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Enquanto o mundo observa o gelo derretendo na superfície, pesquisadores descobrem que a queda de icebergs na Antártida pode gerar tsunamis submarinos poderosos, capazes de agitar o oceano por baixo e alterar a circulação de calor, nutrientes e oxigênio nas águas polares

Escrito por Carla Teles
Publicado em 21/05/2026 às 20:09
Atualizado em 21/05/2026 às 20:11
Enquanto o mundo observa o gelo derretendo na superfície, pesquisadores descobrem que a queda de icebergs na Antártida pode gerar tsunamis submarinos poderosos (2)
Tsunamis submarinos na Antártida: icebergs podem alterar mistura oceânica no Oceano Antártico e afetar calor, nutrientes e vida marinha.
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Os tsunamis submarinos gerados pela queda de icebergs na Antártida estão sendo investigados por equipe liderada pelo British Antarctic Survey, que usa satélites, drones, robôs subaquáticos e modelos computacionais para entender como ondas ocultas misturam calor, nutrientes e oxigênio, afetando clima, vida marinha e derretimento do gelo polar antártico também.

Os tsunamis submarinos provocados pelo desprendimento de icebergs na Antártida passaram a ser investigados por uma equipe internacional liderada pelo British Antarctic Survey. A pesquisa foi divulgada em 15 de janeiro de 2026 e busca entender como a queda de grandes blocos de gelo no oceano pode gerar ondas poderosas abaixo da superfície.

De acordo com o British Antarctic Survey, o fenômeno está sendo estudado na Península Antártica, com trabalhos na Estação de Pesquisa Rothera e a bordo do navio polar britânico RRS Sir David Attenborough. A pergunta central é como esses eventos alteram a mistura de calor, oxigênio e nutrientes nas águas polares, com possíveis efeitos para o clima e os ecossistemas marinhos.

Queda de icebergs pode gerar ondas escondidas de vários metros

Tsunamis submarinos na Antártida: icebergs podem alterar mistura oceânica no Oceano Antártico e afetar calor, nutrientes e vida marinha.
Imagem: British Antarctic Survey (BAS) / Divulgação.

Quando um iceberg se desprende da frente de uma geleira e cai no mar, a energia liberada não se limita ao impacto visível na superfície. Parte dessa força pode se espalhar debaixo d’água, formando tsunamis submarinos capazes de agitar diferentes camadas do oceano.

Essas ondas ocultas podem atingir vários metros de altura e provocar rajadas intensas de mistura oceânica. O ponto mais surpreendente é que o movimento acontece por baixo, longe dos olhos, mas pode reorganizar calor, oxigênio e nutrientes em profundidades diferentes.

Descoberta muda a visão sobre a mistura do oceano polar

Durante muito tempo, a mistura das águas polares foi associada principalmente ao vento, às marés e à perda de calor na superfície do oceano. Esses fatores continuam importantes, mas os novos estudos indicam que os tsunamis submarinos também podem ter papel relevante.

Cálculos iniciais sugerem que, em certos locais, essas ondas podem rivalizar com a mistura provocada pelo vento e superar o efeito das marés na redistribuição de calor. Isso coloca a queda de icebergs como um processo mais importante do que se imaginava na dinâmica do Oceano Antártico.

Fenômeno foi observado por acaso durante expedição científica

O fenômeno ganhou atenção depois que pesquisadores coletaram dados oceânicos antes, durante e depois de um evento de desprendimento de icebergs em uma expedição à Antártida. A observação ocorreu a bordo do antigo navio de pesquisa RRS James Clark Ross.

Esse registro inesperado abriu uma nova linha de investigação. A partir dele, cientistas passaram a buscar respostas sobre como os tsunamis submarinos se formam, como se propagam e de que maneira diferentes tipos de queda de gelo podem gerar ondas com intensidades distintas.

British Antarctic Survey lidera nova fase da pesquisa

A investigação atual é liderada pelo British Antarctic Survey, com participação de instituições do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Polônia. O projeto reúne oceanógrafos, especialistas em geleiras, modeladores climáticos e equipes de campo.

