Especialistas revelam por que discurso da transição energética precisa de realismo diante do avanço dos fósseis e da queda dos investimentos.
A discussão sobre por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo ganhou destaque após especialistas alertarem.
Eles afirmam que a mudança para fontes limpas enfrenta custos elevados, incertezas econômicas e um cenário político cada vez mais resistente.
Logo na abertura dos debates, líderes do setor afirmaram que a transição energética vive um impasse.
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Embora governos e instituições defendam metas ousadas até 2030, o capital global está migrando novamente para petróleo, gás e outras fontes tradicionais.
Investimentos travados revelam por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo
A BloombergNEF estima que o mundo precisa investir US$ 5,6 trilhões por ano até 2030 para que a transição avance no ritmo desejado.
No entanto, o fluxo real de investimentos está reduzindo e, muitas vezes, desviando para o setor fóssil.
Além disso, o colapso da Net Zero Banking Alliance, que reunia quase 150 bancos desde 2021, tornou-se um símbolo da frustração financeira global.
Saídas em massa ao longo de 2024 e 2025 enfraqueceram a aliança e evidenciaram que parte do sistema bancário não vê mais viabilidade nas metas de neutralidade de carbono.
Isso reforça, para vários analistas.
Grandes empresas recuam e reacendem a corrida pelos hidrocarbonetos
Companhias de energia reduziram investimentos em projetos verdes e reforçaram a exploração de hidrocarbonetos, buscando receitas mais estáveis.
Esse comportamento, segundo especialistas presentes na conferência, sinaliza que a transição não está ocorrendo na velocidade imaginada e que a dependência de petróleo e gás continua intensa.
Assim, o mercado demonstra, na prática, especialmente quando lucros e segurança energética entram em jogo.
Especialistas defendem realismo: fontes renováveis ainda são intermitentes
Lucian “Lou” Pugliaresi, presidente da Energy Policy Research Foundation, destacou no evento que a eletrificação avança, mas ainda depende fortemente de combustíveis fósseis.
Segundo ele:
“As principais fontes de renováveis continuam intermitentes, enquanto a demanda ainda se baseia em grande medida nos hidrocarbonetos.”
Pugliaresi afirmou ainda que um dos poucos exemplos de descarbonização eficiente foi a substituição do carvão por gás natural.
Para ele, por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo está ligado ao entendimento de que nem todas as soluções verdes entregam resultados proporcionais aos custos.
Ele também alertou sobre o impacto do setor de tecnologia na demanda energética:
“É um mundo em que os ‘tech bros’ precisam de energia e não fazem distinção quanto ao tipo de combustível.”
Guerra da Ucrânia expõe limites das renováveis e mostra por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo
Christof Rühl, economista do Center on Global Energy Policy da Universidade Columbia, reforçou que o mundo superestimou os avanços das últimas décadas.
Segundo ele:
“O que alcançamos nos últimos 35 anos não é motivo de comemoração, já que a demanda de energia ainda está em grande parte assentada em petróleo e gás.”
Ao comentar a crise energética de 2022, causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, Rühl afirmou que foram os combustíveis fósseis e não as renováveis que estabilizaram o mercado:
“Foram os combustíveis fósseis que salvaram o dia.”
Hidrocarbonetos continuarão essenciais por décadas
Para Rühl, mesmo com investimentos crescentes em transição energética, petróleo e gás seguirão relevantes por muito tempo.
Ele afirmou:
“Os atores do Oriente Médio vão vencer essa corrida e manter o petróleo em cena.”
Esse cenário confirma que o mundo ainda depende fortemente da extração de hidrocarbonetos, reforçando por que o discurso sobre transição energética precisa de uma dose de realismo como pauta urgente.
