tentando construir, peça por peça, o dispositivo que pode disputar esse espaço nos próximos anos.