O objetivo é observar o fenômeno com mais detalhe e em diferentes condições. Os pesquisadores querem saber se a estação do ano, o tipo de geleira, o tamanho do iceberg e o ambiente local mudam a forma como os tsunamis submarinos nascem e afetam o oceano.

Satélites, drones e robôs subaquáticos entram no trabalho

Tsunamis submarinos na Antártida: icebergs podem alterar mistura oceânica no Oceano Antártico e afetar calor, nutrientes e vida marinha.
Imagem: British Antarctic Survey (BAS) / Divulgação.

Para estudar áreas perigosas demais para acesso direto, a equipe usa satélites, câmeras remotas, drones e veículos autônomos subaquáticos. Esses equipamentos permitem observar frentes glaciais, registrar desprendimentos e medir os efeitos físicos e biológicos das ondas.

A pesquisa também inclui algoritmos de aprendizado profundo e simulações computacionais. Com isso, os cientistas pretendem modelar como os tsunamis submarinos são gerados, para onde se deslocam e que tipo de mistura provocam nas águas antárticas.

Mistura pode trazer água quente das profundezas

Um dos pontos mais sensíveis é o transporte de calor. Se a mistura oceânica puxar mais água quente das profundezas em direção ao gelo, o processo pode contribuir para acelerar o derretimento de partes da camada de gelo da Antártida.

Esse efeito ainda precisa ser quantificado com precisão. Mas a preocupação existe porque o derretimento antártico está diretamente ligado à elevação do nível do mar. Entender esses mecanismos ocultos ajuda a melhorar os modelos que tentam prever mudanças climáticas futuras.

Nutrientes e fitoplâncton também podem ser afetados

Além do calor, a mistura gerada por tsunamis submarinos pode alterar a distribuição de nutrientes no oceano. Isso importa porque nutrientes sustentam o crescimento do fitoplâncton, organismo microscópico que serve como base para a cadeia alimentar marinha.

Se a disponibilidade de nutrientes muda, a produtividade marinha também pode mudar. Em regiões polares, onde gelo, oceano e atmosfera estão fortemente conectados, pequenas alterações físicas podem se espalhar por processos ecológicos maiores.

Antártida ainda guarda processos pouco conhecidos

A Antártida continua sendo uma das regiões menos compreendidas do planeta. Mesmo com satélites e décadas de pesquisa, muitos processos que conectam gelo, oceano e atmosfera ainda estão sendo descobertos.

O caso dos tsunamis submarinos mostra isso com clareza. Enquanto o debate público costuma focar no gelo derretendo na superfície, parte da transformação pode estar acontecendo por baixo, no movimento invisível das águas ao redor das geleiras.

Aquecimento pode influenciar frequência desses eventos

Uma questão importante para os próximos anos é saber se o aquecimento climático poderá aumentar a frequência ou a intensidade do desprendimento de icebergs. Se mais blocos de gelo caírem no oceano, eventos de mistura associados a essas ondas podem se tornar mais comuns.

Essa resposta ainda não está fechada. O que os cientistas buscam agora é produzir dados suficientes para incluir melhor esse processo nos modelos oceânicos e climáticos, reduzindo incertezas sobre o futuro da Antártida.

Ondas invisíveis podem mudar a forma de entender o gelo antártico

Os tsunamis submarinos revelam que a queda de icebergs pode ser muito mais do que um espetáculo visual de gelo desabando no mar. Ela pode acionar um mecanismo profundo de mistura, circulação e redistribuição de calor, oxigênio e nutrientes.

Agora fica a pergunta: se ondas invisíveis sob a Antártida podem influenciar derretimento, clima e vida marinha, estamos dando atenção suficiente ao que acontece abaixo da superfície do oceano? Você acha que descobertas como essa mudam a forma como enxergamos o futuro das regiões polares? Comente sua opinião.

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Carla Teles

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