Explore a misteriosa escola de astronautas na Suíça onde estudantes simulam missões lunares e fazem Ciência para o futuro.
O que parecia apenas uma antiga fortaleza militar na Suíça se transformou, recentemente, em um dos ambientes mais fascinantes para quem deseja entender como será o futuro das missões espaciais.
Nove estudantes internacionais passaram mais de duas semanas isolados sob uma montanha para viver uma experiência que imita, com precisão, os desafios da Lua.
Eles fazem parte da Asclepios, uma iniciativa estudantil global que simula treinamentos reais de astronautas e atrai jovens apaixonados por Ciência e exploração espacial.
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A missão mais recente ocorreu entre julho e agosto, em Sasso San Gottardo, uma estrutura subterrânea com 3,5 km de túneis frios e estreitos, que mantém temperatura constante de 6 °C.
O local foi escolhido porque reproduz com realismo as cavernas lunares — os chamados túneis de lava — onde futuras bases humanas poderão ser instaladas.
Missão Asclepios: a Ciência por trás da escola de astronautas escondida na Suíça
A escola de astronautas criada pelo projeto Asclepios funciona de forma diferente de qualquer outro treinamento científico no mundo. Ela é gerida inteiramente por estudantes e oferece a experiência de forma gratuita, algo raro no setor espacial.
Segundo Katie Mulry, estudante americana de engenharia aeroespacial e uma das líderes do programa, a ideia é ampliar o acesso à Ciência espacial:
“Esperamos que isso inspire as pessoas e possa criar oportunidades para que os estudantes entrem no setor espacial em qualquer cargo de seu interesse, transformando-se nos profissionais do espaço de amanhã.”
Assim, a missão funciona como uma porta de entrada real para o futuro das carreiras espaciais.
Uma tripulação jovem, internacional e movida pelo Futuro
Entre os participantes desta edição está o brasileiro Mateus de Magalhães, 27 anos, que atua como capitão da missão. Ele coordena a tripulação, toma decisões críticas e mantém a organização da “base lunar”.
Para Magalhães, participar da simulação é um passo essencial:
“Existem outras simulações da Lua e de Marte, mas a maioria é paga e o custo é muito alto.”
O caráter gratuito torna a iniciativa uma oportunidade única — e uma verdadeira curiosidade científica.
Viver como astronauta: fraldas, longas noites e Ciência em tempo integral
Durante os 16 dias de isolamento, os aspirantes a astronautas enfrentam situações que vão muito além da imaginação. O “foguete” da viagem simulada é apenas um pequeno quarto com camas dobráveis e sem banheiro — por isso, precisam usar fraldas durante o “trajeto até a Lua”.
Depois da chegada à base lunar simulada, eles seguem uma rotina intensa:
Alimentação com comida desidratada real;
Experimentos científicos diários;
Atividades extraveiculares simuladas;
Caminhadas noturnas nas montanhas, evitando qualquer exposição ao sol.
Essa ambientação extrema ajuda a investigar os limites do corpo humano e testa tecnologias aplicáveis ao futuro da exploração espacial.
Ciência aplicada: o experimento que estuda o sono no espaço
O experimento principal desta edição se chama Kronoespazio, liderado pela pesquisadora Maria Comas Soberats.
Nesse contexto, a equipe avalia como a ausência total de luz natural altera o ritmo circadiano, o humor e o sono, o que permite, inclusive, entender melhor o impacto dessas condições extremas no desempenho humano.
“É inspirador observar como uma iniciativa estudantil como a Asclepios pode envolver pesquisadores de diferentes países em colaboração”, afirma Comas.
Além disso, os resultados iniciais já começaram a ser analisados e indicam, assim, que as descobertas poderão influenciar tanto missões espaciais reais quanto a rotina de trabalhadores na Terra que enfrentam longas jornadas em ambientes extremos.
Futuro: como a escola de astronautas pode transformar o planeta
Lauren Victoria Paulson, engenheira-chefe da missão, destaca como essas descobertas podem transformar a vida na Terra. Além disso, ela explica que:
“Quando projetamos para o espaço, podemos adaptar essas tecnologias e idealizar projetos para pessoas que moram em ambientes de frio extremo, desertos e regiões com muito pouca água.”
Dessa forma, a escola de astronautas escondida nos Alpes não forma apenas futuros astronautas — ela desenvolve, de fato, soluções que podem beneficiar toda a humanidade.
Por isso, o objetivo é claro: entender como o corpo, a mente e a tecnologia reagem a condições extremas, preparando o terreno para a próxima geração de astronautas.

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