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Crise global expõe por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo urgente

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 08/12/2025 às 22:38
Especialistas revelam por que discurso da transição energética precisa de realismo diante do avanço dos fósseis e da queda dos investimentos.
Foto: IA
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Especialistas revelam por que discurso da transição energética precisa de realismo diante do avanço dos fósseis e da queda dos investimentos.

A discussão sobre por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo ganhou destaque após especialistas alertarem.

Eles afirmam que a mudança para fontes limpas enfrenta custos elevados, incertezas econômicas e um cenário político cada vez mais resistente.

Logo na abertura dos debates, líderes do setor afirmaram que a transição energética vive um impasse.

Embora governos e instituições defendam metas ousadas até 2030, o capital global está migrando novamente para petróleo, gás e outras fontes tradicionais.

Investimentos travados revelam por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo  

A BloombergNEF estima que o mundo precisa investir US$ 5,6 trilhões por ano até 2030 para que a transição avance no ritmo desejado.

No entanto, o fluxo real de investimentos está reduzindo e, muitas vezes, desviando para o setor fóssil. 

Além disso, o colapso da Net Zero Banking Alliance, que reunia quase 150 bancos desde 2021, tornou-se um símbolo da frustração financeira global.

Saídas em massa ao longo de 2024 e 2025 enfraqueceram a aliança e evidenciaram que parte do sistema bancário não vê mais viabilidade nas metas de neutralidade de carbono.

Isso reforça, para vários analistas. 

Grandes empresas recuam e reacendem a corrida pelos hidrocarbonetos 

Companhias de energia reduziram investimentos em projetos verdes e reforçaram a exploração de hidrocarbonetos, buscando receitas mais estáveis.

Esse comportamento, segundo especialistas presentes na conferência, sinaliza que a transição não está ocorrendo na velocidade imaginada e que a dependência de petróleo e gás continua intensa. 

Assim, o mercado demonstra, na prática, especialmente quando lucros e segurança energética entram em jogo. 

Especialistas defendem realismo: fontes renováveis ainda são intermitentes 

Lucian “Lou” Pugliaresi, presidente da Energy Policy Research Foundation, destacou no evento que a eletrificação avança, mas ainda depende fortemente de combustíveis fósseis. 

Segundo ele: 
“As principais fontes de renováveis continuam intermitentes, enquanto a demanda ainda se baseia em grande medida nos hidrocarbonetos.” 

Pugliaresi afirmou ainda que um dos poucos exemplos de descarbonização eficiente foi a substituição do carvão por gás natural.

Para ele, por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo está ligado ao entendimento de que nem todas as soluções verdes entregam resultados proporcionais aos custos. 

Ele também alertou sobre o impacto do setor de tecnologia na demanda energética: 

“É um mundo em que os ‘tech bros’ precisam de energia e não fazem distinção quanto ao tipo de combustível.” 

Guerra da Ucrânia expõe limites das renováveis e mostra por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo 

Christof Rühl, economista do Center on Global Energy Policy da Universidade Columbia, reforçou que o mundo superestimou os avanços das últimas décadas. 

Segundo ele: 

“O que alcançamos nos últimos 35 anos não é motivo de comemoração, já que a demanda de energia ainda está em grande parte assentada em petróleo e gás.” 

Ao comentar a crise energética de 2022, causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, Rühl afirmou que foram os combustíveis fósseis e não as renováveis que estabilizaram o mercado: 

“Foram os combustíveis fósseis que salvaram o dia.” 

Hidrocarbonetos continuarão essenciais por décadas 

Para Rühl, mesmo com investimentos crescentes em transição energética, petróleo e gás seguirão relevantes por muito tempo. 

Ele afirmou: 
“Os atores do Oriente Médio vão vencer essa corrida e manter o petróleo em cena.” 

Esse cenário confirma que o mundo ainda depende fortemente da extração de hidrocarbonetos, reforçando por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo como pauta urgente. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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