Segundo reportagem do South China Morning Post, publicada em 6 de junho de 2026, o porto histórico de Ouidah, no Benin, será integrado ao projeto La Marina por construtoras chinesas, conectando turismo à beira-mar, rota da escravidão e memorial do Portão do Não Retorno na costa atlântica africana.
O porto histórico de Ouidah, cidade costeira do sul do Benin localizada a cerca de 40 km de Cotonou, entrou no centro do projeto La Marina, que pretende conectar turismo, memória da escravidão e o memorial do Portão do Não Retorno. Segundo reportagem do South China Morning Post, assinada por Jevans Nyabiage e publicada em 6 de junho de 2026, o governo beninense contratou empresas estatais chinesas para erguer o complexo à beira-mar.
O plano busca transformar a área onde funcionou um antigo centro do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas em um destino turístico conectado à chamada Rota dos Escravizados, ao memorial do Portão do Não Retorno e a novos equipamentos voltados ao visitante. A proposta coloca Ouidah diante de um desafio sensível: desenvolver o turismo em um local marcado por dor histórica sem apagar a memória do que aconteceu ali.
Projeto fica em Ouidah, no litoral sul do Benin

Ouidah fica no litoral atlântico do Benin, país da África Ocidental. A cidade está a aproximadamente 40 km de Cotonou, considerada a capital econômica do país, e guarda uma das memórias mais simbólicas da rota atlântica da escravidão.
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O antigo porto histórico foi usado como ponto de embarque de africanos escravizados durante o tráfico transatlântico. De acordo com a reportagem, quase 2 milhões de pessoas teriam sido levadas por uma rota de 2 km, saindo da praça de leilão até a praia, onde embarcavam nos navios.
Portão do Não Retorno virou símbolo da memória
Na praia de Ouidah fica o memorial conhecido como Portão do Não Retorno. A estrutura monumental marca o local associado à partida forçada de pessoas escravizadas que atravessavam o Atlântico e não retornavam ao continente africano.
Esse símbolo é o ponto mais delicado do projeto La Marina. O novo complexo turístico será construído em uma região onde a paisagem à beira-mar convive com uma memória histórica profunda, ligada à violência, ao deslocamento forçado e à formação da diáspora africana.
Governo do Benin contratou empresas estatais chinesas

Segundo a reportagem da SCMP, o governo do Benin contratou empresas estatais chinesas para construir o complexo La Marina, localizado na área do antigo porto histórico. A obra faz parte de uma agenda de infraestrutura ligada ao turismo e à valorização patrimonial.
O projeto é administrado pela Agência Nacional de Promoção do Patrimônio e Desenvolvimento do Turismo do Benin. Segundo a reportagem da SCMP, a construção começou durante o governo do ex-presidente Patrice Talon.
La Marina quer ligar praia, rota histórica e memorial

O complexo La Marina foi planejado para conectar a área à beira-mar com a antiga rota de 2 km percorrida por pessoas escravizadas e com os memoriais ligados ao tráfico transatlântico. A intenção é criar um percurso turístico integrado, no qual o visitante passe por espaços de lazer e por locais de memória.
Essa combinação é sensível porque envolve duas dimensões diferentes: de um lado, a busca por desenvolvimento econômico e atração de visitantes; de outro, a necessidade de preservar a gravidade histórica do lugar. Em Ouidah, o turismo não pode ser separado da memória do antigo porto histórico e do Portão do Não Retorno.
China amplia presença em obras africanas
A participação de construtoras chinesas insere o projeto de Ouidah no contexto mais amplo de obras conduzidas por empresas da China no continente africano. Nesse caso, a atuação ocorre em uma obra voltada ao turismo, à urbanização costeira e à requalificação de uma área com importância histórica.
O caso de Ouidah também mostra uma faceta específica da relação China-África: não se trata apenas de estradas, ferrovias, portos comerciais ou energia. O projeto envolve patrimônio, visitação internacional e uma tentativa de transformar uma região simbólica do Benin em destino turístico estruturado.
Turismo pode ampliar economia, mas exige cuidado

Para o Benin, o complexo La Marina busca ampliar a visibilidade internacional de Ouidah e atrair visitantes interessados em história, cultura e litoral. A conexão entre praia, memorial e rota histórica cria um produto turístico com forte apelo global.
Mas o desafio é evitar que o antigo porto histórico seja tratado apenas como cenário. A memória do tráfico transatlântico exige contextualização, respeito às vítimas e preservação do sentido histórico dos locais associados ao Portão do Não Retorno.
O ponto central é equilibrar desenvolvimento e memória

A transformação de Ouidah em destino turístico à beira-mar coloca a cidade em uma posição sensível: ao mesmo tempo em que o projeto busca fortalecer o turismo, qualquer obra nessa área precisa lidar com uma história que não pode ser suavizada para caber em um roteiro de viagem.
O projeto mostra como lugares marcados por tragédias históricas também entram em disputas contemporâneas por turismo, infraestrutura e narrativa. No caso do Benin, a pergunta não é apenas o que será construído, mas como o país vai contar ao mundo a história daquele litoral.
O antigo porto histórico de Ouidah agora está no centro do projeto La Marina, que reúne construtoras chinesas, governo do Benin, turismo costeiro e memória da escravidão. A iniciativa busca ampliar a projeção turística da região, mas também coloca em debate os limites entre desenvolvimento econômico e preservação histórica.
Você acha que transformar um antigo porto ligado à escravidão em destino turístico ajuda a preservar a memória ou corre o risco de transformar uma tragédia histórica em atração comercial? Deixe sua opinião nos comentários.


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