Ações do governo Trump, como aumento de tarifas, impulsionam queda na popularidade americana, enquanto a imagem da China melhora significativamente no país.
Uma nova pesquisa revela uma reviravolta na opinião dos brasileiros: a visão sobre os EUA tornou-se majoritariamente negativa pela primeira vez em dois anos. O estudo da Quaest aponta que 48% dos entrevistados agora têm uma visão desfavorável do país, o dobro do registrado no início de 2024. Em contrapartida, a percepção positiva sobre a China cresceu.
Queda acentuada da imagem dos EUA e ascensão da China
A mudança na percepção sobre os EUA ocorre após o presidente Donald Trump aumentar tarifas sobre exportações brasileiras e endurecer as regras de visto. Estas medidas afetaram um país acostumado a laços econômicos estreitos com Washington.
Segundo a pesquisa Quaest, a visão desfavorável sobre os EUA saltou de 24% para 48%. Enquanto isso, a opinião positiva caiu para 44%. A China seguiu o caminho oposto. A avaliação positiva do país asiático subiu de 38% para 49%, e a visão negativa ficou em 37%.
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Divisão ideológica clara na opinião sobre EUA e China
As descobertas ressaltam uma profunda polarização na política brasileira. “É interessante notar que há uma clara divisão de opinião sobre os países com base na divisão ideológica dos brasileiros”, afirmou Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Eleitores mais à esquerda mantêm uma imagem positiva da China. Já os eleitores de direita são os maiores apoiadores dos EUA. Entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quase 7 em cada 10 expressaram opiniões negativas sobre os EUA. Por outro lado, 60% deles veem a China de forma positiva.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se alinhou a Trump, continuam apoiando Washington. Neste grupo, 72% têm uma visão favorável dos EUA, enquanto 58% manifestaram uma opinião desfavorável sobre a China.
Brasil reafirma soberania em resposta aos EUA
O presidente Lula ecoou as frustrações capturadas na pesquisa. Durante uma reunião de gabinete, ele alertou que o Brasil “não aceitará ser tratado como subordinado”. O presidente enfatizou que o país é soberano.
A mídia local interpretou o encontro como uma preparação para o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU. Espera-se que ele critique a guerra comercial dos EUA. O presidente também vinculou seus comentários à decisão de Trump de impor tarifas pesadas às exportações brasileiras.
América Latina reavalia relações
A reversão do sentimento não é exclusiva do Brasil. Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que a visão favorável à China está crescendo no México, Brasil e Argentina. Mesmo assim, os EUA permanecem como o aliado economicamente mais importante.
No estudo, 56% dos mexicanos e 51% dos brasileiros expressaram uma visão positiva da China. O estudo também constatou que mais pessoas no Brasil e na Argentina identificam a China como a principal força econômica mundial.

Vão mentir assim lá na China que os pariu.