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Existe uma quantidade gigantesca de energia escondida sob os nossos pés e cientistas estão correndo contra o tempo para descobrir como transformá-la em eletricidade limpa

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 02/07/2026 às 14:51 Atualizado em 02/07/2026 às 14:55
Usina de energia geotérmica com perfuração profunda alcançando rochas superaquecidas para geração contínua de eletricidade limpa.
Ilustração de uma usina de energia geotérmica superquente mostrando o processo de perfuração profunda para aproveitar o calor extremo das rochas e gerar eletricidade limpa de forma contínua.
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Entenda o que é a energia geotérmica superquente, por que ela desperta interesse global, quais desafios ainda precisam ser superados e como projetos em desenvolvimento podem impulsionar a transição energética de baixo carbono.

A energia geotérmica superquente está no centro de uma corrida tecnológica que busca ampliar a oferta de eletricidade limpa, contínua e de baixas emissões de carbono. Em 2026, a Agência Internacional de Energia (AIE) destacou essa tecnologia no relatório State of Energy Innovation, classificando-a como uma promissora fonte de energia limpa e firme para apoiar a redução do uso de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, empresas e pesquisadores intensificam estudos para tornar sua aplicação comercial viável.

O que é a geotermia superquente?

A energia geotérmica utiliza o calor existente abaixo da superfície terrestre para produzir eletricidade ou aquecimento. Entretanto, a versão superquente busca atingir camadas muito mais profundas.

Nesse caso, rochas acima de 300 °C são alcançadas. Assim, a água entra em estado supercrítico, transportando muito mais energia do que nos sistemas convencionais.

Segundo a Clean Air Task Force, a exploração de apenas 1% desses recursos poderia produzir mais de oito vezes a geração elétrica atual do planeta.

Além disso, a tecnologia pode ampliar o uso da geotermia para regiões que não possuem intensa atividade vulcânica.

Projeto nos Estados Unidos busca marco inédito

Enquanto o interesse cresce, um dos projetos mais observados está sendo desenvolvido no Oregon, Estados Unidos.

A startup Quaise Energy pretende construir, até 2030, aquela que poderá ser a primeira usina geotérmica superquente do mundo.

Inicialmente, a empresa utilizará perfuração convencional nas camadas superiores. Posteriormente, será empregada uma tecnologia criada a partir de pesquisas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Nesse processo, ondas milimétricas eletromagnéticas vaporizam e derretem as rochas, substituindo o corte mecânico tradicional.

Depois disso, água será injetada no subsolo. Em seguida, ela será aquecida pelas rochas profundas, retornará como vapor para movimentar turbinas e, posteriormente, será reciclada no próprio sistema.

A empresa estima produzir 50 megawatts de energia renovável contínua. Posteriormente, a capacidade poderá chegar a 200 megawatts, abastecendo dezenas de milhares de residências.

Por que a tecnologia enfrenta desafios?

Apesar do potencial, diversos obstáculos ainda precisam ser superados.

Principalmente, as perfurações profundas enfrentam temperaturas e pressões extremamente elevadas. Além disso, os custos aumentam conforme os poços se tornam mais profundos.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), ainda será necessário comprovar que os equipamentos, as formações rochosas e as infraestruturas elétricas conseguem operar com segurança durante longos períodos.

Atualmente, nenhuma central geotérmica superquente opera comercialmente.

Vantagens e preocupações ambientais

Diferentemente da energia solar e da eólica, a geotermia pode fornecer eletricidade continuamente, independentemente das condições climáticas.

Além disso, seus defensores destacam que ela ocupa menos área do que grandes parques solares ou eólicos.

Enquanto isso, projetos internacionais também avançam. Na Islândia, pesquisadores receberam recentemente 10 milhões de euros da União Europeia para desenvolver iniciativas semelhantes. Já em 2025, Nova Zelândia e Islândia firmaram um acordo de cooperação tecnológica voltado à segurança energética.

Por outro lado, especialistas alertam para a possibilidade de sismicidade induzida, provocada pela perfuração profunda e pela injeção de fluidos.

Em 2017, um terremoto de magnitude 5,4, próximo ao campo geotérmico de Pohang, na Coreia do Sul, foi associado por pesquisadores a esse fenômeno.

Ainda assim, conforme a Clean Air Task Force, cerca de 2% da energia geotérmica localizada entre três e dez quilômetros de profundidade poderia fornecer o equivalente a 2.000 vezes a atual demanda energética dos Estados Unidos, reforçando o potencial estratégico dessa tecnologia para a transição energética mundial.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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