Alta dos custos, crédito mais difícil e inflação pressionada reorganizam o cenário da construção civil e ampliam preocupações sobre o preço dos imóveis
Uma nova pressão de custos passou a atingir a construção civil brasileira nos primeiros meses de 2026, ampliando preocupações no setor imobiliário. A Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que o preço médio de insumos e matérias-primas voltou a subir com força no primeiro trimestre do ano. O avanço ocorre em meio a inflação persistente, juros elevados e maior dificuldade de acesso ao crédito, fatores que apertam as margens das construtoras. Esse cenário reforça o risco de novos impactos no preço do metro quadrado, que já vinha em forte alta desde a pandemia.
Custos da construção avançam e pressionam empresas
O índice que mede a evolução do preço médio de insumos e matérias-primas subiu 6,8 pontos em relação ao quarto trimestre de 2025. Com isso, o indicador chegou a 68,4 pontos no primeiro trimestre de 2026, bem acima da linha de equilíbrio de 50 pontos. O resultado mostra que os custos seguem pressionados e continuam afetando diretamente o planejamento financeiro das empresas. Materiais mais caros, margens apertadas e despesas operacionais maiores tornam novos projetos mais difíceis de equilibrar.
Juros altos viram o maior problema do setor
Os juros elevados assumiram a primeira posição no ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria da construção. O custo do crédito passou a preocupar mais o empresariado do que a falta de mão de obra, que também pressiona as despesas. O indicador que mede a facilidade de acesso ao crédito caiu de 39 pontos para 37,7 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Como a linha de equilíbrio é de 50 pontos, o resultado indica um ambiente financeiro mais restrito para construtoras e novos empreendimentos.
-
O Mali quer abrir caminho para o oceano cavando 900 km de hidrovia pelo Rio Senegal: projeto de US$ 800 milhões promete reduzir custos logísticos em até 60%, criar uma rota direta ao Atlântico e transformar a exportação de ouro de um dos países mais isolados da África sem depender de estradas ou ferrovias
-
Quanto custa o metro do reboco? Profissional cita média entre R$ 25 e R$ 30
-
Um estudo na China revelou que as juntas de borracha que vedam os túneis submersos sob o mar se degradam muito mais rápido do que se imaginava quando a salinidade e a compressão constante agem juntas, perdendo até 67% da força de vedação ao longo da vida útil, embora as obras existentes não corram risco imediato
-
O Corredor de Lobito, uma ferrovia que rasga a África para levar o cobre do interior até o Atlântico, começa a sair do papel
Inflação e combustíveis ampliam a pressão
O cenário já vinha inflacionário, mas piorou com os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. O aumento dos combustíveis passou a impactar praticamente toda a economia e elevou ainda mais os custos da cadeia produtiva. As expectativas de inflação também continuaram subindo, conforme apontado no Boletim Focus, do Banco Central. Por consequência, a possibilidade de juros mais baixos perdeu força e permaneceu em compasso de espera.
Metro quadrado pode ficar ainda mais caro
Com custos mais altos, crédito mais difícil e margens reduzidas, o preço do metro quadrado tende a sofrer novos impactos em 2026. A construção civil já acumulava pressão desde a pandemia, quando o valor dos imóveis passou a subir por diferentes motivos, incluindo o encarecimento dos insumos. Esse conjunto de fatores cria um ambiente mais desafiador para empresas e consumidores.
Mediante este cenário, até que ponto o custo da construção ainda pode pesar no preço final dos imóveis?

-
1 pessoa reagiu a isso.