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Construtoras chinesas assumem obra para transformar antigo porto histórico do Benin em complexo turístico à beira-mar: projeto em Ouidah vai conectar La Marina, rota de 2 km e memorial do Portão do Não Retorno para redesenhar a costa atlântica africana com apelo global

Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/06/2026 às 23:37
Atualizado em 07/06/2026 às 23:59
Assista o vídeoConstrutoras chinesas assumem obra para transformar antigo porto histórico do Benin em complexo turístico à beira-mar projeto em Ouidah vai conectar La Marina, rota de 2 km e (6)
No Benin, porto histórico de Ouidah terá La Marina ligada ao Portão do Não Retorno em projeto turístico. Imagem: Ilustrativa
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Segundo reportagem do South China Morning Post, publicada em 6 de junho de 2026, o porto histórico de Ouidah, no Benin, será integrado ao projeto La Marina por construtoras chinesas, conectando turismo à beira-mar, rota da escravidão e memorial do Portão do Não Retorno na costa atlântica africana.

O porto histórico de Ouidah, cidade costeira do sul do Benin localizada a cerca de 40 km de Cotonou, entrou no centro do projeto La Marina, que pretende conectar turismo, memória da escravidão e o memorial do Portão do Não Retorno. Segundo reportagem do South China Morning Post, assinada por Jevans Nyabiage e publicada em 6 de junho de 2026, o governo beninense contratou empresas estatais chinesas para erguer o complexo à beira-mar.

O plano busca transformar a área onde funcionou um antigo centro do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas em um destino turístico conectado à chamada Rota dos Escravizados, ao memorial do Portão do Não Retorno e a novos equipamentos voltados ao visitante. A proposta coloca Ouidah diante de um desafio sensível: desenvolver o turismo em um local marcado por dor histórica sem apagar a memória do que aconteceu ali.

Projeto fica em Ouidah, no litoral sul do Benin

No Benin, porto histórico de Ouidah terá La Marina ligada ao Portão do Não Retorno em projeto turístico.
Imagem: Wikipedia

Ouidah fica no litoral atlântico do Benin, país da África Ocidental. A cidade está a aproximadamente 40 km de Cotonou, considerada a capital econômica do país, e guarda uma das memórias mais simbólicas da rota atlântica da escravidão.

O antigo porto histórico foi usado como ponto de embarque de africanos escravizados durante o tráfico transatlântico. De acordo com a reportagem, quase 2 milhões de pessoas teriam sido levadas por uma rota de 2 km, saindo da praça de leilão até a praia, onde embarcavam nos navios.

Portão do Não Retorno virou símbolo da memória

Na praia de Ouidah fica o memorial conhecido como Portão do Não Retorno. A estrutura monumental marca o local associado à partida forçada de pessoas escravizadas que atravessavam o Atlântico e não retornavam ao continente africano.

Esse símbolo é o ponto mais delicado do projeto La Marina. O novo complexo turístico será construído em uma região onde a paisagem à beira-mar convive com uma memória histórica profunda, ligada à violência, ao deslocamento forçado e à formação da diáspora africana.

Governo do Benin contratou empresas estatais chinesas

No Benin, porto histórico de Ouidah terá La Marina ligada ao Portão do Não Retorno em projeto turístico.
Imagem: Wikipedia

Segundo a reportagem da SCMP, o governo do Benin contratou empresas estatais chinesas para construir o complexo La Marina, localizado na área do antigo porto histórico. A obra faz parte de uma agenda de infraestrutura ligada ao turismo e à valorização patrimonial.

O projeto é administrado pela Agência Nacional de Promoção do Patrimônio e Desenvolvimento do Turismo do Benin. Segundo a reportagem da SCMP, a construção começou durante o governo do ex-presidente Patrice Talon.

La Marina quer ligar praia, rota histórica e memorial

No Benin, porto histórico de Ouidah terá La Marina ligada ao Portão do Não Retorno em projeto turístico.
Projeto de La Marina. Imagem: Ministério de Turismo de Benin

O complexo La Marina foi planejado para conectar a área à beira-mar com a antiga rota de 2 km percorrida por pessoas escravizadas e com os memoriais ligados ao tráfico transatlântico. A intenção é criar um percurso turístico integrado, no qual o visitante passe por espaços de lazer e por locais de memória.

Essa combinação é sensível porque envolve duas dimensões diferentes: de um lado, a busca por desenvolvimento econômico e atração de visitantes; de outro, a necessidade de preservar a gravidade histórica do lugar. Em Ouidah, o turismo não pode ser separado da memória do antigo porto histórico e do Portão do Não Retorno.

China amplia presença em obras africanas

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A participação de construtoras chinesas insere o projeto de Ouidah no contexto mais amplo de obras conduzidas por empresas da China no continente africano. Nesse caso, a atuação ocorre em uma obra voltada ao turismo, à urbanização costeira e à requalificação de uma área com importância histórica.

O caso de Ouidah também mostra uma faceta específica da relação China-África: não se trata apenas de estradas, ferrovias, portos comerciais ou energia. O projeto envolve patrimônio, visitação internacional e uma tentativa de transformar uma região simbólica do Benin em destino turístico estruturado.

Turismo pode ampliar economia, mas exige cuidado

No Benin, porto histórico de Ouidah terá La Marina ligada ao Portão do Não Retorno em projeto turístico.
Imagem: Studio Maac

Para o Benin, o complexo La Marina busca ampliar a visibilidade internacional de Ouidah e atrair visitantes interessados em história, cultura e litoral. A conexão entre praia, memorial e rota histórica cria um produto turístico com forte apelo global.

Mas o desafio é evitar que o antigo porto histórico seja tratado apenas como cenário. A memória do tráfico transatlântico exige contextualização, respeito às vítimas e preservação do sentido histórico dos locais associados ao Portão do Não Retorno.

O ponto central é equilibrar desenvolvimento e memória

No Benin, porto histórico de Ouidah terá La Marina ligada ao Portão do Não Retorno em projeto turístico.
Imagem: Studio Maac

A transformação de Ouidah em destino turístico à beira-mar coloca a cidade em uma posição sensível: ao mesmo tempo em que o projeto busca fortalecer o turismo, qualquer obra nessa área precisa lidar com uma história que não pode ser suavizada para caber em um roteiro de viagem.

O projeto mostra como lugares marcados por tragédias históricas também entram em disputas contemporâneas por turismo, infraestrutura e narrativa. No caso do Benin, a pergunta não é apenas o que será construído, mas como o país vai contar ao mundo a história daquele litoral.

O antigo porto histórico de Ouidah agora está no centro do projeto La Marina, que reúne construtoras chinesas, governo do Benin, turismo costeiro e memória da escravidão. A iniciativa busca ampliar a projeção turística da região, mas também coloca em debate os limites entre desenvolvimento econômico e preservação histórica.

Você acha que transformar um antigo porto ligado à escravidão em destino turístico ajuda a preservar a memória ou corre o risco de transformar uma tragédia histórica em atração comercial? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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