Criador do Orkut critica o modelo atual das redes sociais e afirma que ainda é possível reconstruir uma internet mais humana, segura e focada em conexões reais.
O engenheiro de software Orkut Büyükkökten, criador da antiga rede social Orkut, afirmou que o modelo dominante das redes sociais atuais se afastou do propósito original de promover conexões humanas.
Segundo ele, ainda há espaço para plataformas digitais mais saudáveis, desde que sejam guiadas por escolhas conscientes de design e negócios.
A declaração foi feita durante entrevista concedida antes de sua participação no evento Voices 2025.
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Orkut diz que redes priorizaram engajamento em vez de conexão
De acordo com Büyükkökten, as primeiras redes sociais tinham como foco central a criação de comunidades e o fortalecimento de vínculos entre pessoas com interesses em comum.
Com o passar dos anos, porém, esse modelo foi substituído por estratégias voltadas ao aumento do tempo de permanência dos usuários nas plataformas.
Para ele, essa mudança alterou profundamente a experiência digital. O engenheiro atribui essa transformação à adoção de modelos de negócio baseados em publicidade direcionada e coleta massiva de dados.
Segundo ele, as plataformas passaram a favorecer conteúdos que despertam emoções intensas, como indignação e conflito, por gerarem mais interação e retorno financeiro.
Apesar das críticas, Büyükkökten afirmou que não considera a situação irreversível. Ele defende que ambientes digitais mais positivos podem ser recriados.
Segundo o criador do Orkut, a mudança depende menos de limitações tecnológicas e mais da intenção das empresas que desenvolvem as plataformas.
Engenheiro desenvolve novo projeto com foco em bem-estar digital
Durante a entrevista, Orkut confirmou que trabalha em um novo projeto de rede social.
A proposta, segundo ele, não tem como objetivo reviver o Orkut, mas criar uma plataforma alinhada a valores como amizade, gentileza e pertencimento.
Ele afirmou que a iniciativa surge como resposta ao aumento da solidão e do isolamento, especialmente entre jovens.
Nova plataforma prioriza princípios humanos
Büyükkökten explicou que o desenvolvimento do novo produto parte de princípios diferentes dos adotados atualmente no mercado.
Entre os pilares citados estão o incentivo a interações autênticas, a redução da lógica de competição por atenção e o estímulo a comunidades menores e mais significativas.
O engenheiro também comentou o impacto da inteligência artificial nas redes sociais.
Segundo ele, a produção massiva de conteúdo automatizado dificultou a distinção entre interações humanas e sistemas artificiais.
Para Orkut, esse cenário contribui para uma crise de confiança, em que usuários passam a duvidar da autenticidade do que consomem on-line.
Criador afirma que a IA pode ser usada de forma responsável
Apesar das preocupações, Büyükkökten ressaltou que a inteligência artificial não deve ser vista apenas como uma ameaça.
Ele defendeu que, se utilizada com critérios éticos, a tecnologia pode ajudar a tornar a internet mais segura, inclusive no combate à desinformação.
Plataformas precisam assumir papel ativo contra conteúdos nocivos
Segundo o engenheiro, as redes sociais têm responsabilidade direta sobre o ambiente que criam, já que seus algoritmos influenciam comportamentos e visibilidade de conteúdos.
Ele afirmou que moderação isolada não é suficiente e que as empresas precisam repensar o funcionamento estrutural das plataformas.
Ao falar sobre o futuro, Büyükkökten afirmou acreditar que plataformas que priorizam bem-estar, empatia e conexões reais tendem a ganhar espaço nos próximos anos.
Para ele, o esgotamento dos usuários com ambientes tóxicos pode impulsionar uma nova fase da internet, mais centrada no humano.


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