Galvani Fertilizantes avança com projeto de mais de R$ 500 milhões em Irecê, na Bahia, que terá beneficiamento a seco e não utilizará barragem de rejeitos.
A Galvani Fertilizantes avança na implantação de uma nova operação de mineração em Irecê, no semiárido da Bahia, com investimento superior a R$ 500 milhões e uma rota de beneficiamento que dispensa água na etapa de concentração do minério. O empreendimento, chamado Projeto Minério Primário de Irecê, já possui mais de 60% da engenharia concluída e foi concebido para produzir concentrado fosfático e corretivo agrícola sem utilizar barragem de rejeitos.
A previsão apresentada pela companhia é concluir a implantação até o fim do ano e iniciar as atividades no começo do ano seguinte. Quando atingir a capacidade projetada, a unidade poderá entregar até 350 mil toneladas anuais de concentrado fosfático, além de chegar a 600 mil toneladas por ano de corretivo agrícola.
Equipamento de R$ 160 milhões exigiu operação especial de transporte
Uma das peças centrais do projeto já percorreu um caminho de grandes proporções antes mesmo de começar a operar. O calcinador utilizado no beneficiamento veio da China e chegou à planta em meados do ano passado.
-
Aura Minerals fecha acordo de R$ 612 milhões para assumir frota de mineração em três minas de ouro no Brasil
-
Mineradora paralisa produção de minério de ferro em Minas Gerais e concentra esforços em terras raras
-
Doze novos furos encontram prata de alto teor, ouro, cobre, chumbo e zinco em Madre Sierra, projeto mineral localizado no Peru
-
Cientistas querem transformar esporos de bactérias em filtros para recuperar terras raras e metais valiosos da água de minas e abrir caminho para novas fontes de metais estratégicos
Adquirido da Metso, o equipamento tem valor estimado em R$ 160 milhões. Totalmente montado, alcança aproximadamente 140 metros de comprimento e quase seis metros de diâmetro. O deslocamento até o interior da Bahia exigiu uma operação logística específica. A estrutura foi repartida entre 14 veículos especiais, e somente o transporte consumiu mais de R$ 20 milhões.

Esse desafio não se limita ao calcinador. Christiano Brandão, gerente corporativo de Licenciamento, Meio Ambiente, Direitos Minerários e Gestão Fundiária da Galvani, explicou que equipamentos importados desembarcam em terminais marítimos e depois precisam seguir por rodovia até Irecê. Como exemplo, o percurso a partir do Porto de Salvador se aproxima de 500 quilômetros, passando por estradas de tráfego difícil.
Processo a seco muda a forma de beneficiar o fosfato
O calcinador terá capacidade nominal para processar 1,25 milhão de toneladas de fosfato por ano e ocupará uma função central na unidade de beneficiamento.
A tecnologia adotada pela Galvani Fertilizantes substitui uma etapa de concentração por via úmida por um processo seco. Segundo a companhia, trata-se da primeira aplicação desse tipo no país para produção de fertilizantes a partir de minério fosfatado.
Na prática, a rota escolhida elimina a necessidade de água nessa fase do beneficiamento e também retira do projeto a utilização de barragem para disposição dos rejeitos.
Entre as características previstas para a operação estão:
- beneficiamento do minério com calcinação a seco;
- aproveitamento integral dos materiais descartados pelo processo para geração de subprodutos agrícolas;
- produção anual de até 600 mil toneladas de corretivo;
- capacidade de 350 mil toneladas por ano de concentrado fosfático;
- processamento nominal de 1,25 milhão de toneladas anuais no calcinador.
O corretivo agrícola produzido na unidade será rico em cálcio, magnésio e fósforo.
Produção de Irecê terá destino dentro da própria operação da Galvani
A nova mina não foi planejada como uma unidade isolada. O material produzido em Irecê deverá abastecer o Complexo Industrial Luís Eduardo Magalhães, também localizado na Bahia.
Essa integração atende à atuação da empresa nos mercados do Norte e do Nordeste. Os fertilizantes da companhia chegam à região do Matopiba, formada por áreas situadas na confluência de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A expansão em Irecê amplia a presença mineral da companhia no estado. O empreendimento será a segunda operação de mineração da Galvani em território baiano. A outra unidade fica em Angico dos Dias, distrito pertencente ao município de Campo Alegre de Lourdes, também no semiárido.
Projeto é desenvolvido com a CBPM e terá operação contratada
O empreendimento de Irecê é desenvolvido em conjunto com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). Na etapa operacional da mina, a Fagundes Construção e Mineração possui contrato para executar os serviços de perfuração e realizar a operação da atividade mineral.
Os detalhes mais recentes do projeto foram apresentados por Christiano Brandão durante o Workshop Opex 2026, promovido em junho, em Belo Horizonte, pela revista Minérios & Minerales. Segundo o executivo, as obras estão em estágio avançado. A conclusão da implantação até o fim do ano é o próximo marco previsto antes da entrada em operação.
