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Crise do petróleo empurra Cuba para a energia solar enquanto moradores de Havana recorrem a carvão, motos elétricas e painéis fotovoltaicos para sobreviver aos apagões constantes; impacto das sanções de Trump são sentidas por todos os moradores

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 16/02/2026 às 20:38
Atualizado em 16/02/2026 às 20:39
Assista o vídeoCuba amplia o uso de energia solar em meio à falta de petróleo e apagões. Moradores de Havana recorrem a carvão e painéis solares para enfrentar cortes de energia.
Cuba amplia o uso de energia solar em meio à falta de petróleo e apagões. Moradores de Havana recorrem a carvão e painéis solares para enfrentar cortes de energia.
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Cuba amplia o uso de energia solar em meio à falta de petróleo e apagões. Moradores de Havana recorrem a carvão e painéis solares para enfrentar cortes de energia.

A energia solar começou a ganhar espaço em Cuba em um momento de desespero. Com o petróleo cada vez mais escasso e cortes de eletricidade que chegam a durar até 12 horas por dia, moradores de Havana passaram a buscar qualquer alternativa que permita cozinhar, iluminar a casa e manter equipamentos básicos funcionando.

Ao mesmo tempo, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que ameaça punir países que forneçam combustível à ilha, agravou ainda mais o cenário. 

Como resultado, a população começou a estocar carvão, usar motos elétricas e, sempre que possível, investir em painéis de energia solar.

Carvão volta às ruas enquanto a energia some

Em uma estrada na periferia sudeste da capital, vendedores passaram a oferecer carvão diretamente sobre o asfalto. 

Fogareiros artesanais dividem espaço com sacos pretos empilhados. Alguns desses fogões são feitos com antigos tambores de máquinas de lavar. Outros são mais elaborados.

“Todo mundo sabe o que vem agora. Não temos combustível no país, é preciso buscar alternativas”, disse à AFP Niurbis Lamothe, funcionária pública de 53 anos, após comprar um fogão a carvão.

O comerciante Yurisnel Agosto, de 36 anos, confirmou que nunca vendeu tanto carvão. Antes, pizzarias e restaurantes eram seus principais clientes. Agora, famílias inteiras compram sacos para uso doméstico.

“As pessoas vêm e compram três sacos para se preparar para quando não houver eletricidade”, contou, enquanto empilhava os produtos à beira da estrada.

Enquanto isso, os cortes de energia se tornam mais frequentes e longos. Muitas regiões passam de 10 a 12 horas por dia sem eletricidade. Esse cenário força a população a buscar alternativas urgentes, o que fortalece ainda mais o interesse pela energia solar.

Painéis solares viram esperança em meio ao colapso

Desde 2024, empresas de instalação de sistemas de energia solar se multiplicaram em Cuba. O governo facilitou a importação dos equipamentos, o que acelerou o crescimento do setor.

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“As pessoas estão desesperadas para resolver”, disse à AFP Reinier Hernández, de 42 anos, dono de uma empresa privada de instalação. Segundo ele, a demanda cresceu de forma explosiva. 

Desde meados de janeiro, quase não há descanso. Telefonemas, orçamentos e visitas a clientes ocupam o dia inteiro.

“Nas últimas duas semanas, não descansei”, contou Orley Estrada, de 30 anos, chefe de equipe. “Algumas vezes cheguei em casa à uma da manhã”, afirmou, enquanto os clientes continuam ligando sem parar.

Igreja também aposta em energia solar para manter refeições

No bairro de Guanabacoa, no leste de Havana, a energia solar também chegou a um lar de idosos administrado pela Igreja Católica. No telhado, operários instalam 12 painéis solares.

Com o sistema, será possível preparar refeições para cerca de 80 pessoas. “Sem eletricidade, não tínhamos outra opção”, explicou à AFP a irmã Gertrudis Abreu. Para viabilizar o projeto, foi preciso arrecadar cerca de 7 mil dólares, quase R$ 37 mil, em doações.

A economia cubana encolheu cerca de 5% em 2025, segundo o Centro de Estudos da Economia Cubana. 

Além disso, o país já enfrenta falta de alimentos, medicamentos e combustível. O embargo dos EUA, em vigor há mais de 60 anos, agora se soma à crise do petróleo, agravada após a queda de Nicolás Maduro, que fornecia combustível por meio da Venezuela.

Sem petróleo suficiente, Cuba tenta se manter de pé com carvão, improviso e, cada vez mais, energia solar.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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