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De piada nos EUA a febre entre bilionários do Oriente Médio: após ser um dos maiores fracassos da indústria automotiva, Cybertruck tenta renascer nos Emirados Árabes como símbolo de luxo, impulsionado por ostentação, gasolina barata e uma cultura onde o carro vale mais pela aparência do que pela eficiência

Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/02/2026 às 05:40
Atualizado em 02/02/2026 às 05:41
Assista o vídeoApós queda nas vendas nos EUA, a Tesla lança o Cybertruck nos Emirados Árabes Unidos, apostando em novos mercados. (Imagem: Forbes Brasil)
Após queda nas vendas nos EUA, a Tesla lança o Cybertruck nos Emirados Árabes Unidos, apostando em novos mercados. (Imagem: Forbes Brasil)
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Lançamento no Oriente Médio ocorre em meio a queda de vendas e aposta em novos mercados de alto padrão

A Tesla iniciou a entrega oficial do Cybertruck nos Emirados Árabes Unidos (EAU) em um evento realizado em Dubai.

A ação marca a entrada formal da picape elétrica no mercado do Oriente Médio.

O movimento ocorre em um momento de retração das vendas do modelo nos Estados Unidos, principal mercado da empresa.

Nesse país, os emplacamentos caíram de forma significativa na comparação entre 2024 e 2025, segundo dados do setor automotivo.

Levantamentos da consultoria Cox Automotive, citados pela imprensa especializada, apontam que o Cybertruck teve 20.237 unidades vendidas em 2025, frente a 38.965 no ano anterior.

O número representa uma queda de 48,1%.

O recuo foi ainda mais acentuado no último trimestre do ano.

Nesse período, as vendas somaram 4.140 veículos, contra 12.991 no mesmo intervalo de 2024.

Lançamento do Cybertruck nos Emirados Árabes Unidos

Durante o lançamento nos EAU, a Tesla entregou pouco mais de 60 unidades do Cybertruck a clientes locais.

A informação foi divulgada a partir de dados relacionados ao evento.

A versão Dual Motor AWD passou a ser comercializada por cerca de 404.900 dirhams, valor equivalente a aproximadamente US$ 110 mil na conversão direta.

Já a configuração Cyberbeast, equipada com três motores, tem preço anunciado em torno de 454.900 dirhams, o que corresponde a cerca de US$ 123 mil.

Os valores praticados no país chamam atenção por estarem acima dos preços observados em diferentes momentos no mercado norte-americano.

Ainda assim, esse patamar não representa um obstáculo relevante em um mercado onde veículos de alto valor agregado e modelos exclusivos costumam ter procura constante.

Cidades como Dubai e Abu Dhabi concentram parte significativa desse perfil de consumo.

Vendas do Cybertruck e desempenho abaixo do esperado

Quando foi apresentado ao público, o Cybertruck esteve associado a projeções ambiciosas de produção e vendas.

No entanto, os dados disponíveis para 2024 e 2025 indicam que o modelo não atingiu o volume esperado no mercado americano.

Esse é um segmento onde as picapes tradicionais seguem como líderes de vendas há décadas.

Nos Estados Unidos, veículos como Ford F-Series, Chevrolet Silverado e Ram ocupam historicamente as primeiras posições nos rankings anuais.

O Cybertruck foi lançado com a proposta de disputar esse espaço.

"cemitério" de Cybertruck (Imagem: Reprodução/ Arena EV)
“Cemitério” de Cybertruck (Imagem: Reprodução/ Arena EV)

A estratégia envolvia oferecer uma alternativa elétrica com design fora do padrão, baseado em carroceria de aço inoxidável e linhas geométricas.

Mesmo assim, estimativas publicadas por veículos especializados indicam que o modelo permaneceu restrito a um volume relativamente limitado.

Analistas do setor automotivo apontam que a queda registrada ao longo de 2025 sugere desaceleração da demanda.

Esse movimento ocorreu em um período no qual outros veículos elétricos mantiveram desempenho mais estável em diferentes segmentos de preço.

Expansão internacional da Tesla e estratégia de mercado

A chegada ao Oriente Médio faz parte de uma estratégia de ampliação da presença do Cybertruck fora dos Estados Unidos.

Reportagens sobre o lançamento destacam que o mercado dos EAU funciona como vitrine internacional para veículos de forte apelo visual.

Ainda assim, trata-se de um mercado com escala reduzida quando comparado aos grandes centros consumidores globais.

Antes do lançamento oficial, algumas unidades do Cybertruck já circulavam no país por meio de importações independentes.

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A venda formal pela Tesla permite a oferta de garantia, assistência técnica e serviços oficiais.

Esses fatores são considerados relevantes para consumidores desse perfil.

Nos Emirados Árabes Unidos, a decisão de compra de um veículo elétrico não está necessariamente ligada à economia de combustível.

O país é um dos grandes produtores de petróleo do mundo.

Além disso, apresenta custos de abastecimento historicamente mais baixos.

Segundo especialistas em mercado automotivo, nesse contexto o apelo do Cybertruck tende a estar associado à diferenciação, ao design e à exclusividade.

Debates sobre uso institucional e resistência do Cybertruck

Nos Estados Unidos, o Cybertruck também foi citado em discussões relacionadas a possíveis usos institucionais.

Em fevereiro de 2025, um documento preliminar de compras do Departamento de Estado mencionou a possibilidade de aquisição de veículos descritos como “blindados”.

O valor estimado chegava a US$ 400 milhões.

Posteriormente, a referência direta à Tesla foi retirada.

O órgão informou que a descrição havia sido incluída de forma incorreta.

O documento não especificava fabricante.

Além disso, reportagens indicaram que empresas controladas por Elon Musk, como a SpaceX, passaram a adquirir unidades do Cybertruck para uso interno.

As informações, no entanto, baseiam-se em relatos publicados pela imprensa.

Não houve detalhamento oficial por parte da Tesla.

A empresa não divulgou números, valores ou objetivos específicos dessas aquisições.

Impacto limitado do mercado dos Emirados nas vendas globais

Embora a entrada nos EAU contribua para ampliar a visibilidade do Cybertruck, especialistas avaliam que o impacto é limitado em termos de volume global.

O mercado local é pequeno quando comparado ao norte-americano.

É nos Estados Unidos que se concentram os principais desafios comerciais do modelo.

Os dados de vendas de 2025 indicam que a retração já era expressiva antes da abertura de novos mercados internacionais.

Nesse cenário, a presença no Oriente Médio tende a funcionar como estratégia de diversificação e imagem.

Não há indicação de que a expansão represente solução imediata para recuperar os números nos EUA.

Ainda assim, a operação permite à Tesla testar a receptividade do Cybertruck em mercados de alto poder aquisitivo.

O desempenho futuro deve indicar se a demanda pode se manter de forma consistente fora do eixo tradicional.

Resta saber se essa expansão internacional será suficiente para sustentar o modelo no médio prazo ou se ele continuará restrito a um público específico, interessado principalmente em exclusividade e design.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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