Em Santa Catarina, o casal do Vibe de Dois mostra o terreno onde a Kombi ainda serve de casa, enquanto a casa container começa com janelas, metalon, solda, pintura da cerca e estudo do terreno para virar base fixa no meio do mato depois de quatro anos viajando pelas Américas.
O casal do Vibe de Dois entrou em nova fase no terreno em Santa Catarina, depois de cruzar as Américas de Kombi. Agora, a construção da casa container marca o início de uma base fixa no meio do mato, com janelas, metalon, solda e pintura da cerca.
A etapa registrada envolve tarefas simples, mas decisivas: cuidar da grama no talude, pintar a cerca, comprar janelas, cortar metalon, preparar molduras, discutir solda e participar da primeira reunião de planejamento do terreno. A ideia é transformar um container de 12 metros em uma estrutura funcional para morar, cozinhar, guardar ferramentas e começar uma nova rotina.
Depois da estrada, a busca por um lugar para voltar
O projeto nasce depois de uma viagem longa. O casal relata que passou quatro anos desbravando o continente americano com a Kombi Manezinha, saindo de Ushuaia, seguindo até o Alasca e chegando ao Ártico. Depois dessa experiência, a construção em Santa Catarina aparece como uma mudança de ciclo.
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A proposta não é abandonar a estrada, mas criar um ponto de retorno. O refúgio é descrito como um lugar de paz, uma base para que eles possam “voar cada vez mais longe” e, ao mesmo tempo, ter um espaço próprio para voltar.
Enquanto a casa container não fica pronta, a Kombi continua servindo como moradia. Eles ainda dormem na Manezinha, enquanto uma estrutura provisória no terreno funciona como apoio para iniciar os trabalhos da construção.
Essa transição dá força à história. O mesmo veículo que levou o casal por diferentes países agora serve como base improvisada para erguer uma nova fase de vida em um terreno rural.
Cerca branca, grama nova e os primeiros cuidados com o terreno

Antes de avançar diretamente no container, o casal mostrou o cuidado com a área externa. A grama aplicada no talude passou por avaliação e recebeu uma fertirrigação, mistura de água com fertilizante, para fortalecer o crescimento em uma época mais fria.
Eles explicam que vêm aprendendo no processo. A hidrossemeadura da grama e a fertirrigação eram novidades para eles, mas passaram a fazer parte da rotina de quem está transformando um terreno bruto em refúgio.
A cerca também entrou na lista de prioridades. O casal comprou tinta branca fosca própria para cerca rural, com proteção anticupim e antimancha, seguindo o padrão visual de outros terrenos da rua. A escolha da cor branca também busca criar unidade estética no loteamento.
Antes da pintura, eles instalaram peças antirrachadura sobre os palanques de eucalipto, para aumentar a vida útil da madeira. Depois, lixaram as tábuas manualmente e começaram a pintura com rolo e pincel, em um trabalho que envolveu família e reforços no terreno.
Trabalho manual mostra o lado real da construção

A rotina no terreno aparece como uma sequência de tentativas, erros e ajustes. A tinta comprada, por exemplo, não foi suficiente para cobrir toda a cerca. O casal calculou que um galão de 16 litros deu para aproximadamente dois terços da estrutura.
Em vez de esconder o erro, eles mostraram a conta falhando e a necessidade de comprar mais material. Também planejaram buscar mais palanques e tábuas para fazer uma cerca lateral de 34 metros, calculando 12 palanques de eucalipto e 34 tábuas.
Esse tipo de bastidor aproxima a construção da vida real. Não há obra perfeita, orçamento fechado ou conhecimento prévio para tudo. A cada etapa, eles aprendem, corrigem e seguem avançando.
A frase que resume o momento é a lógica de fazer devagar. O casal reforça que, no terreno, assim como na vida, muita coisa é feita pela primeira vez, com margem para erro e aprendizado.
Container de 12 metros será a primeira casa no terreno

