Cada carregador usa duas baterias de armazenamento instaladas no local: elas entregam ao carro mais potência do que uma ligação comum à rede permitiria, diz a BYD.
Cada carregador FLASH Charging, da BYD, guarda 370 kWh em baterias próprias para entregar picos de até 1.500 kW, explica a BYD UK em texto de 14 de agosto de 2026. Em 1º de outubro, a BYD Group anunciou que a tecnologia foi eleita Inovação Tecnológica do Ano no News UK Motor Awards 2026, prêmio britânico.
Como um carregador chega a 1.500 kW se a rede entrega bem menos?
Com baterias no próprio local. A BYD UK explica que cada carregador FLASH Charging usa duas unidades de 185 kWh, somando 370 kWh.

Essas baterias puxam da rede de cerca de 100 kW até 560 kW. Conforme a BYD UK, o valor varia com a infraestrutura local e o movimento de veículos.
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Quando o carro chega, a energia guardada passa a ele. A BYD UK afirma que a taxa fica bem acima da de uma ligação comum à rede.
A rede enche as baterias aos poucos, entre um carro e outro. O carro esvazia tudo de uma vez.
Pela conta com os números da BYD UK, 1.500 kW são cerca de 2,7 vezes os 560 kW e 15 vezes os 100 kW.
Na mesma conta, 370 kWh sustentariam 1.500 kW por uns 15 minutos, em tese, sem perdas nem reposição pela rede.
Quanto tempo leva a recarga, segundo a BYD?
Segundo a BYD UK, o FLASH Charging leva de 10% a 70% em cinco minutos e de 10% a 97% em nove. Em frio extremo de -30 °C, de 20% a 97% em 12 minutos.

A empresa resume numa fórmula: pronto em cinco, cheio em nove, mais três no frio.
A BYD UK informa ganho de mais de 320 km (200 milhas) de autonomia em cinco minutos de recarga, num carregador adequado.
O pico de 1.500 kW vale para um único conector. A BYD UK explica que cada carregador tem dois e, usados juntos, entregam até 1.000 kW cada.
O prêmio de 1º de outubro foi decidido por jornalistas de automóveis dos títulos da News UK, informa a BYD Group.
O que o carro precisa ter para usar esse carregador?
Uma bateria preparada. A BYD UK afirma que as velocidades do FLASH Charging só são possíveis com a Blade Battery 2.0.
A segunda geração traz cátodo Flash-Release, eletrólito Flash-Flow e ânodo Flash-intercalate. Segundo a empresa, eles reduzem a resistência interna e o calor.
O pico declarado pela BYD é de 10C. Como 1C é uma carga completa em uma hora, 10C mantidos do começo ao fim dariam seis minutos, o que não acontece na prática: a própria BYD fala em nove minutos de 10% a 97%.
A BYD UK cita o Denza Z9 GT, primeiro a chegar ao Reino Unido com essa capacidade, e o esportivo Denza Z. Também informa que híbridos plug-in DM-i são compatíveis.
O exemplo de híbrido plug-in da BYD UK é o Denza D9 vendido no Reino Unido, com bateria de 58,5 kWh e 209 km (130 milhas) de autonomia só no modo elétrico. A BYD UK afirma que ele faz de 10% a 70% em cinco minutos.
Fazendo a conta: são 35,1 kWh em 5 minutos, cerca de 421 kW de média, bem abaixo do pico de 1.500 kW. Pico e média são coisas diferentes.
Qualquer carro com conector CCS2 pode se ligar ao carregador. A BYD UK explica que, nesse caso, o carro limita a velocidade, não o equipamento. Ou seja: nem todo elétrico faz essa recarga.
Por que o carregador tem formato de T?
Para pendurar os cabos na vertical, em dois trilhos. A BYD UK explica que a gravidade segura o peso e o plugue fica leve de manobrar.
A fabricante afirma que muitos carregadores públicos têm cabos grossos montados baixo, pesados de mover. Eles arrastam no piso e, com mau tempo, ficam molhados ou sujos.
No carregador FLASH Charging em T, cada conector corre num trilho. A BYD UK detalha que o conector alcança a entrada do carro em qualquer posição. Pendurado, fica longe da chuva e da sujeira.
A bateria do carregador usa energia solar?
É um plano da BYD UK, e só para alguns locais. A empresa informa que a energia solar será instalada de forma seletiva nos pontos de recarga FLASH Charging.
Em hubs grandes, como postos de estrada, parques comerciais e concessionárias com espaço, haverá painéis em telhados ou coberturas de estacionamento, detalha a empresa.
Nesses locais, a bateria de armazenamento pode guardar a energia gerada para uso do carregador. Em pontos urbanos compactos, a empresa afirma que usará energia renovável certificada, comprada fora do local.
Esse carregador já funciona no Brasil?
Sim, em um ponto. Em 1º de outubro, a BYD Brasil anunciou a estreia comercial do FLASH Charging na concessionária Denza de Brasília, do Grupo Saga, segundo o release da empresa. O Brasil seria o primeiro país das Américas com o sistema em operação comercial, afirma a BYD.
Por aqui, o primeiro modelo compatível é o Denza Z9 GT, informa a empresa, que prevê mil carregadores no país até o fim de 2027. A estreia do sistema em Brasília traz potência de até 1.500 kW, diz a BYD Brasil.
Os tempos acima são da BYD UK, valem para carros compatíveis e não são medição feita no aparelho de Brasília. A BYD Brasil fala em até 400 km de autonomia em cinco minutos, contra os mais de 320 km da BYD UK: são números de mercados diferentes.
