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A Índia está asfaltando 1.350 quilômetros de estrada com 8 faixas para ligar suas duas maiores cidades — a viagem de carro entre Délhi e Mumbai vai cair de 24 horas para 12, e 929 quilômetros já estão prontos

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 22/04/2026 às 06:45
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A Índia está construindo uma rodovia de 1.350 quilômetros e 8 faixas que vai cortar pela metade a viagem entre suas duas maiores cidades — de 24 horas para 12

Uma viagem de carro entre Nova Délhi e Mumbai leva hoje cerca de 24 horas por estradas congestionadas, esburacadas e perigosas. Quando a Delhi-Mumbai Expressway estiver completa, esse trajeto cairá para 12 horas em uma rodovia com 8 faixas — expansível para 12 no futuro.

Com investimento estimado de ₹90.000 crores (cerca de R$ 54 bilhões), o projeto atravessa 6 estados indianos e emprega dezenas de milhares de trabalhadores. Segundo dados da National Highway Authority of India (NHAI), mais de 929 quilômetros já estão operacionais.

É a maior rodovia em construção na Índia. E uma das maiores do mundo.

1.350 quilômetros: mais que São Paulo a Porto Alegre em linha reta

A Delhi-Mumbai Expressway conecta a capital política da Índia à sua capital financeira. Para ter uma ideia da escala, são 1.350 quilômetros — mais do que a distância de São Paulo a Porto Alegre.

A rodovia é dividida em 4 seções principais e 52 pacotes de obra, passando pelos estados de Haryana, Rajasthan, Madhya Pradesh, Gujarat, Maharashtra e o território de Délhi.

Cidades como Jaipur, Bhopal, Indore, Ahmedabad e Vadodara ganham acesso direto ao eixo que concentra a maior parte do PIB indiano.

O pedágio de ponta a ponta custará cerca de ₹2.700 — o equivalente a R$ 165 — para um automóvel comum. Para caminhões que fazem o trajeto todos os dias, a economia de tempo representa milhões de rupias em produtividade.

Operários indianos construindo viaduto da Delhi-Mumbai Expressway com guindastes e equipamentos pesados
A construção envolve 52 pacotes de obra espalhados por 6 estados, com centenas de viadutos, pontes e túneis ao longo de 1.350 km.

Mais de 929 km já prontos — e um trecho de 246 km inaugurado pelo primeiro-ministro

O primeiro-ministro Narendra Modi inaugurou pessoalmente o trecho de 246 quilômetros entre Délhi e Dausa-Lalsot em fevereiro de 2023. Esse trecho sozinho reduziu a viagem de Délhi a Jaipur de 5 horas para 3.

Em setembro de 2023, mais 244 quilômetros foram abertos em Madhya Pradesh. Em fevereiro de 2024, a seção Vadodara-Bharuch entrou em operação.

Em julho de 2024, a NHAI reportou que mais de 80% da obra estava concluída, com 96% do setor Délhi-Vadodara (845 km) já finalizado.

Até março de 2026, o trecho Délhi-Vadodara estava “quase 99% concluído”, com exceção do Túnel Mukundra Hills, que deve levar mais 1 a 1,5 ano.

A previsão é que o setor completo Délhi-Vadodara seja inaugurado até dezembro de 2026. O trecho Vadodara-Mumbai, mais complexo por atravessar regiões montanhosas, deve ficar pronto entre 2027 e 2028.

8 faixas, viadutos colossais e um túnel que atravessa uma cadeia de montanhas

A Delhi-Mumbai Expressway não é uma estrada comum. É uma rodovia de acesso controlado, projetada exclusivamente para tráfego de longa distância e carga pesada.

Com 8 faixas desde o primeiro dia — e infraestrutura para expandir para 12 quando a demanda exigir — a expressway é a mais larga já construída na Índia.

Entre os desafios de engenharia, destaca-se o Túnel Mukundra Hills, que atravessa uma reserva natural protegida no Rajasthan. O projeto exigiu estudos ambientais extensos e soluções técnicas para minimizar o impacto na fauna local.

Centenas de viadutos e pontes distribuem o tráfego sobre rios, ferrovias e estradas existentes, evitando cruzamentos que causam engarrafamentos e acidentes.

Ponte moderna da expressway cruzando rio na Índia ao amanhecer
Centenas de pontes e viadutos ao longo dos 1.350 km eliminam cruzamentos e reduzem acidentes em uma das regiões mais movimentadas da Índia.

R$ 54 bilhões que vão redesenhar a economia de 6 estados

A expressway não é apenas uma estrada. É um corredor econômico que vai conectar regiões agrícolas do interior da Índia aos portos e centros industriais de Mumbai e Délhi.

Caminhões que hoje levam 3 dias para transportar carga entre as duas cidades poderão fazer o trajeto em menos de 14 horas. Para a indústria, isso significa estoques menores, entregas mais rápidas e custos logísticos drasticamente reduzidos.

Cidades intermediárias como Jaipur, Bhopal e Ahmedabad ganham acesso direto ao maior corredor de riqueza da Índia, atraindo investimentos industriais e comerciais.

Para uma população de 1,4 bilhão de pessoas, melhorar a conectividade entre os dois maiores polos econômicos tem potencial de transformar centenas de milhões de vidas.

O Brasil tem distâncias semelhantes — mas não tem expressways assim

A distância entre São Paulo e Rio de Janeiro é de 430 quilômetros. A Via Dutra, principal ligação, tem trechos de apenas 2 faixas por sentido, congestionamentos constantes e dezenas de mortes por ano.

A Índia está construindo 1.350 quilômetros de rodovia com 8 faixas. O Brasil não tem nenhuma estrada com essa escala.

Enquanto a NHAI executa 52 pacotes de obra em paralelo com prazos agressivos, o Brasil debate há décadas projetos como a Ferrogrão e a duplicação da BR-101 — sem conclusão à vista.

A Delhi-Mumbai Expressway custou R$ 54 bilhões. Para contexto, o Brasil gastou R$ 33 bilhões com a Copa do Mundo de 2014 em estádios, dos quais vários estão subutilizados.

Caminhoneiros e viajantes descansando em área de serviço moderna da expressway na Índia
Caminhoneiros que hoje levam 3 dias entre Délhi e Mumbai poderão fazer o trajeto em menos de 14 horas pela nova expressway.

Atrasos, custos e o túnel que ainda falta

O cronograma original previa conclusão total em 2024. Isso não aconteceu.

Atrasos em desapropriações, chuvas de monção que paralisam obras por meses e a complexidade do Túnel Mukundra Hills empurraram a data para 2027-2028.

O custo também pode ter subido. Algumas fontes mencionam revisões para ₹1 lakh crore (₹100.000 crores), indicando possível estouro de orçamento.

Mesmo assim, 929 quilômetros já operacionais é um feito impressionante para um país que construiu tudo isso em menos de 7 anos.

Se a Índia consegue erguer 1.350 km de expressway com 8 faixas nesse prazo, o que impede o Brasil de fazer o mesmo entre São Paulo e Rio — 430 km, sem montanhas, sem monsões?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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