A maior fazenda de codornas revela uma cadeia intensiva que vai da genética ao abate, enquanto outra operação lidera a postura com 1,2 milhão de aves e 680 mil ovos diários, mostrando como biossegurança rígida, manejo técnico e logística integrada sustentam dois polos nacionais de produção de alimentos no Brasil.
A maior fazenda de codornas ajuda a explicar por que uma ave pouco vista no cotidiano ocupa um espaço relevante na alimentação nacional. Mesmo discreta para grande parte do público, a codorna sustenta uma cadeia altamente tecnificada, com controle sanitário, metas de produtividade e processos industriais em escala.
No Brasil, esse mapa produtivo se organiza em dois eixos complementares. Em Santa Catarina, a referência está na carne, com operação integrada do início ao fim. No Espírito Santo, o protagonismo está na postura, com volume diário que transforma um produto pequeno em resultado logístico e econômico de grande porte.
De criação antiga a um setor intensivo no Brasil
A codorna acompanha a humanidade há milênios, com registros no norte da África, na Europa e em regiões da Ásia. China e Coreia tiveram papel importante nas primeiras criações organizadas, e o Japão acelerou esse processo no início do século XX, por volta de 1910, ao cruzar linhagens para obter aves mais resistentes, produtivas e adaptadas ao confinamento.
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No Brasil, a chegada ocorreu em 1959, trazida principalmente por imigrantes italianos e japoneses. O interesse inicial não estava centrado em carne e ovos, mas no canto da ave. Com o tempo, o potencial produtivo se impôs e a atividade deixou de ser periférica para virar um segmento intensivo da avicultura, abrindo espaço para estruturas que hoje definem o padrão da maior fazenda de codornas no país.
Santa Catarina concentra a maior fazenda de codornas voltada à carne

Em Coronel Freitas, SC a operação da Good Alimentos é descrita como a maior produtora de carne de codorna do Brasil e da América Latina.

O diferencial está na integração completa da cadeia: genética, incubação, criação, abate, processamento e distribuição dentro da mesma estrutura. O complexo ocupa cerca de 360.000 m², funcionando como uma cidade industrial especializada.

O controle sanitário é tratado como eixo central. Qualquer entrada em áreas produtivas exige protocolo de biossegurança com banho e troca de roupas.
A rotina inclui recebimento de aproximadamente 16.500 ovos férteis por dia, com plano de expansão para superar 20 mil. A incubação dura cerca de 21 dias, com dois grandes nascimentos semanais de cerca de 33 mil codornas por lote e taxa média de aproveitamento de 80%.
Depois da triagem inicial, as aves seguem para os aviários de corte e atingem peso ideal em aproximadamente 27 dias.
O abate passa por nove etapas fiscalizadas pelo Serviço de Inspeção Federal. A produção diária gira em torno de 17 mil codornas, equivalente a cerca de 16 toneladas de carne, com meta de alcançar 50 toneladas mensais diante da ampliação de mercados.
No Espírito Santo, a escala dos ovos redefine a noção de volume

Se Santa Catarina simboliza a força da carne, Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, concentra uma das maiores estruturas de postura. A granja abriga 1,2 milhão de codornas distribuídas em seis galpões, cada um com 4.160 gaiolas e média de 33 aves por gaiola. O cenário operacional é de alta padronização, com foco em constância produtiva e estabilidade sanitária.

Segundo dados citados do IBGE na própria base, o Espírito Santo reúne quase 4 milhões de codornas e lidera esse segmento no país. A pandemia reduziu o consumo de ovos em conserva, especialmente pela dependência de bares e restaurantes, e a granja chegou a desativar temporariamente três galpões. Ainda assim, a recuperação veio com manutenção da estrutura técnica e reorganização da operação.
As codornas chegam com um dia de vida, pesando cerca de 4 g, passam por recria até cinco semanas e seguem para produção até aproximadamente 52 semanas. A alimentação combina vitaminas, minerais, óleos essenciais, ácidos orgânicos e probióticos. O manejo é silencioso porque o estresse afeta diretamente a postura, e cada etapa ocorre com água clorada, monitoramento diário e observação individual das gaiolas.
O que os números mostram sobre eficiência, risco e expansão
A produção diária de ovos chega a 680 mil unidades, com destino a supermercados, indústrias e conservas. Apenas em ovos em conserva, a granja alcança cerca de 35 toneladas por mês. O processo inclui cozimento, resfriamento rápido e acondicionamento em salmoura, com controle rigoroso contra salmonela, reforçando que produtividade e segurança alimentar caminham juntas.
Quando se observa a maior fazenda de codornas e as operações associadas, fica claro que a escala não depende do tamanho da ave, mas da engenharia de processo. A lógica que sustenta o setor combina sanidade, ritmo de produção e logística regional. Por isso, o plano de expansão para Goiás aparece como movimento estratégico para reduzir custos e ampliar presença nacional sem perder padrão técnico.
No fim, a codorna deixa de ser um item ocasional e passa a ser um caso clássico de agroindústria organizada. O consumidor vê um ovo pequeno no prato, mas por trás dele existe uma cadeia robusta, integrada e altamente controlada, que conecta granja, indústria, inspeção e distribuição em dois polos decisivos da produção brasileira.
A história da maior fazenda de codornas no Brasil mostra como tecnologia, biossegurança e gestão de escala conseguem transformar um produto simples em um setor estratégico. Entre carne e ovos, o que parecia nicho virou operação de alto desempenho, com impacto direto no abastecimento e na competitividade da avicultura nacional.
E na sua rotina, onde o ovo de codorna aparece de verdade: em conserva de mercado, em receitas de casa, em refeições fora ou quase nunca? Qual desses números mais te surpreendeu, 1,2 milhão de aves, 680 mil ovos por dia ou 17 mil codornas abatidas diariamente?


Uma batida de ovos de codorna com uma caracu,seguida de uma variedade de frutas: laranja,****,alguns cereais,para complementar e uma boa refeição,pela manhã e pela noite.
Excelente matéria.
Esse homem da foto aí vai quebrar muitos ovos