A parte mais aguardada é a transformação do container. Segundo o casal, a estrutura de 12 metros será a primeira casa do terreno e também deve funcionar como cozinha, base, oficina e galpão.
Por enquanto, o container ainda está no início do processo. Ele já guarda ferramentas, armário, facão, equipamento de solda, motobomba e roçadeira. Mas as primeiras peças específicas da futura casa começaram a chegar.
Entre elas estão duas janelas de 80 por 80 centímetros, pensadas para o quarto, que terá cerca de 2,5 metros de comprimento por 2,44 metros de largura, medida correspondente à largura do container. Também foi comprada uma janela basculante menor para o banheiro.
As janelas pretas marcam a primeira etapa visível da casa container. Ainda são peças pequenas dentro de uma obra grande, mas representam o começo da transformação da “lata velha” em um espaço habitável.
Metalon e solda entram na etapa das janelas

Para instalar janelas e portas no container, o casal precisou preparar estruturas metálicas de reforço. A explicação técnica aparece de forma simples: ao cortar as paredes do container, a chapa pode perder rigidez, então é necessário criar molduras resistentes.
A solução foi comprar barras de metalon para montar as estruturas em volta das aberturas. Eles adquiriram três barras de 6 metros e duas barras de 4 metros, que foram cortadas para facilitar o transporte e o preparo das molduras.
Com ajuda de Tainã, que tem mais experiência nesse tipo de trabalho, o casal levou o material para uma bancada em Florianópolis. Lá, os metalons foram cortados em ângulo para formar molduras adequadas às duas janelas do quarto e à janela basculante do banheiro.
A solda entrou como etapa de alinhamento e fixação. Primeiro, foram feitos pontos de solda para garantir que a moldura ficasse no esquadro; depois, a estrutura poderia ser soldada de forma definitiva antes de ser instalada no container.
Planejamento do terreno vira parte central do projeto
Além do trabalho físico, o casal também começou a estudar a organização geral do terreno. Eles participaram de uma reunião com o escritório Raiz da Terra, responsável por apresentar a primeira proposta de planta baixa, setorização e master plan do refúgio.
A proposta envolve decidir onde cada elemento ficará no sítio, considerando clima, topografia, vento, sol, umidade, verão, inverno e relação entre as áreas. A ideia é pensar antes de construir para evitar arrependimentos depois.
Esse planejamento é importante porque o terreno é grande e oferece muitas possibilidades. Sem estudo prévio, uma construção feita hoje poderia atrapalhar outra decisão no futuro, especialmente em um projeto que pretende seguir princípios de permacultura.
O casal destacou que o planejamento ajuda a aproveitar melhor o que o terreno tem a oferecer. A casa container, a área externa, a base de trabalho e futuras estruturas precisam conversar entre si para que o refúgio funcione de forma coerente.
Banho improvisado mostra que a vida no terreno ainda é rústica
Enquanto a construção avança, a rotina continua improvisada. Em uma tarde fria, com o sol baixando cedo e temperatura marcando cerca de 6°C, o casal mostrou a dificuldade de tomar banho sem chuveiro quente instalado.
Eles compraram um aquecedor portátil a gás, acionado por pilhas, como alternativa para esquentar água. Porém, perceberam que ainda faltavam conexões específicas para ligar o equipamento corretamente.
Sem conseguir instalar o sistema no mesmo dia, a solução foi esquentar água no fogo e usar uma barraca autoarmável como cabine de banho. A estrutura, já usada durante os anos de estrada, serviu novamente como recurso temporário.
Esse detalhe reforça que a casa container ainda está longe de pronta. O refúgio começa com soluções provisórias, frio, ferramentas espalhadas e muita adaptação, antes de ganhar conforto definitivo.
Da Kombi ao container, o projeto mistura viagem e raiz
A história do casal chama atenção porque une dois movimentos opostos: a vida nômade da Kombi e a criação de uma base fixa em Santa Catarina. Depois de anos em deslocamento, eles agora lidam com cerca, grama, janelas, metalon, solda e planejamento territorial.
Mesmo assim, o espírito da viagem continua presente. O refúgio não aparece como encerramento da aventura, mas como ponto de apoio para novas fases. A ideia é ter um lugar de retorno, descanso, trabalho e preparação para próximos passos.
A casa container será parte desse novo formato de vida. Primeiro, ela deve funcionar como cozinha, oficina, galpão e base. Depois, com portas, janelas, tratamento da lataria e parte interna, poderá ganhar características mais próximas de uma moradia.
No fim, a obra mostra que construir uma casa também pode ser uma viagem. E você, acha mais inspirador viver anos na estrada ou criar uma base fixa no meio do mato para continuar explorando o mundo com mais estrutura? Comente sua opinião.


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